terça-feira, 15 setembro , 2026
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Florianópolis entra no top 4 de capitais com aluguel mais caro do Brasil

por Duda Amaral
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Florianópolis

O custo para morar de aluguel em Florianópolis praticamente dobrou nos últimos cinco anos e passou a exigir ainda mais atenção de quem procura ou já ocupa um imóvel na capital catarinense. Segundo o Índice FipeZAP, o preço médio anunciado para locação residencial saiu de R$ 29,71 por metro quadrado, em dezembro de 2021, para R$ 60,84 em julho de 2026.

A alta acumulada chegou a 104,8%, enquanto o IPCA, índice oficial de inflação, avançou aproximadamente 25% no mesmo intervalo. Com isso, o aluguel residencial na cidade aumentou mais de quatro vezes acima da inflação.

O cenário colocou Florianópolis na quarta posição entre as capitais brasileiras com o metro quadrado mais caro para locação, atrás de São Paulo, Recife e Belém.

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Foto: Andy Puerari/PMF

Apesar da forte valorização acumulada, os dados mais recentes apontam para uma perda de ritmo. Nos 12 meses encerrados em julho de 2026, o avanço foi de 2,99%. O percentual é significativamente menor que o observado nos períodos anteriores, mas ocorre sobre um patamar de preços que já sofreu uma forte elevação.

Nesse contexto, saber exatamente o que pode ser cobrado do inquilino se torna ainda mais importante. Além do valor mensal do aluguel, despesas de condomínio, IPTU e garantias podem representar uma parcela significativa do orçamento.

REAJUSTE DO ALUGUEL TEM REGRAS

A valorização dos imóveis em Florianópolis não dá ao proprietário liberdade para alterar o aluguel a qualquer momento durante a vigência de um contrato.

De acordo com a advogada Priscila Coelho, a Lei do Inquilinato permite que proprietário e inquilino negociem livremente o valor da locação. No entanto, uma vez estabelecido o contrato, o reajuste precisa seguir as condições previstas no documento e não pode ocorrer em intervalo inferior a 12 meses.

Também existe a possibilidade de as partes chegarem a um novo acordo sobre o valor. Caso não haja consenso, depois de três anos de vigência do contrato ou do último ajuste, locador ou locatário pode recorrer à Justiça para solicitar a revisão do aluguel, buscando adequá-lo aos valores praticados pelo mercado.

A diferença é relevante em um momento no qual os preços anunciados na capital catarinense atingiram níveis recordes.

CONDOMÍNIO: O QUE CABE AO PROPRIETÁRIO E AO INQUILINO

As despesas condominiais estão entre os pontos que mais podem gerar dúvidas na relação entre proprietário e locatário.

De forma geral, as despesas extraordinárias são responsabilidade do proprietário. Nessa categoria entram gastos que não fazem parte da manutenção cotidiana do condomínio, como obras estruturais, pintura de fachada, instalação de equipamentos e constituição de fundo de reserva.

Já o inquilino deve arcar com as despesas ordinárias, relacionadas ao funcionamento e à conservação habitual do condomínio.

Outro direito importante é o acesso aos comprovantes. O locatário pode solicitar a documentação que demonstre as despesas ordinárias que estão sendo cobradas, e o proprietário deve apresentar os comprovantes quando solicitado.

IPTU PODE SER REPASSADO AO INQUILINO

O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) também exige atenção antes da assinatura do contrato.

A regra geral da Lei do Inquilinato atribui o pagamento do imposto ao proprietário. Entretanto, existe a possibilidade de o contrato estabelecer expressamente que a obrigação ficará com o inquilino.

Por isso, a análise do contrato antes da assinatura é fundamental. O que estiver previsto de forma clara no documento pode definir quem será responsável pelo pagamento durante a locação.

GARANTIAS TAMBÉM TÊM LIMITES

Outro cuidado envolve as garantias exigidas para fechar um contrato de aluguel.

A legislação prevê diferentes modalidades, entre elas caução, fiança e seguro-fiança. O proprietário, porém, não pode exigir mais de uma garantia ao mesmo tempo para o mesmo contrato.

No caso específico da caução em dinheiro, existe ainda um limite: o valor não pode ultrapassar o equivalente a três meses de aluguel.

Conhecer essa regra pode evitar que o futuro inquilino aceite condições que ultrapassem os limites estabelecidos pela legislação.

ALTA DOS ALUGUÉIS AUMENTA IMPACTO DAS COBRANÇAS

Com o metro quadrado para locação residencial em Florianópolis mais que dobrando desde 2021, despesas que antes poderiam parecer secundárias passaram a ter um peso maior no orçamento familiar.

“Quando o aluguel dobra em cinco anos, cada cobrança acessória pesa muito mais no orçamento. É justamente aí que o inquilino pode acabar aceitando uma despesa que não deveria pagar simplesmente por desconhecer seus direitos”, explica Priscila Coelho.

Para a advogada, compreender cada item previsto no contrato é uma medida que pode evitar gastos indevidos ao longo da locação.

“Distinguir uma despesa ordinária de uma extraordinária, exigir a comprovação do rateio ou identificar uma garantia cobrada de forma irregular pode representar uma diferença concreta no valor pago todos os meses”, afirma.

Em uma cidade que se consolidou entre os mercados de locação mais caros do Brasil, conhecer as regras da relação entre proprietário e inquilino deixa de ser apenas uma questão burocrática. Para quem paga aluguel, atenção ao contrato e informação sobre os próprios direitos podem fazer diferença significativa no orçamento.


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