O ano de 2024 chega ao fim com um panorama econômico que mistura avanços significativos e desafios persistentes para o Brasil. Dados divulgados nesta segunda-feira (30), o último dia útil para bancos e bolsas, revelam um cenário de crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) e recordes no mercado de trabalho, mas também indicam preocupações em relação aos índices de inflação, taxa de juros e câmbio.
Conteúdos
MERCADO DE TRABALHO: EMPREGO RECORDE E REDUÇÃO DO DESEMPREGO
A taxa de desocupação no Brasil caiu para 6,1% no trimestre encerrado em novembro, o menor índice desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012. Este resultado reflete 6,8 milhões de pessoas em busca de emprego e um recorde de 103,9 milhões de brasileiros ocupados. A quantidade de trabalhadores com carteira assinada também atingiu um marco histórico, alcançando 39,1 milhões entre agosto e novembro.
No entanto, a informalidade ainda permanece alta, representando 38,7% da população ocupada – cerca de 40,3 milhões de pessoas. Essa realidade evidencia um mercado de trabalho que, apesar dos avanços, ainda enfrenta desafios em termos de segurança social e estabilidade para grande parte dos trabalhadores. A informalidade também impacta diretamente a arrecadação previdenciária, um ponto crítico para a sustentabilidade fiscal do país.
Os avanços no rendimento médio dos trabalhadores são um destaque. Em novembro, a renda média subiu para R$ 3.285, um crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período de 2023. Este aumento reflete uma melhora na capacidade de consumo das famílias, mas ainda está longe de solucionar as desigualdades estruturais do mercado de trabalho brasileiro. Por outro lado, a massa de rendimento – que soma o total recebido pelos trabalhadores – alcançou o recorde de R$ 332,7 bilhões, com alta de 7,2% em um ano.
CRESCIMENTO ECONÔMICO: PIB EM ALTA
A economia brasileira registrou um crescimento de 0,9% no terceiro trimestre em relação ao período anterior, com destaque para os setores industrial e de serviços. Em comparação ao mesmo trimestre de 2023, o PIB cresceu 4%, acumulando um crescimento de 3,1% nos últimos quatro trimestres. Este desempenho coloca o Brasil em uma posição de destaque no G20, mesmo em um cenário global marcado por incertezas.
Entretanto, apesar do avanço, o nível de investimento continua baixo, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade desse crescimento no longo prazo. A formação bruta de capital fixo, indicador que mede os investimentos na economia, ainda não apresenta um ritmo suficientemente robusto para garantir expansão consistente. A melhoria do ambiente de negócios e a redução da burocracia são vistas como essenciais para atrair investimentos privados.
INFLAÇÃO: PESO NO BOLSO DO BRASILEIRO
A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acumulou alta de 4,87% nos 12 meses até novembro, acima da meta do governo de 3%. Este foi o maior índice desde setembro de 2023. A pressão inflacionária, puxada por itens como alimentação e combustíveis, tem impacto direto no custo de vida, especialmente para as famílias de baixa renda.
Além disso, o aumento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que alcançou 4,84% no acumulado do ano, reflete o encarecimento do custo de vida para as famílias com renda de até cinco salários mínimos. Esse indicador é usado como base para reajustes salariais e para calcular o valor do salário mínimo, que deverá subir para R$ 1.518 em 2025.
Outro fator relevante é o comportamento do “IGP-M”, que fechou o ano em 6,54%. Conhecido como a “inflação do aluguel”, o indicador afeta diretamente milhões de contratos de locação residencial e comercial, aumentando o peso das despesas fixas no orçamento das famílias e das empresas.
TAXA DE JUROS: CONTROLE DA INFLAÇÃO
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 12,25% ao ano, uma decisão que reflete os esforços para conter a inflação. A Selic, além de influenciar o custo dos empréstimos, também tem impacto direto no crescimento econômico. Taxas altas desestimulam investimentos e consumo, mas são vistas como necessárias para controlar a alta generalizada dos preços.
O Brasil, que adota um regime de metas de inflação, enfrentou um ano de desafios globais e internos. Fatores como a volatilidade nos preços internacionais de commodities e as incertezas fiscais impactaram as decisões do Banco Central, que busca equilibrar crescimento e estabilidade econômica.
DÓLAR EM ALTA: IMPACTOS NA ECONOMIA
O dólar encerra 2024 cotado a R$ 6,18, um aumento de cerca de 27% ao longo do ano. Essa desvalorização do real foi influenciada por fatores internos, como o aumento dos gastos públicos, e externos, incluindo a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos. A alta do dólar gera impactos variados: encarece produtos importados e aumenta a pressão inflacionária, mas também beneficia exportadores, que recebem em moeda estrangeira.
Para conter a volatilidade cambial, o Banco Central realizou leilões de dólar, uma medida que ajuda a estabilizar momentaneamente o mercado. Apesar disso, o Brasil segue adotando o regime de câmbio flutuante, em que o valor da moeda é determinado pelo mercado.
PERSPECTIVAS PARA 2025
O ano de 2025 se apresenta como uma oportunidade para o Brasil consolidar os avanços econômicos alcançados em 2024. A busca por um equilíbrio entre crescimento, controle inflacionário e sustentabilidade fiscal será essencial. Investimentos em infraestrutura, educação e inovação, aliados à continuidade de reformas estruturais, podem ser o caminho para garantir um crescimento mais inclusivo e duradouro. O desafio estará em superar os gargalos internos e enfrentar um cenário global ainda marcado por incertezas.
Com informações da Agência Brasil
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