Documentário da UFSC revisita tragédia ambiental na Lagoa da Conceição e aponta perdas ambientais

Um curta-documentário lançado pelo Laboratório de Ecologia de Invasões Biológicas, Manejo e Conservação da UFSC (LEIMAC) reúne dados científicos e registros visuais que indicam a continuidade dos danos no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, mesmo cinco anos após a tragédia ambiental ocasionada pelo rompimento da barragem da lagoa de evapoinfiltração da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) na Lagoa da Conceição em Florianópolis.

Disponível no YouTube, o filme revisita o episódio ocorrido em janeiro de 2021 e discute a situação atual da área, considerada um dos principais santuários ecológicos e cartões-postais da capital catarinense. O material foi filmado e editado pelo cineasta ambiental Todd Southgate, residente em Florianópolis, e propõe um balanço crítico sobre as consequências ambientais ainda em curso.

O QUE FOI A TRAGÉDIA AMBIENTAL EM FLORIANÓPOLIS

Em 25 de janeiro de 2021, o rompimento da estrutura da Casan liberou milhares de litros de efluentes. A enxurrada atravessou uma extensa área de dunas protegidas, inundou ruas, destruiu 75 casas e lançou toneladas de sedimentos e matéria orgânica na Lagoa da Conceição.

O episódio teve repercussão imediata na cidade e levantou alertas sobre os riscos à saúde pública e ao equilíbrio ambiental de uma das regiões mais sensíveis de Florianópolis.

SISTEMA EMERGENCIAL SEGUE EM OPERAÇÃO

Segundo o curta-documentário, em julho de 2021 a Casan instalou um sistema emergencial de bombeamento de efluentes, com autorização da Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis, para evitar um novo rompimento da barragem.

De acordo com a produção, esse sistema permanece em funcionamento até hoje. Quase cinco anos após o desastre, ainda ocorre o despejo de efluentes dentro do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, área legalmente protegida.

PESQUISA DA UFSC APONTA PERDA DE BIODIVERSIDADE

A narração do curta é conduzida pela pesquisadora Michele de Sá Dechoum, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC. Um dos estudos apresentados foi desenvolvido por Thiago Ellert, então estudante de graduação em Biologia, que avaliou os impactos do despejo de efluentes sobre a vegetação de restinga no parque.

A pesquisa identificou soterramento da vegetação original e sinais claros de perda de vigor, além de mudanças na composição das espécies ao longo do tempo.

“A partir de estudos realizados, mostramos que a vegetação nativa foi sendo soterrada, apresentou sinais de perda de vigor e foi mudando à medida que o tempo foi passando. O número de plantas nativas foi diminuindo, e plantas nativas características de áreas degradadas foram se tornando cada vez mais dominantes, como resultado do excesso de nutrientes despejados. Adicionalmente, a contaminação das lagoas naturais que existem no Parque já estava acontecendo mesmo antes da instalação daqueles tubos – ou seja, as lagoas estavam sendo contaminadas pela lagoa de evapoinfiltração. Contaminar essas lagoas naturais significa mais uma forma de impacto sobre a natureza. Em outras palavras: perdemos biodiversidade, perdemos beleza cênica e perdemos serviços ambientais essenciais para a qualidade de vida das pessoas”, registra o material de divulgação do curta.

DOCUMENTÁRIO REFORÇA ALERTA SOBRE IMPACTOS ATUAIS

Ao reunir imagens, dados científicos e depoimentos, o curta-documentário do LEIMAC busca evidenciar que os efeitos da tragédia ambiental em Florianópolis não ficaram restritos ao passado. O material aponta que os impactos seguem ativos no território e reforça o debate sobre a recuperação ambiental da Lagoa da Conceição e das áreas naturais que a cercam.

O vídeo integra uma série de ações de divulgação científica da UFSC e amplia a discussão pública sobre responsabilidade ambiental, gestão de efluentes e preservação dos ecossistemas urbanos de Florianópolis.

Assista ao documentário

Impactos invisíveis de um desastre anunciado

Com informações da Notícias da UFSC

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