O Sebrae e o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG) desenvolvem um protocolo nacional para facilitar a presença de pequenos negócios no comércio digital baseado em inteligência artificial. Apresentada em São Paulo durante o Fórum E-commerce Brasil 2026, a iniciativa pretende criar um padrão aberto para que produtos e serviços sejam identificados por diferentes plataformas, marketplaces e agentes de IA.
Chamado Brazilian Commerce Protocol (BCP), o projeto busca responder a uma mudança no comportamento dos consumidores, que passam a recorrer cada vez mais à inteligência artificial para pesquisar e escolher o que comprar. A expectativa é que a infraestrutura esteja em operação até o fim de 2026, inicialmente com testes em cidades e segmentos específicos, começando pelo setor de vestuário.
PEQUENOS NEGÓCIOS PODERÃO ORGANIZAR CATÁLOGOS COM IA
A proposta prevê que empreendedores consigam criar e atualizar catálogos digitais por meio de conversas com agentes de inteligência artificial em aplicativos já conhecidos, como WhatsApp e Telegram.
O empresário poderá enviar imagens dos produtos e responder a perguntas simples. A tecnologia ficará responsável por estruturar os dados e organizar as informações necessárias para que os itens possam ser disponibilizados em diferentes canais digitais.
Com isso, a iniciativa pretende reduzir a necessidade de cadastros repetidos em plataformas e diminuir a dependência de conhecimentos técnicos para manter produtos e serviços disponíveis no ambiente digital.
“A iniciativa também diminui barreiras tecnológicas para os empreendedores, que não precisarão dominar soluções complexas para tornar seus negócios visíveis em ambientes digitais impulsionados por IA”, explica o analista de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, William Almeida.
PROTOCOLO BUSCA PADRONIZAR O COMÉRCIO DIGITAL
O BCP está sendo desenvolvido como uma infraestrutura nacional aberta, neutra e integrada. A intenção é estabelecer um padrão para organizar informações de empresas, produtos e serviços de forma que diferentes sistemas possam utilizá-las.
A estrutura poderá ser integrada por marketplaces, varejistas, empresas de logística, plataformas de pagamento e agentes de inteligência artificial.
O Sebrae participa do desenvolvimento levando ao projeto demandas relacionadas à realidade das micro e pequenas empresas. Já o CEIA/UFG atua na pesquisa e na construção tecnológica da solução.
A iniciativa também integra o ecossistema AI Brasil, responsável por aproximar o projeto do mercado, de empresas e de especialistas e contribuir para a disseminação da tecnologia.
BCP TERÁ COMPATIBILIDADE COM PADRÃO INTERNACIONAL
Segundo Anderson Soares, fundador do CEIA-UFG e atual vice-presidente do IA Brasil, o protocolo foi concebido para ser compatível com o Universal Commerce Protocol (UCP), anunciado em janeiro de 2026 por um consórcio liderado por Google e Shopify, com participação de grandes varejistas e redes globais de pagamento.
“O protocolo brasileiro garante interoperabilidade global, mas incorpora as adaptações necessárias à realidade do país e às necessidades dos pequenos negócios, assegurando que o Brasil não apenas acompanhe esse movimento, mas participe dele com uma solução própria, aberta e neutra”, ressalta Soares.
A compatibilidade busca permitir que empresas brasileiras participem de uma transformação do comércio digital que ultrapassa as fronteiras nacionais, sem depender exclusivamente de padrões desenvolvidos no exterior.
PLATAFORMAS TAMBÉM PODEM TER GANHOS COM A INTEGRAÇÃO
Além de facilitar a entrada de pequenos empreendedores em canais digitais, o protocolo poderá alterar a forma como plataformas de comércio eletrônico integram dados de diferentes empresas.
Segundo William Almeida, a adoção de um padrão comum pode diminuir custos de integração e favorecer o surgimento de novas soluções baseadas em inteligência artificial.
“O protocolo também pode reduzir custos de integração, estimular novos modelos de negócio e criar um ambiente mais aberto para o desenvolvimento de soluções com inteligência artificial”, pontua Almeida.
A expectativa é que a ampliação da rede de empresas e plataformas conectadas aumente também as possibilidades de transações comerciais dentro desse ecossistema.
TESTES DEVEM COMEÇAR PELO SETOR DE VESTUÁRIO
A primeira versão da infraestrutura do Brazilian Commerce Protocol foi apresentada durante o Fórum E-commerce Brasil 2026, realizado em São Paulo (SP).
A previsão é que o protocolo comece a operar até o fim deste ano, inicialmente por meio de projetos-piloto direcionados a cidades e setores determinados.
O segmento de vestuário deve ser o primeiro a receber os testes. A partir dos resultados dessa etapa, a tecnologia poderá ser ampliada para outras áreas do comércio.
“Por ser uma iniciativa sem fins lucrativos, o BCP busca democratizar o acesso à tecnologia e organizar o comércio informal que já ocorre em canais de mensagem, mas de forma desestruturada”, finaliza Soares.
A evolução dos pilotos deverá indicar como o padrão poderá ser incorporado por empresas e plataformas em maior escala. Se a infraestrutura avançar conforme o planejado, pequenos negócios poderão ganhar uma nova forma de disponibilizar seus produtos em ambientes de comércio mediados por inteligência artificial.
Com informações de Portal SEBRAE


