A capital catarinense tem o Fundo Municipal de Cinema (Funcine), criado em 1989, o primeiro do gênero no Brasil. É sede do curso de graduação em Cinema da UFSC. Reúne centenas de produtoras de diferentes portes, do cinema artesanal a empresas consolidadas. E dispõe de locações diversas, quatro estações definidas e infraestrutura urbana qualificada.
A criação de uma empresa pública, a FloripaCine, organiza e amplia essa base, conectando fomento, execução, difusão e atração de produções. A proposta parte da Prefeitura de Florianópolis.
Florianópolis e região concentram locações de alta qualidade: dunas, fortificações, centro histórico, bairros com identidade própria. A operação dessas locações exige licenças ágeis, protocolos integrados e um ponto único de interlocução com o poder público. A FloripaCine estrutura esses elementos e reduz tempo, custo e incerteza para produções.
Em visita à cidade, Nelson Pereira dos Santos afirmou que Santa Catarina reúne condições para se tornar um polo de cinema sul-americano. O próprio cineasta filmou em Garopaba e Florianópolis para recriar o Rio de Janeiro dos anos 1950 em filmes sobre Tom Jobim.
Está sendo lançado o filme Barba Ensopada de Sangue, dirigido por Aly Muritiba, com roteiro a partir do livro de Daniel Galera. A história se passa em Garopaba, mas foi filmada no litoral de São Paulo. A decisão reflete critérios objetivos: infraestrutura, logística e protocolos de produção. O resultado é direto: uma narrativa situada no litoral catarinense realizada fora do território.
Garopaba reúne condições para estruturar uma Film Commission municipal. Florianópolis e Balneário Camboriú já contam com estruturas voltadas à recepção de produções.
A criação da FloripaCine é estratégica, com capacidade de articular recursos públicos e privados e fomentar tanto produções industriais quanto cinema autoral.
Entre as décadas de 1940 e 1960, Florianópolis contou com mais de vinte cinemas de rua, que formavam público e sustentavam a circulação de filmes. Nos anos 1970 e 1980, a cidade chegou a ter uma das maiores ofertas proporcionais de cinema no país. A política atual pode retomar esse eixo com salas públicas e programação contínua, distribuídas por bairros e distritos.
O Funcine atua como fundo deliberativo, com conselho e editais regulares, como o Prêmio Armando Carreirão. Sustenta a produção local e define diretrizes. Uma estrutura executiva amplia seu alcance com programas contínuos, gestão de redes de salas, articulação institucional e acompanhamento de projetos.
A experiência da SPCine, criada em 2015, organiza um modelo integrado: editais, rede de salas públicas, formação e uma Film Commission que centraliza licenças. O resultado é continuidade operacional e aumento da produção e da circulação, com difusão ampliada e atração de coproduções internacionais.
No Brasil, diferentes cidades operam film commissions com funções de centralização de licenças, promoção de locações e articulação com o setor produtivo. O audiovisual atua como vetor econômico, com impacto em serviços, turismo e formação profissional.
Nos Estados Unidos, a Georgia Film Commission consolidou um modelo baseado em incentivos e previsibilidade: créditos fiscais definidos, regras estáveis e separação entre promoção e fiscalização. A política atrai produções e consolida infraestrutura e mão de obra local.
Florianópolis pode aplicar esses princípios em escala local: incentivos proporcionais, contrapartidas de gasto no território, formação de equipes, visibilidade da cidade e governança clara. A FloripaCine articula esses instrumentos com o Funcine e com as secretarias de Cultura, Desenvolvimento Econômico, Turismo e Tecnologia.
A inteligência artificial já integra processos do audiovisual. Políticas públicas podem estabelecer critérios objetivos: transparência no uso de ferramentas, consentimento para uso de imagem e dados e reconhecimento de autoria e trabalho.
Aqui temos um festival de cinema que há vários já discute amplamente o uso de I.A., o Sci-Fi Floripa, o maior do gênero na América Latina. Neste ano a quinta edição será em Setembro, na Sala de Cinema do CIC. Mas precisa-se de políticas públicas, já que eventos de grande alcance como Sci-Fi Floripa nunca tiveram apoio da Prefeitura de Florianópolis.
A integração com políticas públicas permite testar critérios de editais, realizar formação e consolidar diretrizes para uso de tecnologia no setor.
A FloripaCine executa políticas definidas pelo Funcine: programas contínuos, redes de salas, circulação de obras, formação e atração de produções. O modelo separa deliberação e execução.
A Film Commission de Florianópolis organiza o atendimento a produções com sistema de licenças, catálogo de locações, cadastro de profissionais e articulação com órgãos públicos. A padronização de processos reduz prazos e custos.
Salas públicas e de rua integram a política de difusão, com programação acessível, parcerias com festivais e ações educativas. O objetivo é ampliar o acesso e formar público.
Garopaba pode estruturar uma Film Commission local conectada a uma rede regional, com mapeamento de locações, protocolos ambientais e articulação com o turismo.
A articulação entre Funcine, FloripaCine e film commissions locais organiza o setor: fomento, execução, difusão, formação e atração de produções. O resultado é aumento de filmagens, consolidação de equipes, circulação de obras e impacto econômico no território.
A política audiovisual comporta diversidade de formatos e linguagens: cinema de gênero, produções autorais, séries, obras populares e experimentais. Trata-se de uma indústria limpa, com retorno econômico, geração de renda e trabalho em rede.
–

No creo en brujas, pero que las hay, las hay
Grande Florianópolis alcança um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil
Santa Catarina ultrapassa 10 mil multas por porte e uso de drogas em locais públicos desde 2024
Detran-SC orienta motoristas a buscar CNHs antes da destruição