Sábado, 5 Setembro , 2026
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Tabagismo volta a crescer em Santa Catarina e cigarro eletrônico preocupa especialistas

por Duda Amaral
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Santa Catarina voltou a registrar aumento na prevalência do tabagismo, contrariando a tendência de queda observada no Brasil nas últimas décadas. Enquanto a média nacional de adultos que fumam cigarros convencionais está entre 9% e 10%, o índice catarinense chega a aproximadamente 13%.

O cenário ganha um agravante com a popularização dos cigarros eletrônicos, especialmente entre adolescentes e jovens. O alerta foi reforçado durante as ações relacionadas ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto.

Para a pneumologista e coordenadora do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo, Dra. Leila John Marques Steidle, o avanço dos dispositivos eletrônicos pode estar relacionado à retomada do consumo de cigarros tradicionais.

A gente acredita que esse aumento da prevalência do cigarro que queima tenha como uma das portas de entrada o eletrônico, principalmente nos últimos três ou quatro anos.

Segundo a especialista, embora o Brasil tenha conseguido reduzir expressivamente o número de fumantes por meio de políticas públicas, campanhas de conscientização e medidas de controle, Santa Catarina ainda apresenta uma situação acima da média nacional.

CIGARRO ELETRÔNICO GANHA ESPAÇO ENTRE OS JOVENS

A expansão dos dispositivos eletrônicos para fumar é uma das principais preocupações dos profissionais de saúde. A experimentação desses produtos tem aumentado entre as novas gerações, enquanto pesquisas indicam que quem utiliza cigarros eletrônicos apresenta maior probabilidade de posteriormente consumir cigarros convencionais ou combinar os dois produtos.

A preocupação também está relacionada à própria forma de consumo da nicotina. A substância possui elevado potencial de dependência e, segundo a pneumologista, algumas das novas formulações podem diminuir a irritação imediata provocada nas vias respiratórias.

Isso pode fazer com que o usuário consuma quantidades maiores de nicotina sem perceber de maneira tão evidente os efeitos provocados pelo produto.

“No cigarro convencional, sintomas como tosse e pigarro costumavam acompanhar o início do consumo. Com os eletrônicos, essa percepção pode ser diferente, facilitando uma exposição elevada à nicotina”, afirma.

Para a especialista, portanto, a ideia de que experimentar um dispositivo eletrônico seria uma prática de menor risco não encontra respaldo na preocupação médica com a dependência e os efeitos sobre o organismo.

DEPENDÊNCIA DE NICOTINA É CONSIDERADA UMA DOENÇA

A relação com a nicotina não deve ser interpretada apenas como um hábito difícil de abandonar ou como uma questão de força de vontade. A dependência é considerada uma doença e pode exigir acompanhamento profissional.

Com a diversificação das formas de consumo, especialistas também passaram a utilizar com mais frequência o conceito de “nicotinismo”. A expressão ajuda a representar um cenário em que a nicotina pode ser consumida por diferentes dispositivos e produtos, e não somente pelo cigarro convencional.

Esse novo padrão de consumo aumenta o desafio para prevenção e tratamento, principalmente quando envolve pessoas que começaram a utilizar nicotina ainda na adolescência.

EFEITOS PODEM ATINGIR PULMÕES, CORAÇÃO E CIRCULAÇÃO

Os impactos do tabagismo não ficam restritos ao sistema respiratório. Entre os primeiros problemas que podem aparecer estão tosse frequente, aumento da produção de muco e ocorrência repetida de infecções respiratórias.

A exposição às substâncias presentes nos cigarros eletrônicos também pode prejudicar os mecanismos de defesa das vias aéreas.

“A exposição às substâncias presentes nos cigarros eletrônicos prejudica os mecanismos naturais de defesa das vias aéreas. Pessoas que possuem asma podem apresentar piora da doença, e mesmo quem não é asmático pode ter maior risco de desenvolver problemas respiratórios”, avalia Leila

A nicotina também exerce efeitos sobre os vasos sanguíneos. O consumo está associado ao aumento da pressão arterial e a alterações na circulação, além de contribuir para o risco de problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Em casos mais graves de doença arterial, as consequências podem ser severas e chegar até mesmo à necessidade de amputação.

DPOC E CÂNCER DE PULMÃO ESTÃO ENTRE OS PRINCIPAIS RISCOS

Entre as doenças mais associadas ao consumo de cigarros está a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que inclui o enfisema pulmonar.

A evolução da doença pode provocar falta de ar intensa e comprometer significativamente a rotina do paciente. Nos casos mais avançados, pode haver necessidade de oxigênio suplementar, medicamentos inalatórios e internações recorrentes provocadas por infecções respiratórias, incluindo pneumonia.

O câncer de pulmão também permanece entre as maiores preocupações relacionadas ao tabagismo. O tema ganha destaque durante o Agosto Branco, campanha voltada à conscientização sobre a doença e à importância do diagnóstico precoce.

De acordo com a pneumologista, uma dificuldade frequente é a chegada dos pacientes aos serviços de saúde quando o câncer já está em estágio avançado. Nessa situação, as possibilidades terapêuticas podem ser menores.

Para pessoas que apresentam maior risco, existem estratégias de rastreamento capazes de identificar alterações em fases mais iniciais. Entre elas está a tomografia computadorizada de baixa dose de radiação.

FUMANTES QUEREM PARAR, MAS ACESSO AO TRATAMENTO AINDA É DESIGUAL

Apesar da dificuldade enfrentada por quem tenta abandonar a nicotina, existe uma parcela significativa de fumantes interessada em interromper o consumo.

A própria experiência da Dra. Leila John Marques Steidle em um projeto de extensão demonstra essa demanda. Em uma das chamadas realizadas pela iniciativa, aproximadamente 100 pessoas se inscreveram interessadas em receber tratamento.

O desafio, porém, não está apenas na disposição do paciente. A disponibilidade de serviços especializados ainda varia entre as diferentes regiões, apesar dos compromissos assumidos pelo Brasil na prevenção e no tratamento do tabagismo.

O acompanhamento também precisa ir além da prescrição de medicamentos. O processo de abandono da nicotina envolve mudanças comportamentais e a construção de estratégias para enfrentar situações que podem estimular o retorno ao consumo.

PREVENÇÃO COMEÇA ANTES DO PRIMEIRO CONTATO COM A NICOTINA

Para crianças, adolescentes, jovens e qualquer pessoa que nunca tenha fumado, a principal recomendação dos especialistas é evitar a experimentação de produtos que contenham nicotina.

A prevenção ganha importância diante da variedade de dispositivos disponíveis e da possibilidade de que o contato inicial com cigarros eletrônicos evolua para outros padrões de consumo.

Já para quem desenvolveu dependência, procurar atendimento profissional é uma das principais medidas para aumentar as chances de interromper o uso.

Pessoas com histórico prolongado de tabagismo também devem conversar com profissionais de saúde sobre os riscos acumulados e a necessidade de acompanhamento. A avaliação individual pode indicar quais exames e estratégias são adequados para identificar precocemente possíveis doenças relacionadas ao consumo de tabaco.


Com informações de ALESC

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