No Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo, dia 8 de março, o debate corporativo ultrapassa a representatividade numérica para focar na presença feminina em espaços de decisão. Embora dados da consultoria Bain & Company indiquem que mulheres ocupam apenas cerca de 10% das cadeiras em conselhos de administração no Brasil, um grupo de empresas está acelerando essa curva por meio de metas de governança auditáveis. A ascensão feminina deixou de ser uma pauta de intenções para se tornar um indicador estratégico de eficiência e qualidade nas decisões de longo prazo, refletindo a pluralidade da sociedade no C-Level.
Abaixo, os exemplos de como grandes grupos estão estruturando essa evolução na alta liderança:
No setor de varejo, o GPA (Grupo Pão de Açúcar) atingiu a meta de 50% de mulheres em cargos de liderança (coordenação e gerência) prevista para 2025. A companhia, que iniciou o monitoramento de indicadores em 2016, projeta agora alcançar 50% da alta liderança (gerência e diretoria) até 2030, onde atualmente detém 48%.
Na Lojas Renner S.A., as mulheres ocupam 37,5% das cadeiras no Conselho de Administração e 40% na Diretoria Estatutária. A empresa é signatária do Women on Board e mantém a meta pública de atingir 55% de mulheres na alta liderança até 2030. Já o Grupo Casas Bahia atingiu 35,8% de mulheres em cargos de gestão, com o apoio do programa de mentoria Dona de Si, que teve 87% de adesão do público elegível.
No segmento de estética, a Espaçolaser apresenta uma estrutura em que 95% do quadro geral e 90% dos cargos de liderança são femininos. Sob o comando da CEO Magali Leite, a empresa registra que 45% dos postos de comando ocupados por mulheres são preenchidos por profissionais negras.
Na infraestrutura digital, a Elea Data Centers vinculou suas metas de gênero a instrumentos financeiros (green bonds). A meta é elevar a presença feminina na liderança de 35% para 42% até 2029. Crislaine Corradine, promovida a Chief Business Support Officer durante sua licença-maternidade, aponta a importância de estruturas de suporte:
“Na Elea, encontrei um ambiente que respeita meu momento de vida e me dá tranquilidade para priorizar a minha família.”
Na mineração, a Brazil Iron estruturou sua operação com mulheres em postos estratégicos desde a fase pré-operacional, aderindo ao movimento Women in Mining em 2025. Tamara Frey, diretora de Gestão Corporativa, e Mariana Utsumi, administradora do Conselho, destacam o impacto dessa composição:
"A inovação na mineração só acontece quando trazemos pluralidade para a mesa de decisão", afirma Mariana Utsumi.
A Orla Rio anunciou recentemente o reforço em áreas de expansão e projetos com a chegada de executivas como Renata Fernandes e Maíra Lucchese. De forma similar, o Grupo Iter mantém 46,3% de seu quadro composto por mulheres e investe em programas de mentoria como o “Caminhos Diversos”, que atua na transição de áreas e preparação para o comando.
No setor de bebidas, a Coca-Cola FEMSA Brasil busca alcançar 40% de mulheres em cargos de liderança até 2030. Através do programa "Elas na Liderança", focado em competências técnicas e comportamentais, a companhia registrou índices de promoção superiores a 70% entre as participantes.
As metas e iniciativas apresentadas indicam que a diversidade de gênero agora compõe a arquitetura de governança das organizações. O fortalecimento de programas de desenvolvimento e o monitoramento constante de indicadores reforçam a transição para lideranças mais plurais no ambiente corporativo brasileiro.

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