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Após 23 dias de paralisação, os servidores públicos municipais de Florianópolis decidiram encerrar a greve que afetou principalmente os serviços de Saúde e Educação da Capital catarinense. A decisão foi tomada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) na noite desta sexta-feira (15).
O retorno das atividades está previsto para segunda-feira (18), mas o encerramento do movimento ocorreu longe de um clima de pacificação entre a categoria e a gestão do prefeito Topázio Neto.
Durante a greve, os trabalhadores apresentaram uma série de reivindicações relacionadas a salários, condições de trabalho e estrutura do serviço público municipal.
Entre os principais pontos defendidos pela categoria estavam o cumprimento da legislação federal para auxiliares de sala, a recomposição salarial de profissionais da Saúde, como técnicos de enfermagem, além da implementação do piso salarial para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE).
Os servidores também cobravam concurso público, chamamento de aprovados, redução das terceirizações, defesa da previdência pública e diminuição da jornada de trabalho sem redução salarial.
Ao longo do movimento, trabalhadores relataram ainda problemas estruturais em unidades de Saúde e Educação da Capital, incluindo falta de profissionais e dificuldades no atendimento à população.
PREFEITURA CONFIRMA RETORNO DOS SERVIÇOS
Em nota oficial, a Prefeitura de Florianópolis informou que o acordo para encerramento da greve foi definido durante audiência realizada nesta sexta-feira e deve ser homologado judicialmente na próxima segunda-feira.
A administração municipal afirmou que a prioridade agora será a retomada e normalização dos serviços públicos afetados pela paralisação.
A prefeitura também confirmou que permanecerão mantidas as demissões de mais de 200 trabalhadores contratados em caráter temporário, medida que se tornou um dos principais focos de tensão entre o Executivo e os servidores durante as negociações.
Além disso, o município destacou que já havia concedido a reposição integral dos salários e do vale-alimentação em 4,11% a partir de maio.
SINTRASEM ELEVA TOM CONTRA PREFEITO TOPÁZIO
Mesmo com o encerramento da greve, o posicionamento divulgado pelo Sintrasem após a assembleia mostrou que o clima entre a categoria e a prefeitura continua marcado por forte desgaste político.
Na nota publicada nas redes sociais, o sindicato classificou a paralisação como uma das mobilizações mais difíceis da história recente de Florianópolis e afirmou que os trabalhadores enfrentaram ataques do Executivo, Legislativo e Judiciário ao longo dos 23 dias de greve.
A entidade acusou o prefeito Topázio de governar para interesses de poucos e criticou os investimentos realizados pela prefeitura em eventos e shows internacionais enquanto, segundo o sindicato, faltariam recursos para áreas essenciais do serviço público.
Outro ponto destacado pelo sindicato foi a reversão dos descontos salariais aplicados aos servidores que aderiram à greve. Segundo o Sintrasem, as negociações também resultaram na extinção das sindicâncias abertas contra trabalhadores durante a paralisação.
Apesar do fim do movimento, a entidade reforçou que não concorda com as demissões promovidas pela prefeitura e informou que a assembleia votou contra as exonerações dos servidores temporários.
“A assembleia votou contra as demissões. Não há acordo da categoria com esse ataque cruel.”
O sindicato também sinalizou que pretende manter mobilização permanente da categoria e apoio aos trabalhadores afetados pelas demissões.
“Encerramos hoje nossa greve com a certeza de que a batalha terminou, mas a guerra não.”
FIM DA GREVE NÃO ENCERRA CRISE ENTRE PREFEITURA E SERVIDORES
Embora a paralisação tenha sido oficialmente encerrada, o desfecho da greve não colocou fim ao conflito entre servidores e prefeitura.
A manutenção das demissões pela gestão municipal deve continuar sendo alvo de questionamentos por parte do sindicato e de categorias do funcionalismo público.
O posicionamento adotado pela administração do prefeito Topázio durante as negociações também ampliou críticas entre servidores, que acusam o Executivo de endurecer o confronto em vez de buscar maior diálogo ao longo da crise.
Com o retorno das atividades previsto para segunda-feira, a expectativa é de retomada gradual dos atendimentos nas unidades municipais de Saúde e Educação. Ainda assim, o cenário político e sindical em Florianópolis segue tensionado, com novas disputas entre prefeitura e servidores já sendo projetadas para os próximos meses.

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