A Camerata Florianópolis, com regência do maestro Jeferson Della Rocca, apresentará no próximo dia 17 de setembro, às 20h30, no Teatro do CIC, um concerto exclusivamente dedicado a Wolfgang Amadeus Mozart, grande compositor austríaco do classicismo, um dos maiores gênios da música erudita. O concerto contará com os solos da violinista Iva Giracca, do violista Leonardo Piermartiri e do fagotista Jamil Bark. Os ingressos estão disponíveis na sede da Camerata Florianópolis e no site da Blueticket.
O programa escolhido para o noite vai conduzir o público por três faces de Mozart: o jovem que despontava como mestre da forma sinfônica; o artesão luminoso que deu alma até a um instrumento pouco convencional; e o poeta das cordas, capaz de transformar a melancolia em beleza.
A direção de produção do concerto é de Maria Elita Pereira e conta com patrocínio da ENGIE e do FORT Atacadista, por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura – Governo Federal.
PROGRAMA:
– Sinfonia nº 29 em La maior, K.201
– Concerto para Fagote e Orquestra em Si bemol maior, K. 191
– Sinfonia Concertante para Violino e Viola em Mi bemol maior, K. 364
SINFONIA Nº 29 EM LÁ MAIOR, K.201 (1774)
No ano de 1774, Mozart ainda residia em Salzburgo, sua cidade natal, servindo à corte do arcebispo Colloredo. Tinha apenas 18 anos, mas já compunha com uma maturidade impressionante, revelando a transição entre o estilo galante — leve, elegante, cortês — e a profundidade dramática que marcaria suas obras posteriores.
A Sinfonia nº 29 é frequentemente apontada como um divisor de águas em sua produção sinfônica. Nela, Mozart demonstra um novo domínio da orquestração, explorando contrastes e cores sonoras com refinamento. O Allegro inicial abre como um sorriso radiante, juvenil, mas sustentado por uma escrita vigorosa. O Andante canta com lirismo sereno, quase intimista, enquanto o Menuetto evoca a solenidade das danças aristocráticas da época. O Allegro final, ágil e cintilante, revela o frescor e a vitalidade de um jovem gênio às portas de sua vida adulta.
Curiosidade: esta sinfonia antecede as grandes viagens de Mozart por Mannheim e Paris, onde entraria em contato com novas tendências orquestrais que transformariam seu estilo. Pode-se ouvir nela, portanto, um retrato de sua juventude prestes a florescer em pleno cosmopolitismo europeu.
CONCERTO PARA FAGOTE EM SI BEMOL MAIOR, K.191 (1774)
O Concerto para Fagote K.191 é a primeira obra concertante que Mozart escreveu para instrumento de sopro. Com apenas 18 anos, ele soube explorar como poucos o timbre singular do fagote — ora nobre e caloroso, ora ágil e espirituoso.
O primeiro movimento apresenta o instrumento com energia e graça, destacando sua maleabilidade expressiva. O Andante, de lirismo quase operístico, aproxima o fagote da voz humana, fazendo-o cantar com emoção calorosa. Já o rondó final, cheio de vivacidade, brinca com humor e leve travessura, revelando o lado espirituoso do jovem compositor.
Curiosidade: acredita-se que a obra tenha sido encomendada por um aristocrata de Salzburgo que tocava fagote como amador apaixonado. Hoje, mais de 250 anos depois, continua sendo uma das peças mais queridas e executadas do repertório para o instrumento.
SINFONIA CONCERTANTE PARA VIOLINO E VIOLA EM MI BEMOL MAIOR, K.364 (1779)
Cinco anos mais tarde, Mozart retornava de uma frustrante temporada em Paris. De volta a Salzburgo, sentia-se artisticamente limitado pelas exigências conservadoras do arcebispo Colloredo. Nesse contexto, compôs a Sinfonia Concertante K.364, obra que parece transformar suas inquietações em pura beleza musical.
Entre concerto e sinfonia, a peça inaugura um espaço único de diálogo entre dois instrumentos que raramente dividem protagonismo: o violino e a viola. Mozart, apaixonado pela viola — que muitas vezes preferia tocar em apresentações privadas para se sentir “no coração da música” — confere a ela um papel de igual importância, em perfeita harmonia com o violino.
O primeiro movimento é vibrante, pleno de vitalidade. O Andante, por sua vez, é considerado um dos trechos mais sublimes de toda sua obra: um lamento terno, quase confessional, marcado por uma melancolia de rara intensidade. Já o movimento final, em forma de rondó, devolve o brilho e a leveza, lembrando-nos da capacidade de Mozart de transfigurar até a dor em arte radiante.
Curiosidade: alguns estudiosos veem neste Andante uma expressão velada da solidão e das perdas pessoais vividas por Mozart no período, incluindo a morte de sua mãe em Paris.
SERVIÇO
O Quê? Concerto Clássico – Mozart, com a Camerata Florianópolis
Quando? 17 de setembro de 2025, às 20h30
Onde? Teatro Ademir Rosa (CIC) – Florianópolis
Ingressos? Disponíveis na sede da Camerata Florianópolis e no site Blueticket (https://www.blueticket.com.br/evento/38964)

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