Carlos Bolsonaro (PL) e João Rodrigues (PSD) bateram um papo no último final de semana. O ex-vereador carioca e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina ligou para o prefeito de Chapecó no sábado, dia 7, para conversar sobre a relação política dos dois, e discutir uma possível aliança para 2026.
O diálogo entre as duas figuras, revelado pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, contou ainda com um pedido de desculpas de Carlos por alfinetadas passadas ao mandatário chapecoense. O fato principal, no entanto, foi a pergunta feita pelo “02” a João Rodrigues: haveria espaço para sua candidatura ao Senado na chapa do PSD?
É difícil imaginar algum bolsonarista que dissesse não a uma pergunta dessas — por mais inesperada que seja. João Rodrigues, portanto, respondeu que Carlos seria muito bem-vindo em seu projeto, mas nos bastidores avaliou que a possibilidade dessa composição realmente acontecer é remota — afinal, Jorginho Mello não abriria mão do filho de Bolsonaro em sua chapa.
Imprevisível
Há quem diga que o contato com o prefeito de Chapecó é um exemplo do comportamento errático de Carlos Bolsonaro, que tem um histórico de manifestações polêmicas e por vezes confusas em suas redes sociais. A imprevisibilidade é uma marca registrada dele, e durante as campanhas de Bolsonaro, ele foi o responsável pela estratégia de comunicação agressiva e permeada de notícias enganosas sobre seus adversários.
Esse traço de personalidade pode muito bem ter incentivado Carlos a pegar o telefone, mas esse não foi o único fator a motivá-lo. Antes de discar o número de João Rodrigues, o “02” havia visitado seu pai na “Papudinha”, penitenciária onde Jair Bolsonaro está preso, em Brasília. Segundo analistas, o contato teria sido incentivado pelo patriarca do clã.
Aval do pai
Outra característica inegável de Carlos Bolsonaro é sua lealdade ao pai. É ele o autor de grande parte das manifestações da família em relação ao estado de saúde de Jair, e a principal voz em favor da concessão de uma “prisão domiciliar humanitária” para o ex-presidente. Ele, portanto, nunca teria feito tal movimentação, avessa aos interesses de seu partido, sem o aval do pai.
Ainda segundo Igor Gadelha, durante a visita que Carlos fez a Bolsonaro na Papudinha, o 02 teria relatado insatisfação com a crise interna no PL catarinense, que gira em torno da distribuição das vagas ao Senado. O ex-vereador estaria se sentindo desprestigiado na composição da chapa estadual, por conta das tensões com a deputada federal Carol De Toni (PL) e o senador Esperidião Amin (PP). A resposta de Bolsonaro, então, foi o contato com o principal adversário do governador no Estado — uma maneira de deixar Jorginho Mello “esperto”, por assim dizer.
Desconfiança
Mas além disso, o contato com o João Rodrigues pode também ser a manifestação de uma desconfiança que Carlos Bolsonaro, assim como os demais pré-candidatos da chapa do PL catarinense ao Senado, nutrem contra o governador do Estado. Esse sentimento se tornou ainda mais evidente após o rompimento com o MDB, resultado de um movimento que os emedebistas consideraram uma traição pública. Jorginho Mello ficou nos bastidores com a reputação de um político que não cumpre sua palavra. Num momento em que os acordos eleitorais são quase todos verbais, firmados sobre um aperto de mãos, a desconfiança acaba imperando — e alimentando tensões.
Carol De Toni, por exemplo, mais de uma vez ameaçou deixar o PL para manter sua candidatura ao Senado, e procura outras siglas que possam abrigar suas ambições eleitorais. Esperidião Amin, por sua vez, segue em diálogo com o PSD, e mantém suas opções em aberto para o caso de ser escanteado da chapa de Jorginho. Ao que tudo indica, Carlos ameaça ir pelo mesmo caminho, preocupado em manter-se no jogo e não depender da boa vontade dos outros.
Incoerência
Mas abandonar o PL para disputar a corrida eleitoral ao lado de João Rodrigues seria uma incoerência dentro do clã. O irmão de Carlos, Flávio Bolsonaro (PL), é pré-candidato à presidência, e hoje, o principal adversário de Lula no pleito. Filiando-se ao PSD, o 02 também teria de apoiar o candidato de Kassab, presidente nacional da sigla, à presidência. Iria então contra o aliado de Flávio no Estado e contra o próprio irmão a nível nacional. Um pouco difícil de imaginar.
Ao que tudo indica, o telefonema de Carlos foi muito mais um recado a Jorginho Mello do que uma oportunidade para João Rodrigues. Foi uma maneira do ex-vereador marcar posição do jeito errático que lhe é característico, e também de pressionar o governador a resolver os problemas internos no PL o quanto antes. Caso isso não aconteça, Carlos Bolsonaro vai criar ainda mais problemas para Jorginho resolver.

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