O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou 18 pessoas por integrarem uma organização criminosa acusada de desviar recursos públicos da Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis. A denúncia foi apresentada na sexta-feira (20) pela 31ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, especializada na área de moralidade administrativa, como novo desdobramento da Operação Presságio.
O avanço do processo ocorre enquanto seis ações penais seguem em tramitação na Justiça, aprofundando a apuração sobre o uso de verbas municipais destinadas a projetos sociais e entidades parceiras da prefeitura entre 2020 e 2024.
Conteúdos
EX-SECRETÁRIO E EX-ASSESSOR ESTÃO ENTRE OS DENUNCIADOS
Os nomes dos denunciados não foram oficialmente divulgados pelo Ministério Público. No entanto, reportagem do NSC Total apurou que entre os acusados estão o ex-secretário de Cultura, Turismo e Esporte da Capital, Ed Pereira, e o ex-assessor dele, Renê Raul Justino. Os dois foram presos preventivamente durante a segunda fase da Operação Presságio, em maio de 2024.
ESTRUTURA CRIMINOSA FUNCIONAVA COMO UMA “EMPRESA”
Segundo a denúncia apresentada pela 31ª Promotoria de Justiça, o grupo investigado mantinha uma estrutura organizada em quatro níveis: liderança, setor financeiro, setor operacional e pessoas usadas como “laranjas”.
Esse modelo permitia o desvio contínuo de verbas públicas originalmente destinadas a entidades e projetos sociais. A atuação hierarquizada, conforme o MP, garantia a repetição do esquema e a ocultação da origem dos recursos.
PROJETOS SOCIAIS ERAM USADOS PARA JUSTIFICAR PAGAMENTOS
De acordo com as investigações, os desvios ocorriam por meio de termos de fomento, projetos sociais considerados fictícios e emissão de notas fiscais falsas para justificar serviços não prestados ou superfaturados.
Apenas parte do dinheiro repassado às entidades era aplicada nas atividades previstas. O restante retornava ao grupo por meio de depósitos fracionados, saques em espécie e transferências diretas entre os envolvidos.
Documentos, extratos bancários e mensagens apreendidas indicam movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados.
ESQUEMA TERIA SE AMPLIADO ENTRE 2019 E 2024
As apurações apontam que o funcionamento da organização criminosa teve início em 2019 e foi gradualmente expandido para praticamente todos os projetos financiados pela Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Esporte.
Organizações sociais teriam sido utilizadas como fachada para encobrir irregularidades e manter os repasses de recursos públicos ao longo dos anos.
CRIMES APONTADOS NA DENÚNCIA
Entre os principais crimes atribuídos aos denunciados estão:
-
desvio de verbas públicas (peculato), por meio de repasses a entidades usadas como fachada;
-
falsidade ideológica, com emissão de notas fiscais para serviços inexistentes ou superfaturados;
-
fraudes em licitações e contratos, incluindo contratações emergenciais sem justificativa adequada;
-
atuação organizada em estrutura hierárquica voltada ao desvio sistemático de recursos.
INVESTIGAÇÃO SEGUE EM ANDAMENTO
A Operação Presságio é conduzida pela Polícia Civil desde 2021 e foi ampliada a partir de 2023. Além da denúncia apresentada agora, outros procedimentos e ações penais continuam em curso.
O Ministério Público afirma que novas análises de contratos, documentos e movimentações financeiras ainda estão sendo realizadas para esclarecer a totalidade dos fatos e verificar a eventual participação de outros envolvidos no esquema.

Concurso de Poesias 2026 da Biblioteca Pública de SC busca revelar novos poetas catarinenses
Grande Florianópolis alcança um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil
Santa Catarina ultrapassa 10 mil multas por porte e uso de drogas em locais públicos desde 2024
Detran-SC orienta motoristas a buscar CNHs antes da destruição