A Organização das Nações Unidas apresentou um conjunto de iniciativas urbanas brasileiras voltadas a sustentabilidade, inclusão social e planejamento participativo, reunidas em parceria com o governo federal e o programa ONU-Habitat. A seleção inclui projetos de diferentes regiões do país e busca compartilhar experiências com nações do chamado Sul Global.
As propostas ganham relevância no cenário atual de urbanização acelerada e pressão ambiental nas cidades, onde soluções testadas em contextos semelhantes podem orientar políticas públicas e cooperação internacional em desenvolvimento urbano sustentável.
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ONU DESTACA EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS EM CIDADES SUSTENTÁVEIS
Entre os projetos selecionados está o Plano de Bairro da Ilha de Maré, em Salvador. A iniciativa beneficiou cerca de 4 mil moradores de 12 comunidades, incluindo seis quilombolas, com ações de planejamento participativo e desenvolvimento sustentável.
O projeto integrou lideranças comunitárias, universidades, organizações locais e poder público para diagnosticar demandas e propor melhorias sociais e urbanísticas. A pescadora quilombola Marizélia Lopes destaca a relação entre meio ambiente e sustento local: “A gente não enxerga a natureza só como um espaço de exploração, a gente tem uma relação, a gente não consegue desassociar o que é natureza da gente, da vida da gente. Então a gente é a natureza, né?”.
SOLUÇÕES AMBIENTAIS GANHAM DESTAQUE EM ÁREAS URBANAS
Outra experiência reconhecida ocorre no Recife, com os Jardins Filtrantes no Parque do Caiara. O projeto implantou um sistema natural de filtragem na foz do Riacho do Cavouco, utilizando cerca de 7,5 mil plantas aquáticas nativas para melhorar a qualidade da água antes de chegar ao Rio Capibaribe.
Além do impacto ambiental, a iniciativa também alterou a dinâmica do entorno urbano. A moradora Gabriela Machado relatou: “O Jardim do Caiara, inaugurado e renovado, é um espaço que posso curtir do lado da minha casa, um lugar da minha região, que traz valor para minha região”.
PROJETOS SOCIAIS E IGUALDADE DE GÊNERO NA AGENDA URBANA
Entre as iniciativas selecionadas também está o programa Marias na Construção, da Prefeitura de Salvador. O projeto oferece qualificação profissional e geração de renda para mulheres em situação de violência doméstica ou vulnerabilidade social, com mais de 600 formadas em dois anos.
A participante Janaína dos Santos resume o impacto pessoal da formação: “Já terminei um curso agora e vou começar outros dois. Aprendi muita coisa. Quero crescer na área. Futuramente, quero fazer um curso técnico, se assim Deus me permitir, fazer uma faculdade e ser uma grande mulher na construção”.
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL E TROCA DE EXPERIÊNCIAS URBANAS
A seleção foi realizada pelo Programa Simetria Urbana, criado em 2023, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores e o ONU-Habitat. As iniciativas estão alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11, voltado a cidades inclusivas, seguras e sustentáveis.
Segundo a arquiteta urbanista Laura Lacastagneratte de Figueiredo, analista do ONU-Habitat, a proposta é ampliar a circulação dessas experiências. “Ao sistematizar soluções que já apresentaram resultados, amplia o potencial dessas experiências como referências para a cooperação e como modelos adaptáveis e inspiradores de políticas públicas, capazes de dialogar com realidades semelhantes”, explica.
Ela acrescenta: “O objetivo é estimular intercâmbios, projetos conjuntos e o fortalecimento de capacidades locais, contribuindo para acelerar a implementação de ações efetivas de desenvolvimento urbano sustentável em diferentes contextos”.
Outras iniciativas listadas incluem formação socioambiental de jovens no Ceará, centros comunitários em áreas vulneráveis do Recife, projetos de habitação social em Niterói e desenvolvimento de ônibus híbrido elétrico-hidrogênio em Maricá, experiências que passam a integrar um repertório internacional de soluções urbanas.
Com informações da Agência Brasil.

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