Hemodiálise pediátrica chega ao Hospital Infantil Joana de Gusmão em Florianópolis

A hemodiálise pediátrica começou a ser realizada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, após cerca de duas décadas de tratativas. A novidade evita transferências de crianças com insuficiência renal grave e reforça a assistência especializada na rede pública de Santa Catarina.

O primeiro paciente foi Joaquim Schmidt Mascarenhas, de Rio do Sul, que iniciou o tratamento na própria unidade. A mudança reduz deslocamentos em situações delicadas e amplia a estrutura para casos renais complexos entre crianças internadas.

HEMODIÁLISE PEDIÁTRICA: POR QUE O NOVO SERVIÇO MUDA O ATENDIMENTO HOJE

Até então, pacientes pediátricos precisavam ser transferidos para o Hospital Jeser Amarante Faria, em Joinville. O hospital da capital já oferecia diálise peritoneal, mas nem todos os quadros respondem ao método.

Com duas máquinas disponíveis e equipes treinadas, o procedimento pode ser feito à beira do leito, inclusive na UTI, reduzindo riscos associados ao transporte de pacientes graves.

POSICIONAMENTO DA SAÚDE ESTADUAL E IMPACTO NO ACESSO

O secretário estadual de Saúde, Diogo Demarchi, destacou a ampliação do atendimento especializado:
“Esse é um grande passo para fortalecer a assistência em nefrologia pediátrica em Santa Catarina. A saúde precisa acontecer onde as pessoas estão e, por isso, temos objetivos claros: ampliar a oferta de serviços, disponibilizar recursos adequados e garantir suporte aos pacientes”.

CASO DO PRIMEIRO PACIENTE MOSTRA NECESSIDADE DO SERVIÇO

Joaquim nasceu com má formação renal e vive com apenas um rim. Após alterações nos exames no fim de 2025 e agravamento dos sintomas, precisou de tratamento intensivo.

“Estou um pouco nervoso, porque é a primeira vez, mas também é muito gratificante para mim. Saber que isso pode ajudar outras crianças a se sentirem fortes e a não acharem que são fracas por estarem doentes. Nós já somos fortes, pois ficar no hospital não é fácil. Às vezes eu choro, fico desanimado, mas, comparando com quando cheguei, hoje estou muito melhor”.

A mãe, Soraia Schmidt de Sousa, relatou a adaptação à nova rotina:
“A expectativa é viver um dia de cada vez e aproveitar cada momento da melhor forma possível. Os sonhos continuam, e a gente vai se adaptando conforme a vida vai trazendo as coisas para nós. Ele fazia acompanhamento anual com a área de nefrologista daqui e sempre fomos muito bem atendidos. Agora, durante esta internação, continuamos sendo muito bem tratados. Temos todo o amparo necessário e nos sentimos seguros com toda a equipe”.

COMO FUNCIONA O TRATAMENTO E OS RESULTADOS INICIAIS

A hemodiálise é indicada quando os rins deixam de cumprir funções essenciais. Sintomas comuns incluem inchaço, redução da urina, pressão alta, dores de cabeça e apatia.

Segundo a nefrologista pediátrica Martha Nunes Simon, a resposta clínica costuma ser rápida em alguns casos, com melhora dos exames e redução de medicamentos após as primeiras sessões.

“O serviço de nefrologia pediátrica existe há muitos anos no Hospital Infantil e desde então buscamos a implantação da hemodiálise. Hoje contamos com equipes treinadas, enfermagem capacitada e toda a estrutura necessária, como máquinas, insumos, linhas, capilares e osmose. Com isso, conseguimos iniciar o atendimento e beneficiar significativamente o Joaquim”.

EXPANSÃO DO SERVIÇO E POSSÍVEL NOVA ESTRUTURA

A diretora da instituição, Maristela Cardozo Biazon, afirmou que a tendência é aumento da procura após a implantação:
“No ano passado, sete dos nossos pacientes necessitavam de hemodiálise. Mas sabemos que, quando se oferta um serviço, a demanda vem junto. A ideia é que o serviço se expanda ainda mais e que novos pacientes sejam atendidos e beneficiados. O Joaquim foi o primeiro a realmente precisar e ter a indicação clínica para hemodiálise. O fato de já estarmos com o serviço disponível permitiu que esse momento acontecesse”.

A unidade avalia a viabilidade de um centro voltado também a pacientes crônicos, enquanto a nova estrutura começa a atender a demanda imediata e reduz a necessidade de transferências hospitalares no estado.

Com informações da Agência de notícias SECOM.

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