quinta-feira, 8 outubro , 2026

Lula desafia Flávio Bolsonaro a apoiar o fim da escala 6×1 e cobra posição do PL

por Francine Canto Boico
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Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição em 2026, desafiou nesta quarta-feira (7) o senador Flávio Bolsonaro (PL) a declarar apoio à proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A medida busca garantir dois dias de descanso por semana, sem redução salarial, e se tornou um dos temas em debate no cenário político nacional.

Durante uma plenária do Partido dos Trabalhadores (PT) com parlamentares, Lula afirmou que pretende acompanhar como o adversário se posicionará diante da proposta. O presidente também cobrou que Flávio Bolsonaro mobilize seu partido para apoiar a mudança na jornada de trabalho.

“Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favoravelmente. E desafio ele a pedir para o PL votar favoravelmente”, disse Lula ao lembrar que seu adversário tem se manifestado contrariamente à proposta.

A discussão sobre a escala 6×1 envolve mudanças na organização da jornada semanal e nas condições de descanso dos trabalhadores. Atualmente, o modelo prevê seis dias de trabalho para um de folga, formato que tem sido alvo de debates sobre qualidade de vida, saúde e equilíbrio entre as atividades profissionais e pessoais.

FLÁVIO BOLSONARO DEFENDE LIBERDADE PARA ESCOLHER A JORNADA

Flávio Bolsonaro apresentou uma posição diferente da defendida por Lula. Em entrevista concedida na terça-feira (6), o senador argumentou que os próprios trabalhadores deveriam ter autonomia para definir a quantidade de horas trabalhadas, de acordo com suas necessidades e possibilidades.

“Nossa proposta é dar liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade e necessidade. Quem quer trabalhar mais vai trabalhar mais, quem quer trabalhar menos vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida”, disse Flávio Bolsonaro em entrevista nesta terça-feira (6).

Lula, por sua vez, criticou a ideia de deixar a definição da jornada sujeita a negociações entre empregadores e funcionários. Para o presidente, esse modelo pode colocar os trabalhadores em uma posição desfavorável e não assegura a ampliação do período de descanso.

“Eles estão inventando uma história, como se, em um acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem. Então, nada de aceitar barganha. É reduzir a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”, afirmou o candidato do PT.

O embate evidencia a divergência entre os dois candidatos sobre a forma de estabelecer mudanças nas relações de trabalho. Enquanto Lula defende a redução da jornada para cinco dias semanais, Flávio Bolsonaro sustenta que a flexibilidade deve permitir diferentes formatos de carga horária.

LULA DEFENDE APROVAÇÃO DA PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA

Além da discussão sobre o fim da escala 6×1, Lula defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A iniciativa está entre as principais medidas do governo para ampliar a integração entre a União, os estados e os municípios no combate à criminalidade e às organizações criminosas.

Durante o encontro com parlamentares, o presidente avaliou que os estados enfrentam dificuldades para responder sozinhos aos desafios da segurança pública. Na avaliação de Lula, a experiência acumulada desde a Constituição de 1988 demonstrou a necessidade de fortalecer a participação do governo federal nessa área.

Para isso, o presidente destacou o papel de instituições como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal. A proposta busca ampliar a coordenação entre os diferentes níveis de governo, com o objetivo de tornar as ações de prevenção e repressão ao crime mais integradas.

GOVERNO PREVÊ PRESÍDIOS DE SEGURANÇA MÁXIMA

Lula também mencionou os planos do governo federal para endurecer o enfrentamento às facções criminosas. Entre as medidas anunciadas está a transformação de 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima, iniciativa que, segundo o presidente, pretende enfraquecer a atuação dessas organizações.

Outra prioridade apresentada por Lula é a criação do Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação da PEC. A nova estrutura faria parte da estratégia de reorganização da atuação federal no setor.

Ao resumir a orientação que pretende adotar para a área, o presidente afirmou que a campanha terá como lema “Para o povo trabalhador: proteção; para o bandido: prisão”.

As declarações colocam a jornada de trabalho e a segurança pública entre os assuntos destacados por Lula no debate eleitoral de 2026. Os dois temas também devem alimentar as discussões entre governo, parlamentares e candidatos durante a campanha.


Com informações de Agência Brasil

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