O Frescal de São Joaquim passou a integrar oficialmente a lista de produtos com Indicação Geográfica (IG) reconhecida no Brasil. O registro foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na modalidade Indicação de Procedência (IP) e publicado nesta terça-feira, 19.
Com o reconhecimento, Santa Catarina chega a 11 Indicações Geográficas registradas, reforçando a valorização de produtos ligados à tradição e à identidade regional. O Frescal de São Joaquim é uma carne salgada e dessecada típica da Serra Catarinense, conhecida pelo preparo artesanal e pela relação histórica com a pecuária local.
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FRESCAL DE SÃO JOAQUIM TEM ORIGEM LIGADA AO TROPEIRISMO
A documentação apresentada ao INPI aponta que a tradição do Frescal está associada ao desenvolvimento da pecuária no Planalto Catarinense desde o século 18. Na época, tropeiros que transportavam gado do Rio Grande do Sul até Sorocaba, em São Paulo, utilizavam a região serrana como ponto de descanso e engorda dos animais.
Foi nesse contexto que surgiu o costume de salgar a carne para aumentar sua conservação durante as viagens longas. Com o passar das décadas, a técnica foi adaptada pelas famílias da região, consolidando um método próprio de preparo.
Segundo registros históricos citados no processo, o nome “Frescal” teria surgido há cerca de 50 anos, depois que um jornalista paulista experimentou a carne em uma churrascaria de São Joaquim e comentou que o produto não era charque nem carne fresca, mas sim um “frescal”. A expressão acabou se popularizando nacionalmente.
PROCESSO ARTESANAL E CLIMA DA SERRA SÃO DIFERENCIAIS
A notoriedade do produto também está ligada às condições naturais da Serra Catarinense. O gado utilizado na produção é criado solto e alimentado em pastagens nativas de altitude, em um ambiente marcado pelas baixas temperaturas.
Essas características influenciam diretamente na textura e no sabor da carne. O preparo mantém técnicas artesanais, com salga e cura realizadas ao ar livre ou em ambientes controlados, sem exposição direta ao sol.
Diferentemente do charque e da carne de sol, o Frescal passa por um período de maturação mais curto, de até 48 horas. O método preserva a maciez, a coloração rosada e a suculência do produto.
RECONHECIMENTO AMPLIA VALOR DA PRODUÇÃO CATARINENSE
O processo de reconhecimento contou com apoio do Sebrae/SC, Coopernovilhos, Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e Sindicato de São Joaquim. A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) foi responsável pela emissão do documento oficial de delimitação da área geográfica encaminhado ao INPI.
Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o reconhecimento fortalece o desenvolvimento regional e abre novas oportunidades para os produtores.
“A Indicação Geográfica valoriza a história, a cultura e o modo de produção das regiões catarinenses. A Indicação Geográfica agrega valor aos produtos, abre novos mercados e gera mais renda e oportunidades para os produtores e para toda a cadeia produtiva”, destaca.
O Frescal também acumula outros reconhecimentos oficiais. O produto foi o primeiro item cárneo de Santa Catarina a receber o Selo Arte, concedido pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). Além disso, o município de São Joaquim oficializou o Churrasco de Frescal como prato típico local, enquanto o produto também foi declarado patrimônio cultural catarinense.
SANTA CATARINA CHEGA A 11 INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS
Com o novo registro, o Brasil soma atualmente 172 Indicações Geográficas reconhecidas, sendo 43 Denominações de Origem (DO) e 129 Indicações de Procedência (IP).
As 11 Indicações Geográficas de Santa Catarina são:
- Uva Goethe
- Banana de Corupá
- Queijo Artesanal Serrano
- Vinhos de Altitude
- Mel de Melato da Bracatinga
- Maçã Fuji de São Joaquim
- Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense
- Linguiça Blumenau
- Cachaça e Aguardente de Luiz Alves
- Banana de Luiz Alves
- Frescal de São Joaquim
O estado também conta com o Fórum Catarinense de Indicações Geográficas, iniciativa que reúne entidades públicas, universidades e associações de produtores para fortalecer as IGs e as marcas coletivas catarinenses.

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