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Curta produzido em Florianópolis leva história do Conjunto Habitacional do Monte Cristo às telas

O curta-metragem “Três dias”, dirigido por Djuly Gava e Bruna Granucci, estreia em Florianópolis nesta quinta-feira (21), com uma sessão voltada à equipe e aos moradores do Conjunto Habitacional Panorama, no bairro Monte Cristo. A exibição ocorre às 19h, no Salão de Festas do condomínio, e apresenta quatro mulheres com mais de 50 anos como protagonistas de uma produção que mistura documentário e ficção.

A estreia encerra uma trilogia de filmes realizada no Panorama e coloca no centro da narrativa histórias de moradoras que vivem no conjunto há décadas. O projeto transforma lembranças, situações cotidianas e experiências pessoais em cenas ficcionais, aproximando a vida real da representação cinematográfica.

“TRÊS DIAS” LEVA HISTÓRIAS DO PANORAMA AO CINEMA

O filme acompanha Dona Landa, Claudete, Leoni e Cida, todas moradoras antigas do Conjunto Habitacional Panorama. A produção foi construída a partir de entrevistas e de situações vividas pelas participantes, que também ajudaram a desenvolver as cenas.

A proposta das diretoras foi partir do cotidiano para criar situações imaginadas junto às protagonistas. Dessa combinação surgiu um roteiro coletivo, que alterna acontecimentos reais e momentos de ficção.

As filmagens acompanharam atividades comuns das quatro mulheres, como preparar refeições, passear com o cachorro e ir à manicure. Ao mesmo tempo, essas rotinas serviram de ponto de partida para cenas ficcionais.

QUATRO MORADORAS ESTÃO NO CENTRO DA NARRATIVA

Dona Landa, interpretada por Eliza Landa Ozório Melezes, vive no Panorama desde 1989. Com experiência em um grupo de teatro de idosos, ela criou o personagem Genário e também participou da elaboração do figurino.

Claudete Regina da Silva, aposentada após trabalhar como telefonista em um hospital, leva para o filme lembranças de sua antiga profissão. Na narrativa, ela decide telefonar para outras mulheres chamadas Claudete com a intenção de conhecê-las.

Leoni Artmann, de 62 anos e cega, participa de cenas construídas a partir de sua percepção dos sons do condomínio. A produção cria situações em que ruídos fictícios parecem atravessar paredes e surgir de diferentes objetos dentro de seu apartamento.

Maria Aparecida Fernandes, conhecida como Cida, já havia participado do primeiro filme da trilogia. Ela forneceu fotografias para a produção e relembrou o período em que chegou ao Panorama, quando ainda não havia energia elétrica ligada no conjunto.

CONJUNTO HABITACIONAL PANORAMA É PARTE CENTRAL DA TRILOGIA

Construído na década de 1980 no bairro Monte Cristo, às margens da Via Expressa, o Panorama reúne 41 blocos e cerca de 800 apartamentos. Dados de 2025 indicam mais de 2 mil moradores no local.

A dimensão do conjunto e as histórias de quem vive ali deram origem à trilogia cinematográfica. O primeiro filme foi “Panorama”, lançado em 2023, com 17 minutos, a partir de memórias, fotografias e vídeos produzidos pelos próprios moradores.

O segundo, “Heyari”, chegou em 2025. Dirigido por Daniel Leão, o curta de ficção imagina a vida no condomínio depois de um colapso climático.

Agora, “Três dias”, com 20 minutos, conclui o projeto ao voltar para o cotidiano de quatro moradoras e explorar os limites entre aquilo que foi vivido e aquilo que é recriado diante das câmeras.

DIRETORAS RETOMAM RELAÇÃO COM O LOCAL

A produção também representa uma retomada da relação de Djuly Gava com o Panorama. A diretora viveu no condomínio dos 7 aos 21 anos e indicou, junto com a síndica Luciana Gava, sua mãe, as quatro participantes do filme.

Antes e durante as gravações, as mulheres passaram por preparação de elenco com o ator Valdir Grillo. O processo buscou integrar as experiências pessoais das participantes à construção das cenas.

Para Djuly, a realização do filme no local onde passou parte da vida encerra um ciclo. “Esse lugar faz parte da minha história e agora se fecha um ciclo com essas mulheres mais experientes. O filme busca mostrar que as histórias delas também importam, têm valor”.

Bruna Granucci destaca a mistura entre cotidiano e imaginação proposta pela produção. “a proposta é de um filme singelo, mas que olha para cada uma com carinho e bagunça a noção da vida real, da rotina. Foi bonito construir com elas essa brincadeira e esse entendimento”, conta.

ESTREIA REÚNE EQUIPE E MORADORES EM FLORIANÓPOLIS

A primeira exibição de “Três dias” será realizada no próprio Conjunto Habitacional Panorama, em uma sessão destinada à equipe do filme e aos moradores do condomínio.

A escolha do local reforça a relação da obra com a comunidade que aparece na tela e fecha a trilogia justamente no espaço que serviu de cenário e fonte para os três filmes.

O curta recebeu financiamento público por meio do 10º Edital de Apoio ao Audiovisual Armando Carreirão 2021/2022, com participação da Fundação Franklin Cascaes, do Funcine e da Prefeitura Municipal de Florianópolis. A produção é da Punktu.

Com a conclusão de “Três dias”, o projeto cinematográfico amplia o registro audiovisual da memória do Panorama e deixa como resultado três diferentes formas de observar o mesmo território: pelas lembranças dos moradores, pela ficção e pela mistura entre experiências vividas e cenas recriadas.