Trabalhar 6 dias por semana em 2025 ainda faz sentido? – Artigo por Paulo Eccel

Sabe aquele papo de “isso vai destruir a economia”? Ele aparece toda vez que algum direito trabalhista entra em pauta. Foi assim com o 13º, com as férias, com a limitação de horas por dia. A previsão do apocalipse nunca se confirmou, e não vai ser diferente agora com a escala 6×1.

O modelo impõe uma rotina simples e pesada: seis dias de trabalho, um dia pra todo o resto. Família, saúde, estudo, descanso de verdade, tudo espremido em 24 horas. Os sinais de esgotamento já aparecem em todo lugar: afastamentos por saúde mental em alta, rotatividade elevada, queda de rendimento. Não é coincidência, é consequência direta de um modelo que chegou ao limite.

E engana-se quem acha que trabalhar mais horas significa produzir mais. Profissional descansado erra menos, foca melhor e ainda tem tempo pra se qualificar, o que num cenário de transformação digital acelerada faz toda a diferença para empresas e trabalhadores.

Do lado econômico, a história mostra que esse tipo de mudança é absorvível. Empresas que reorganizam processos ganham em eficiência, reduzem afastamentos e diminuem a rotatividade. Redistribuir melhor as horas trabalhadas pode até abrir espaço para novas contratações e mais emprego formal. Ter vida além do trabalho não deveria ser privilégio de poucos. Toda grande conquista trabalhista foi chamada de “risco” antes de virar o novo normal. Com o fim da 6×1 não vai ser diferente.


Paulo Eccel é advogado e professor universitário. Foi prefeito de Brusque por dois mandatos e deputado estadual. Atuou como superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego em Santa Catarina entre 2023 e 2026.

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