Projeto da UFSC conecta produtores orgânicos a consumidores na Grande Florianópolis

A venda direta de produtores orgânicos para consumidores tem ganhado força na Grande Florianópolis com a expansão das Células de Consumidores Responsáveis (CCR), projeto ligado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A iniciativa conecta agricultores familiares a moradores da região por meio da entrega semanal de cestas agroecológicas, sem intermediação.

Criado em 2017, o modelo busca fortalecer a renda no campo e facilitar o acesso a alimentos sem agrotóxicos nas cidades. Atualmente, 14 pontos de distribuição funcionam em Florianópolis, Palhoça e São José, atendendo cerca de 350 famílias consumidoras e envolvendo aproximadamente 85 famílias agricultoras.

PRODUTORES ORGÂNICOS GANHAM PREVISIBILIDADE DE RENDA

O funcionamento do projeto é baseado em cestas fechadas com pagamento mensal antecipado, o que garante previsibilidade para os agricultores e reduz perdas na produção. Os alimentos são fornecidos por cinco associações da agricultura familiar, responsáveis por cerca de cinco toneladas mensais de արտադրos agroecológicos.

As cestas são divididas em dois formatos: uma versão menor, com cerca de 4,5 quilos, e outra maior, com aproximadamente 7,5 quilos. Os itens variam conforme a sazonalidade e incluem verduras, legumes, frutas, raízes, temperos, chás e, no caso das maiores, grãos e farinhas.

Os preços atuais são de R$ 42 para a cesta pequena e R$ 70 para a grande, com possibilidade de aquisição adicional de outros produtos orgânicos e coloniais. As entregas ocorrem em locais e horários definidos previamente entre consumidores e agricultores.

VENDA DIRETA REDUZ DESPERDÍCIO E BARATEIA PREÇOS

A ausência de intermediários é apontada como um dos principais fatores para equilibrar custos e melhorar a remuneração no campo. O modelo também contribui para diminuir o desperdício, já que a produção é planejada com base na demanda já contratada.

Em relato publicado pelo projeto, o agricultor Guilhermino Bilk destaca os impactos da iniciativa: “Houve uma mudança grande nas vendas dos produtos, da produção orgânica, da nossa propriedade e da associação Apaoc. A partir daí, a gente prepara os produtos que a gente produz, da época em que a gente produz, e monta uma cesta. E o mais interessante é que o dinheiro já está na conta quando a gente começa a colher os frutos aqui”.

Glória Grah Bilk, também integrante da associação, reforça: “Não se perde mais nada da produção, e a gente fica mais feliz ainda porque a gente sabe o que planta e que manda de alimento saudável pras famílias que estão adquirindo”.

Outro agricultor, Rodrigo Francisco, afirma que o modelo ajuda a escoar safras específicas: “Por exemplo, se a gente está com uma safra de brócolis ou couve-flor, tendo a condição de colocar os alimentos que temos disponíveis, a célula ajuda a escoar esses alimentos. Porque a feira e a alimentação escolar nem sempre absorvem”.

EDUCAÇÃO ALIMENTAR E CONSUMO CONSCIENTE

Além da comercialização, o projeto também atua na formação de consumidores. A proposta inclui oficinas culinárias, visitas às propriedades e ações em escolas, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a origem dos alimentos e a sazonalidade da produção.

Segundo a coordenação do projeto, a ideia é estimular relações mais próximas entre quem produz e quem consome. “A gente desenvolveu o projeto porque a gente acredita que é possível construir outras formas de consumo. Um consumo mais responsável, mais consciente, não só o consumo pelo consumo”, afirma Dayana Lilian Rosa Miranda, coordenadora da iniciativa.

Para o agricultor Anderson Romão, a experiência contribui para o engajamento dos consumidores: “Muitos consumidores passam a ter essa noção a partir do momento em que passam a ter o contato com o agricultor, percebem a mudança dos alimentos dentro das cestas”.

MODELO RECONHECIDO E EM EXPANSÃO

A proposta das CCR já recebeu reconhecimento nacional. Em 2018, foi premiada pelo Ministério do Meio Ambiente pela contribuição no combate ao desperdício de alimentos. Em 2021, também foi destacada pelo Ministério da Saúde pela inovação no incentivo ao consumo de frutas, legumes e verduras.

O formato tem servido de referência para iniciativas semelhantes em outras regiões do Brasil e até no exterior.

COMO PARTICIPAR DAS CÉLULAS

Interessados podem se inscrever escolhendo a célula mais próxima, definindo o tamanho da cesta e a frequência de retirada. Após a aprovação pelo grupo de agricultores, o consumidor realiza o pagamento mensal e passa a retirar os alimentos no ponto combinado.

O projeto também divulga atualizações e informações sobre as atividades em suas redes sociais.

Com informações do Notícias da UFSC

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