Florianópolis celebra o Dia Nacional do Samba, em 2 de dezembro, com uma programação gratuita que ocupa o Largo da Antonieta e o Bugio Lab. Oficinas, lançamento de almanaque e apresentações musicais integram uma festa que destaca o samba como patrimônio cultural e expressão de identidade coletiva.
O termo “samba”, registrado desde o período colonial e citado pelo pesquisador Edson Carneiro já em 1842, ganhou forma nas rodas, nos terreiros, nas festas populares, nas gafieiras e, sobretudo, nas escolas de samba — verdadeiras universidades populares. Em Santa Catarina, nomes como Zininho (Protegidos da Princesa) e Avez-vouz (Copa Lord) ajudaram a construir uma identidade musical local que dialoga diretamente com a tradição brasileira.
Hoje, Florianópolis se afirma como um importante reduto do gênero, onde tradições, novos movimentos e a força das comunidades mantêm viva a essência do samba. Nesse cenário, o Projeto Samba de Terreiro celebra o Dia Nacional do Samba reverenciando mestres, preservando memórias e ampliando a circulação de saberes ligados ao samba de terreiro — uma vertente que carrega ancestralidade e profundidade histórica. A programação aproxima o público de músicos, pesquisadores, jovens e representantes das Velhas Guardas, fortalecendo a continuidade dessa herança.
Ao longo da tarde, o público vivencia uma jornada que combina aprendizado, memória e celebração. A experiência inicia com a Oficina de Samba de Terreiro, segue com o lançamento do Almanaque do Samba de Terreiro, com participação especial de Paulo Mathias (Instituto Glória ao Samba – SP). À noite, a programação reúne nomes como Edinho Carvalho, a Velha Guarda da Copa Lord e a Associação das Velhas Guardas das Escolas de Samba de Florianópolis, em um encontro que celebra a tradição e a potência do samba na cidade.
A sambista e pesquisadora Andreza Simões, integrante do Projeto Samba de Terreiro, destaca a importância do momento: “O samba em Florianópolis vem se consolidando como um legítimo reduto de samba e excelentes sambistas. Uma das vertentes, o samba de terreiro, traz movimentos autênticos e vibrantes à cidade. O samba está enraizado nas comunidades, nos terreiros das escolas de samba e nos botequins que valorizam a cultura trazida pelos negros, marinheiros que residiram em Floripa”, aponta.
Ela reforça o papel dos movimentos culturais na preservação e renovação da tradição: “Grupos, coletivos e projetos – como o Samba de Terreiro Florianópolis – têm resgatado e difundido o samba em suas formas mais genuínas, realizando pesquisas, intercâmbios, eventos e oficinas gratuitas. Isso aproxima os jovens das Velhas Guardas, que transmitem suas histórias e experiências. Ainda hoje é possível descobrir sambas inéditos, guardados apenas na memória desses grandes sambistas.”
Simões conclui com um convite aberto à comunidade: “Prepare-se para muitas brasas cantadas, com energia lá em cima. Venha prestigiar, cantar e sambar conosco!”
Com entrada gratuita e programação diversa, o evento reforça o compromisso do Projeto Samba de Terreiro com a valorização da cultura local e o fortalecimento das tradições que moldam a história do samba em Florianópolis. A programação completa segue abaixo.
PROGRAMAÇÃO – DIA NACIONAL DO SAMBA
Data: 02 de dezembro
Local: Largo da Antonieta + Bugio Lab
14h30 às 16h30 – Oficina de Samba de Terreiro
Aprendizado e troca sobre repertório de sambas de quadra das escolas de samba, com músicos do Projeto Samba de Terreiro.
16h30 às 18h – Lançamento do Almanaque do Samba de Terreiro + Exposição de livros
Participação especial de Paulo Mathias (Instituto Glória ao Samba – SP). Segundo volume do Almanaque reúne contos, registros históricos, fotos inéditas e recortes sobre a trajetória das escolas de samba.
18h às 19h30 – Apresentação do Projeto Samba de Terreiro
Com participação de Edinho Carvalho, do agrupamento Samba de Terreiro de Mauá (SP), Velha Guarda da Copa Lord e cerca de 15 músicos. Música de qualidade com acesso gratuito ao público.
19h30 às 20h – Apresentação da Associação das Velhas Guardas das Escolas de Samba de Florianópolis
Participação de Protegidos da Princesa, Unidos da Coloninha, Copa Lord, Dascuia, Consulado e Nação Guarani.
Foto: Joaquim Correa

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