Santa Catarina lidera ranking nacional de empreendedorismo feminino no Brasil

Com 13,9% das mulheres à frente de empreendimentos, estado aparece no topo do ranking brasileiro e acompanha crescimento acelerado das empreendedoras no país.

Santa Catarina aparece entre os estados com maior presença de mulheres à frente de negócios no Brasil. Dados recentes indicam que 13,9% das catarinenses com 14 anos ou mais lideram algum tipo de empreendimento, índice que coloca o estado na liderança nacional ao lado do Rio de Janeiro e evidencia a força do empreendedorismo feminino na economia local.

O avanço ocorre em um momento simbólico, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. No país, cerca de 10,4 milhões de mulheres são donas de negócios, o equivalente a 34% do total de empreendedores. O crescimento desse grupo tem sido expressivo: nos últimos dez anos, o número de empreendedoras aumentou 26,8%, enquanto entre os homens a expansão foi de 10,6%.

EMPREENDEDORISMO FEMININO GANHA DESTAQUE NA ECONOMIA CATARINENSE

A presença crescente de mulheres no comando de empresas tem consolidado o empreendedorismo feminino como uma das forças que impulsionam a economia catarinense. O indicador de 13,9% coloca Santa Catarina no topo do ranking nacional e revela um ambiente favorável à abertura de novos negócios liderados por mulheres.

Esse protagonismo também reflete características históricas do estado, conhecido por uma cultura empreendedora forte, marcada por pequenas e médias empresas espalhadas por diferentes regiões e setores da economia.

Nos últimos anos, o avanço das empreendedoras passou a ocupar espaço relevante nas estatísticas econômicas do país, mostrando que cada vez mais mulheres estão optando por abrir empresas, formalizar atividades e transformar ideias em fonte de renda.

vencedoras do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2024
Foto: Mariana Smania

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, o fenômeno representa uma mudança estrutural na sociedade brasileira. “Quando uma mulher decide empreender, ela não está apenas abrindo um negócio. Muitas vezes está mudando o destino da própria família e da comunidade ao redor”, afirma. “O empreendedorismo feminino representa geração de renda, inclusão produtiva e, principalmente, autonomia.”

AUTONOMIA FINANCEIRA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

O crescimento das mulheres empreendedoras também está ligado à busca por independência financeira e melhores condições de vida. Em muitos casos, abrir um negócio se torna uma alternativa para ampliar a renda familiar ou conquistar maior autonomia econômica.

Segundo dados nacionais, 53,7% das mulheres que empreendem são chefes de domicílio, o que significa que são responsáveis diretas pelo sustento da casa. Isso indica que, para muitas famílias brasileiras, a atividade empreendedora feminina representa a principal fonte de renda.

Outro dado relevante é a diversidade presente nesse grupo. Cerca de 49% das empreendedoras no Brasil são mulheres negras, o que demonstra a importância do empreendedorismo como caminho de inclusão produtiva e geração de oportunidades.

Para Décio Lima, o movimento também tem impacto social significativo. “Empreender tem sido um caminho de liberdade para muitas mulheres. Em vários casos, significa romper barreiras históricas, conquistar independência financeira e até sair de situações de vulnerabilidade ou relacionamentos abusivos”, observa.

Além da dimensão econômica, especialistas apontam que a presença feminina nos negócios amplia a diversidade no ambiente empreendedor e contribui para novos modelos de gestão, inovação e desenvolvimento de produtos e serviços voltados às demandas da sociedade.

FAIXA ETÁRIA MOSTRA CONCILIAÇÃO ENTRE TRABALHO E FAMÍLIA

A maior parte das mulheres que empreendem está na faixa entre 30 e 49 anos, grupo que representa 51,3% das donas de negócios no país. Trata-se de uma etapa da vida em que muitas conciliam diferentes responsabilidades, incluindo trabalho, cuidado com filhos e gestão da casa.

Mesmo diante desse cenário, as empreendedoras dedicam, em média, 34 horas semanais às atividades do negócio. Entre os homens, a média chega a 40 horas semanais.

A diferença é frequentemente associada à chamada dupla jornada feminina, na qual tarefas domésticas e responsabilidades familiares ainda recaem de forma desproporcional sobre as mulheres.

Ainda assim, os dados indicam que o empreendedorismo se mantém como alternativa viável para geração de renda e realização profissional, especialmente em contextos em que o trabalho formal apresenta barreiras ou limitações.

SETOR DE BELEZA IMPULSIONA O EMPREENDEDORISMO FEMININO

Entre os segmentos em que a presença feminina é mais expressiva está o setor de serviços de beleza. Levantamento do Sebrae mostra que, em 2025, foram abertos 235.708 novos negócios ligados a atividades de cabeleireiros e tratamentos de beleza em todo o país.

O volume representa crescimento de quase 18% em comparação com 2024, quando foram registrados 199.876 empreendimentos nesse setor.

A expansão demonstra a capacidade de geração rápida de negócios e empregos em atividades que exigem investimento inicial relativamente menor e permitem atuação individual ou em pequenas equipes.

A grande maioria dessas empresas nasce como pequeno negócio. Cerca de 94% são micro ou pequenas empresas. Desse total, 221.455 foram registrados como microempreendedores individuais (MEI), enquanto 12.455 correspondem a microempresas e 1.679 a empresas de pequeno porte.

O ritmo de abertura impressiona: em média, um novo salão de beleza foi aberto no Brasil a cada 2 minutos e 13 segundos ao longo do último ano.

Entre os microempreendedores individuais do setor, o cenário também é de expectativa positiva. Cerca de 57% afirmam acreditar que 2026 será melhor para os negócios do que o ano anterior.

EXPANSÃO DOS PEQUENOS NEGÓCIOS NO PAÍS

O crescimento do empreendedorismo feminino acompanha uma tendência mais ampla de expansão dos pequenos negócios no Brasil.

Dados da Receita Federal mostram que, em 2025, foram abertas 4,9 milhões de pequenas empresas no país. O número representa aumento em relação a 2024, quando foram registrados 4,1 milhões de novos negócios, e também em comparação com 2023, que teve 3,7 milhões de aberturas.

Considerando empresas de todos os portes, o Brasil registrou 5,1 milhões de novos empreendimentos em 2025, reforçando a importância do empreendedorismo para a dinâmica econômica nacional.

Pequenos negócios têm papel relevante na geração de empregos, circulação de renda e desenvolvimento local, especialmente em cidades de médio e pequeno porte.

Nesse contexto, a presença crescente de mulheres no universo empresarial amplia a diversidade e contribui para o fortalecimento do setor.

SANTA CATARINA MANTÉM AMBIENTE FAVORÁVEL AO EMPREENDEDORISMO

Para o presidente do Sebrae, o desempenho de Santa Catarina nesse cenário está relacionado à tradição empreendedora do estado e ao dinamismo da economia regional.

A presença de polos industriais, redes de serviços e forte atuação de pequenos negócios cria um ambiente propício para o surgimento de novas empresas, inclusive lideradas por mulheres.

“Santa Catarina tem uma tradição de iniciativa e inovação. Quando as mulheres ocupam esse espaço, o resultado é um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico e social”, afirma Décio Lima. “Investir no empreendedorismo feminino é investir em um país mais justo, mais produtivo e com mais oportunidades.”

Com números em crescimento e presença cada vez mais ampla em diferentes setores da economia, o empreendedorismo feminino segue ampliando sua influência no país. O movimento, que muitas vezes começa em pequenos negócios familiares, ganha escala e contribui para transformar a realidade econômica e social de comunidades em diversas regiões do Brasil.

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