Na UFSC, número de mulheres na ciência ultrapassa o número de homens

Cresce o número de mulheres na ciência na Universidade Federal de Santa Catarina, onde já são maioria entre ingressantes, matriculadas e concluintes da pós-graduação. Dados de 2025 divulgados no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência indicam mil mulheres tituladas, contra 814 homens.

O cenário reforça mudanças no perfil da pesquisa acadêmica e aponta desafios ainda presentes, sobretudo na entrada feminina em áreas tecnológicas e engenharias, tema que tem motivado projetos de estímulo a estudantes desde o ensino médio.

MULHERES NA CIÊNCIA E A FORMAÇÃO ACADÊMICA HOJE

Na pós-graduação, o maior número de concluintes mulheres está no Centro de Ciências da Saúde. O Centro Tecnológico também apresenta participação relevante, embora ainda com predominância masculina.

A ampliação feminina nesses cursos acompanha discussões sobre diversidade na ciência e a necessidade de ampliar a presença em setores historicamente masculinos.

PROJETOS EDUCACIONAIS GANHAM IMPORTÂNCIA NO PRESENTE

Em Joinville, uma iniciativa ligada ao programa Futuras Cientistas aproximou alunas do ensino médio da pesquisa científica. A proposta envolveu a construção de uma estação meteorológica com tecnologias digitais.

A professora Amanara Potykytã de Sousa Dias Vieira detalhou a experiência:
“No nosso caso, a atividade que a gente propôs foi justamente montar uma estação meteorológica durante esse mês. Então, isso envolveu tanto aulas de hidrologia para entender o que a gente estava medindo, qual a importância daquilo, aulas de eletrônica, de programação e a montagem, com o teste da estação”.

Segundo ela, indicadores do programa mostram impacto educacional relevante:
“As estatísticas do Futuras Cientistas mostram que cerca de 70% das alunas que participam desse programa são aprovadas no vestibular e mais aproximadamente 80% delas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática”.

EXPERIÊNCIAS INDIVIDUAIS MOSTRAM EFEITOS PRÁTICOS

A estudante Marina Deschamps de Borba participou do projeto e relata mudança na percepção sobre pesquisa científica.

“Uma coisa que me ajudou muito foi realmente estar entendendo o que estava acontecendo. A experiência de estar na universidade é algo mágico, é incrível. É uma realidade completamente diferente”.

Ela também destacou o contato direto com o ambiente acadêmico:
“Me abriu os olhos principalmente para a pesquisa, que é algo que eu não dava muita importância um tempo atrás”.

LIDERANÇA FEMININA NA PESQUISA GANHA ESPAÇO

Dados institucionais indicam crescimento na liderança feminina em projetos científicos financiados, passando de 35 iniciativas em 2022 para 66 no início de 2026, incluindo pesquisas com investimentos superiores a R$ 1 milhão.

Programas de reconhecimento acadêmico e ações afirmativas buscam consolidar esse avanço, enquanto iniciativas educacionais seguem estimulando novas gerações de pesquisadoras.

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