Entre memórias e metamorfoses, Acap encerra sábado (26) sétima mostra do ciclo de 50 anos com palestra sobre processo criativo do folclorista e dos expositores
Depois de mais de seis meses em cartaz no MArquE (Museu de Arqueologia e Etnologia Oswaldo Rodrigues Cabral) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis, a exposição coletiva “Tessituras do Invisível – Desdobrando Cascaes” termina neste sábado (26), com programação especial. O encerramento, das 10h às 12h, terá a palestra “Uma conversa sobre Cascaes interagindo com as obras dos acapeanos”, da mestra em literatura e pesquisadora Katiely Michielin.
Promoção da Acap (Associação Catarinense dos Artistas Plásticos), “Tessituras…” é a última das sete exposições realizadas em comemoração aos 50 anos da entidade. As coletivas, com curadoria de Meg Tomio Roussenq e Anna Moraes, motivaram os associados a mergulharem nas trajetórias dos oito fundadores – Vera Sabino, Rodrigo de Haro, Eli Heil, Martinho de Haro, Max Moura, Ernesto Meyer Filho, Pedro Paulo Vecchietti e Franklin Cascaes – e do centenário Hassis, criando uma interação com a nova geração.

Ao longo de mais de um ano e meio, a programação do cinquentenário da Acap, iniciada na gestão do presidente Gelsyr Ruiz e concluída agora sob a presidência de Maria Esmênia, além de reforçar a presença da entidade em importantes espaços da arte catarinense, também deu visibilidade aos seus associados e teve sua história registrada em livro lançado em novembro de 2025.
Esmênia explica que a escolha de Katiely para o encerramento de “Tessituras…”, que reuniu obras de 16 associados, é mais uma forma de reverenciar Cascaes. A profissional tem amplo currículo e vasta experiência na documentação e preservação da memória. Entre 2006 e 2008, trabalhou no MARquE, na catalogação e conservação da coleção batizada com o nome da mulher do folclorista, Elizabeth Pavan Cascaes. Desse contato diário com o acervo e objetos pessoais do artista, no local escolhido por ele próprio para resguardar sua memória, nasceu uma paixão pela sua obra, transformada em tema de seu TCC e motor para diversos cursos de extensão na área de artes.

A palestra de Katiely analisa o processo criativo de Cascaes para compreender sua contribuição à história literária e artística catarinense. Cruzando estudos de poesias, correspondências, fotografias e os 114 cadernos de pesquisa do artista, ela descreve as relações entre as mais de 2.800 obras ilustrativas — desenhos e esculturas — e os manuscritos de Cascaes.
O trabalho da pesquisadora propõe uma antologia crítica e, acima de tudo, uma nova forma de apresentar Cascaes para o mundo, revelando uma obra que vai muito além das bruxas. Ela analisará as obras dos artistas e a responsabilidade de trazer contemporaneidade às questões levantadas pelo guardião dos mitos e causos que povoam o litoral catarinense e, em especial, o universo bruxólico que paira sobre a Capital, sem esquecer as bruxas malvadas e representadas pela exploração imobiliária, a poluição que dizima a natureza, as viroses e, mais recentemente, as doenças sociais e mentais.
Nascido e criado em Itaguaçu, emblemático ponto turístico da região continental da Capital, quando este pertencia ao município de São José, Cascaes registrou por meio do imaginário popular as práticas sociais da população litorânea catarinense e as tensões e transformações políticas e econômicas do país.

A “invasão” do universo bruxólico
Na abertura de “Tessituras…”, em março, os integrantes do Grande Baile Místico, projeto capitaneado por Bebel Orofino e Patrícia Amante e inspirado em obra do saudoso Gelci Coelho, o Peninha, e no próprio Cascaes, devidamente caracterizados, literalmente invadiram o museu dando corpo ao universo imaginado pelo saudoso folclorista.
Os três eixos curatoriais de “Tessituras…”
1 – Corpo, Território e Ruptura
As obras investigam o político, o urbano e as violências contemporâneas.
As obras e os artistas:
1. Susana Fros – “Território Interdito”
2. Audrey Laus – “Bruxa da Virose”
3. Rodrigo Gonçalves – “Monstro Simoníaco”
4. Ricardo do Rosário – “Crise”
5. Andrea V Zanella – “O Que Resta?”
6. Sílvia Zanatta Da Ros – “Cascaes”
7. Roberta Viotti – “Sem Título”
8. Eliane Veiga – “Oratio Praesidium”
2 – Memória, Paisagem e Metamorfose
Os trabalhos retomam a preservação, tendo a paisagem como portal e memória.
As obras e os artistas:
1. Dulce Penna – “Sobre Escutas”
2. Maria Esmênia – “A Cortina Rendada”
3. Gavina – “Sem Título”
4. Maria de Minas – “Quando a Ilha Desperta as Bruxas”
5. Gelsyr Ruiz – “Memória Impressa – Território Instável”
6. Larissa Arpana – “Ser em Metamorfose”
7. Laïs Krücken – “Voo”
8. Rodrigo Pereira – “Fragmentos Ilhéus”
3 – Presença da ausência
Traz, em referência simbólica a Cascaes, oito bancos brancos formando um espaço de encontro e trocas.

ENCERRAMENTO
Palestra “Uma conversa sobre Cascaes interagindo com as obras dos acapeanos”, com a mestra em literatura e pesquisadora Katiely Michielin
Dia 26/9/2026, das 10h às 12h, no MArquE da UFSC (rua Engenheiro Agronômico Andrei Cristian Ferreira s/n, campus Trindade, Florianópolis)
