A proposta do governo dos Estados Unidos de ampliar barreiras comerciais contra produtos brasileiros acende um sinal de alerta para Santa Catarina e para toda a indústria nacional. Nosso estado é um dos mais industrializados do país. Somos referência em máquinas e equipamentos, motores elétricos, metalmecânica, cerâmica, móveis e pescados. Justamente os setores que permanecem mais expostos às novas tarifas anunciadas pelos norte-americanos.
Em cidades como Joinville, Jaraguá do Sul, Criciúma, Tubarão e São Bento do Sul, milhares de empregos dependem diretamente da capacidade das empresas catarinenses competirem nos mercados internacionais. Quando um país decide elevar tarifas e criar obstáculos comerciais, quem sente os efeitos não são apenas os empresários. São os trabalhadores, as famílias e a economia local.
O Brasil sempre defendeu relações comerciais baseadas no diálogo, no respeito mútuo e na livre concorrência. Por isso causa estranheza que, além de atingir setores estratégicos da indústria brasileira, a ofensiva norte-americana também tenha colocado o PIX no centro de questionamentos comerciais. Um sistema público, eficiente e reconhecido internacionalmente por reduzir custos para consumidores e empresas passou a ser tratado como problema por interesses econômicos externos.
A defesa da produção nacional não é uma pauta ideológica. É uma pauta de soberania. Nenhum país desenvolvido abriu mão de proteger seus interesses estratégicos. Os Estados Unidos fazem isso. A Europa faz isso. A China faz isso. O Brasil também tem o direito de defender seus trabalhadores, suas empresas e sua capacidade de inovar.
Outro fato chama atenção. A escalada das pressões comerciais ocorre poucos dias depois da visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente Donald Trump na Casa Branca. O encontro aconteceu e foi amplamente registrado pelos próprios participantes. A quem interessa uma política que enfraquece a indústria brasileira, ameaça exportações e coloca em risco empregos nacionais?
Santa Catarina conhece o valor da indústria. Conhece o valor do trabalho. Conhece o esforço necessário para conquistar mercados internacionais. Nossos empresários e trabalhadores não precisam de barreiras artificiais nem de disputas políticas importadas. Precisam de estabilidade, competitividade e respeito.
Quando atacam o PIX, nossos produtos, nossa tecnologia e nossos instrumentos de desenvolvimento, não estão atingindo apenas governos. Estão atingindo o país. E a defesa do Brasil deve estar acima de qualquer interesse partidário ou eleitoral.

No creo en brujas, pero que las hay, las hay
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