Oito nomes disputam o Governo de SC nas eleições de 2026; veja quem são, suas trajetórias políticas, partidos, vices e principais propostas apresentadas à Justiça Eleitoral
Os candidatos a governador em Santa Catarina nas eleições de 2026 formam um grupo de oito concorrentes com trajetórias bastante diferentes. Jorginho Mello (PL), João Rodrigues (PSD), Gelson Merísio (PSB), Marcelo Brigadeiro (Missão), Ralf Zimmer (PRD), Professor Marcus Sodré (PSTU), Bruno Pedreiro do PCO (PCO) e Laís Chaud (UP) disputam o comando do Executivo estadual.
A lista consolidada pela Justiça Eleitoral encerrou um processo que começou meses antes da campanha oficial, quando as principais forças da política catarinense já articulavam alianças, candidaturas e vagas ao Senado.
Entre os concorrentes estão o atual governador, ex-prefeitos, ex-deputados, um ex-defensor público, professores, empresários e candidatos que nunca exerceram mandato eletivo.
As eleições 2026 também reorganizaram alianças entre os partidos políticos de Santa Catarina. Algumas candidaturas chegam às urnas sustentadas por coligações que reúnem diferentes siglas, enquanto outras optaram por chapas partidárias próprias.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
QUEM SÃO OS CANDIDATOS A GOVERNADOR EM SANTA CATARINA
JORGINHO MELLO (PL) — NÚMERO 22

Atual governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) chega à eleição de 2026 buscando permanecer por mais quatro anos no comando do Estado. Aos 70 anos, é o candidato com uma das trajetórias eleitorais mais longas entre os concorrentes.
Natural de Ibicaré, no Meio-Oeste catarinense, Jorginho é formado em Estudos Sociais, Administração e Direito. Antes de consolidar sua carreira política, trabalhou por décadas no Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).
Sua trajetória eleitoral começou no município de Herval d’Oeste, onde foi vereador. Depois, avançou para a política estadual e nacional. Foi deputado estadual por quatro mandatos, deputado federal e senador por Santa Catarina antes de chegar ao governo estadual.
Em 2022, venceu a eleição para governador no segundo turno. Quatro anos depois, disputa a reeleição tendo como candidato a vice Adriano Silva (Novo), ex-prefeito de Joinville.
A composição da chapa foi um dos movimentos que reorganizaram o cenário eleitoral catarinense ao longo de 2026. O nome de Adriano Silva foi definido ainda na fase de pré-campanha, aproximando o PL do Novo na disputa estadual.
A coligação de Jorginho, denominada Fé no Trabalho e Pé na Tábua, reúne PL, Novo e outros partidos aliados. O governador concorre com o número 22.
Como candidato à reeleição, Jorginho também disputa o pleito apresentando como referência as ações realizadas durante o mandato iniciado em janeiro de 2023. Seu programa registrado na Justiça Eleitoral projeta propostas para um eventual segundo mandato.
Segundo a declaração entregue à Justiça Eleitoral em 2026, Jorginho informou patrimônio de aproximadamente R$ 2,8 milhões.
JOÃO RODRIGUES (PSD) — NÚMERO 55

João Rodrigues (PSD) deixou a Prefeitura de Chapecó para disputar o Governo de Santa Catarina. Aos 59 anos, o empresário e comunicador construiu grande parte de sua carreira política no Oeste catarinense e chega à eleição depois de quatro passagens pelo comando do maior município da região.
Natural de São Valentim, no Rio Grande do Sul, Rodrigues iniciou sua trajetória eleitoral no Oeste de Santa Catarina. Foi prefeito de Pinhalzinho e posteriormente transferiu sua base política para Chapecó.
Em 2004, foi eleito prefeito de Chapecó e conseguiu a reeleição quatro anos depois. Também passou pela Assembleia Legislativa, pela Câmara dos Deputados e ocupou a Secretaria de Estado da Agricultura.
Rodrigues voltou à Prefeitura de Chapecó nas eleições de 2020. Em 2024, foi reeleito com 83,01% dos votos válidos, resultado que reforçou sua projeção estadual antes da construção da candidatura ao governo.
A decisão de concorrer ao Executivo catarinense exigiu que deixasse a prefeitura em 2026.
Durante a pré-campanha, o PSD buscou reunir partidos que haviam ficado fora da chapa construída pelo governador Jorginho Mello. As articulações resultaram na formação de uma aliança com MDB, PP e União Brasil.
O candidato a vice é Carlos Chiodini (MDB), ex-deputado federal e uma das principais lideranças estaduais do MDB.
A chapa de Rodrigues também conta com a participação de Esperidião Amin na disputa pelo Senado, consolidando uma composição que reúne lideranças tradicionais de diferentes regiões do Estado.
Registrada como Santa Catarina Acima de Tudo, a coligação reúne PSD, MDB e a União Progressista, formada por PP e União Brasil.
No plano de governo entregue à Justiça Eleitoral, Rodrigues apresenta propostas distribuídas por áreas como segurança pública, saúde, educação, desenvolvimento humano, agricultura, desenvolvimento econômico, infraestrutura e desenvolvimento regional.
O candidato declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 2,12 milhões.
GELSON MERÍSIO (PSB) — NÚMERO 40

Gelson Merísio (PSB) retorna a uma disputa pelo Governo de Santa Catarina depois de ter chegado ao segundo turno da eleição estadual de 2018.
Natural de Xaxim, no Oeste catarinense, Merísio tem 60 anos, é administrador e empresário. Sua trajetória política foi construída principalmente na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2006, foi reeleito outras duas vezes e chegou à presidência da Alesc. A passagem pelo Legislativo transformou Merísio em uma das lideranças estaduais do então PSD.
Em 2018, concorreu pela primeira vez ao Governo de Santa Catarina. Naquele momento, ainda pelo PSD, terminou o primeiro turno na liderança, com mais de 1,1 milhão de votos, e avançou para o segundo turno, no qual foi derrotado por Carlos Moisés.
O cenário político de Merísio mudou significativamente desde aquela eleição. Depois de deixar o PSD, aproximou-se do campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e participou dos bastidores da campanha petista ao governo catarinense em 2022.
Em 2026, tornou-se o candidato ao governo apoiado pela aliança estadual formada por partidos que integram a base de Lula e outras siglas de esquerda e centro-esquerda.
A candidata a vice é Angela Albino (PDT), ex-deputada federal e ex-vereadora de Florianópolis.
A coligação Coragem para Mudar reúne PSB, PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede. A chapa tem ainda Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) entre os candidatos ao Senado.
Essa configuração representa uma diferença importante em relação às eleições anteriores: em vez de lançar um candidato próprio ao governo, o PT integra uma composição encabeçada pelo PSB.
Merísio concorre com o número 40 e declarou patrimônio de aproximadamente R$ 653 mil à Justiça Eleitoral.
MARCELO BRIGADEIRO (MISSÃO) — NÚMERO 14
Marcelo Brigadeiro (Missão) representa uma candidatura com trajetória diferente das três chapas anteriores. Aos 44 anos, disputa pela primeira vez um cargo eletivo e concorre pelo recém-criado Partido Missão.
Seu nome completo é Marcelo Marcel Franco José da Silva. Natural do Rio de Janeiro, vive em Balneário Camboriú desde 2011 e construiu sua atuação profissional e pública principalmente nas áreas empresarial, esportiva e de comunicação digital.
Brigadeiro é formado em Medicina Veterinária e Educação Física, empresário, treinador e ex-lutador de artes marciais mistas (MMA). Nas redes sociais, ganhou visibilidade com conteúdos políticos e posicionamentos conservadores, além de críticas aos partidos tradicionais.
Apesar de nunca ter disputado uma eleição anteriormente, ele já teve passagem pela administração pública catarinense. Entre 2020 e 2022, durante o governo Carlos Moisés, dirigiu a Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte).
Também participou da organização do antigo PSL em Santa Catarina. A sigla ganhou projeção nacional na eleição de 2018, quando elegeu Jair Bolsonaro presidente e Carlos Moisés governador do Estado. Posteriormente, durante o processo que levou à fusão do PSL com o DEM e à criação do União Brasil, Brigadeiro afastou-se do partido.
Em 2026, entrou na disputa estadual pelo Missão, partido criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL).
Diferentemente das três principais coligações estaduais, o Missão decidiu disputar a eleição sem integrar uma aliança com outras legendas.
O candidato a vice é Coronel Marcelo Rodrigues, também do Missão. A legenda lançou ainda Túlio de Amorim ao Senado.
Entre os pontos apresentados em seu programa de governo estão propostas relacionadas à gestão por indicadores de desempenho, saneamento, segurança pública e reorganização administrativa.
Brigadeiro declarou à Justiça Eleitoral patrimônio próximo de R$ 1,8 milhão, incluindo investimentos, veículos e participações empresariais.
RALF ZIMMER (PRD) — NÚMERO 25
Ralf Zimmer (PRD) chega às urnas em 2026 para sua segunda disputa pelo Governo de Santa Catarina.
Natural de Chapecó, no Oeste do Estado, Zimmer tem 46 anos e é advogado e ex-defensor público.
Formado em Direito, possui pós-graduação em Gestão Pública Avançada pela Fundação Escola de Governo e em Direito Processual e Material Civil. Também cursa doutorado em Ciências Sociais e Econômicas no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa.
Zimmer tornou-se mais conhecido no cenário político catarinense durante a crise política que atingiu o governo Carlos Moisés. Ele foi um dos autores do pedido de impeachment relacionado ao processo que discutiu a equiparação salarial entre procuradores do Estado e procuradores da Assembleia Legislativa.
Antes disso, havia disputado uma cadeira de deputado federal nas eleições de 2018, sem ser eleito.
Em 2022, concorreu pela primeira vez ao Governo de Santa Catarina, então pelo PROS. O partido posteriormente foi incorporado ao Solidariedade.
Quatro anos depois, Zimmer voltou à corrida estadual pelo PRD, partido criado a partir da fusão entre Patriota e PTB.
Durante a pré-campanha, chegou a defender conversas com outras forças partidárias para ampliar sua candidatura. O desenho definitivo, no entanto, colocou PRD e Solidariedade no mesmo projeto eleitoral.
O candidato a vice é Carlos Bordin (Solidariedade).
Zimmer concorre com o número 25. Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, informou patrimônio de aproximadamente R$ 1,43 milhão, concentrado principalmente em um imóvel.
PROFESSOR MARCUS SODRÉ (PSTU) — NÚMERO 16
Professor Marcus Sodré (PSTU) representa o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado na disputa pelo Governo de Santa Catarina.
Aos 54 anos, Marcus Sodré é professor de História e trabalha nas redes públicas estadual e municipal de Balneário Camboriú.
Natural de Cubatão, em São Paulo, já possui experiência em campanhas eleitorais, embora esta seja a primeira vez que concorre ao comando do Executivo catarinense.
Sua primeira disputa ocorreu em 2004, quando foi candidato à Prefeitura de Itajaí. Posteriormente, concorreu a deputado estadual nas eleições de 2010 e 2014. Não foi eleito nessas três ocasiões.
Em 2026, o PSTU optou por uma candidatura própria ao governo, sem participar das coligações que concentram os partidos de esquerda e centro-esquerda em torno de Gelson Merísio.
A candidata a vice é Professora Taty, também do PSTU, formando uma chapa composta exclusivamente por integrantes do partido.
Sodré declarou à Justiça Eleitoral um apartamento financiado, no valor de R$ 117 mil.
A candidatura do PSTU apresenta um programa com enfoque socialista e propostas relacionadas aos trabalhadores, serviços públicos e mudanças na estrutura econômica do Estado.
BRUNO PEDREIRO DO PCO (PCO) — NÚMERO 29
Bruno Pedreiro do PCO disputa sua segunda eleição e, pela primeira vez, concorre ao Governo de Santa Catarina.
Seu nome completo é Brunno Andrade Dias. Tem 40 anos, nasceu em São Paulo e trabalha na construção civil.
Sua entrada na política partidária é recente. Segundo informações divulgadas sobre sua trajetória, a atuação política pelas redes sociais levou à aproximação com o Partido da Causa Operária, ao qual se filiou em 2023.
No ano seguinte, participou de sua primeira eleição. Em 2024, concorreu à Prefeitura de Florianópolis pelo PCO, utilizando então o nome eleitoral Brunno Dias. Não foi eleito.
Agora, concorre ao Governo de Santa Catarina com o número 29.
O PCO participa da disputa estadual sem coligação com outros partidos. O candidato a vice é Flávio Amaral, economista e também integrante da legenda.
O programa apresentado pela candidatura propõe mudanças estruturais na economia e na organização do Estado. Entre os pontos estão a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, estatizações de setores considerados estratégicos, medidas relacionadas à reforma agrária e ampliação dos serviços públicos de saúde e educação.
Bruno Pedreiro não declarou patrimônio à Justiça Eleitoral.
LAÍS CHAUD (UP) — NÚMERO 80
A mais jovem entre os oito candidatos a governador em Santa Catarina, Laís Paganelli Chaud (UP) tem 31 anos e participa de sua primeira eleição.
Natural de Piracicaba, no interior de São Paulo, mudou-se para Florianópolis para estudar Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Posteriormente, também cursou mestrado na área pela universidade.
Atualmente, trabalha como psicóloga na rede pública de saúde.
Sua trajetória política começou antes da entrada nas disputas eleitorais. Durante a universidade, participou do movimento estudantil e de atividades do Centro Acadêmico Livre de Psicologia.
Laís também integra movimentos sociais e atua como coordenadora nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Sua trajetória inclui ainda participação no Movimento de Mulheres Olga Benario.
No campo partidário, tornou-se presidente do diretório da Unidade Popular em Florianópolis.
Em 2026, foi escolhida pela UP para disputar o governo estadual. A candidata a vice é Nathália Melo, também integrante da legenda.
O programa registrado pela candidatura aborda temas como trabalho e economia, participação popular na elaboração do orçamento estadual, saúde, educação, habitação, segurança pública, cultura e políticas voltadas às mulheres.
Entre as propostas está a ampliação da participação popular na elaboração de instrumentos de planejamento e orçamento, como o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Laís concorre com o número 80 e declarou R$ 518,45 em patrimônio à Justiça Eleitoral.
OITO CANDIDATURAS FORAM DEFERIDAS PELA JUSTIÇA ELEITORAL
O cenário que começou a ser desenhado ainda durante a pré-campanha passou por mudanças até chegar à configuração definitiva das urnas.
Partidos que negociavam alianças seguiram caminhos diferentes, candidatos a vice foram definidos e novas candidaturas entraram na disputa até o encerramento do prazo de registro.
Ao final desse processo, Santa Catarina chegou a oito candidatos ao governo.
De acordo com os dados da Justiça Eleitoral atualizados em setembro, os registros de Jorginho Mello, João Rodrigues, Gelson Merísio, Marcelo Brigadeiro, Ralf Zimmer, Professor Marcus Sodré, Bruno Pedreiro do PCO e Laís Chaud foram deferidos.
Também estão deferidos os registros dos respectivos candidatos a vice.
ELEITOR PODE CONSULTAR PLANOS DE GOVERNO E PATRIMÔNIO
Além dos nomes que aparecerão na urna, a Justiça Eleitoral mantém informações detalhadas sobre cada uma das candidaturas no sistema DivulgaCandContas.
A ferramenta permite consultar dados pessoais apresentados para registro, composição das chapas, partidos e coligações, situação das candidaturas, declaração de bens e informações sobre arrecadação e despesas eleitorais.
Os planos de governo registrados pelos oito candidatos também estão disponíveis para consulta pública.
Esses documentos permitem ao eleitor comparar diretamente as propostas apresentadas pelas candidaturas para áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, economia e desenvolvimento regional antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.