As bolsas de pós-graduação no Brasil estão no centro de uma proposta de expansão que pode transformar as condições de incentivo à ciência e à educação no país. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) busca uma suplementação orçamentária de até R$ 500 milhões para garantir o aumento do valor e da quantidade de bolsas em 2025, ampliando oportunidades para estudantes brasileiros e atraindo mais pesquisadores estrangeiros. Mas você já parou para pensar no que significa investir em pós-graduação e como esses recursos impactam diretamente o desenvolvimento do país? Vamos explorar!
Conteúdos
- REAJUSTE DE BOLSAS: UM PASSO IMPORTANTE, MAS INSUFICIENTE?
- CAPES: MAIS BOLSAS E INTERNACIONALIZAÇÃO DA CIÊNCIA BRASILEIRA
- G20 E AS OPORTUNIDADES PARA A EDUCAÇÃO E CIÊNCIA NO BRASIL
- NOVO ARCO FISCAL E OS DESAFIOS ORÇAMENTÁRIOS
- OS DESAFIOS E IMPACTOS DAS BOLSAS DE PÓS-GRADUAÇÃO
- CAPES COMO AGENTE DE INTERNACIONALIZAÇÃO: O PAPEL DAS BOLSAS NO EXTERIOR
- AÇÕES DA CAPES PARA 2025: MOBILIZAÇÃO E DESAFIOS
- INVESTIR EM CIÊNCIA É INVESTIR NO FUTURO
REAJUSTE DE BOLSAS: UM PASSO IMPORTANTE, MAS INSUFICIENTE?
Após uma década sem reajustes, em 2023 o governo federal aumentou em 40% o valor das bolsas de mestrado e doutorado. Hoje, as bolsas para mestrandos passaram de R$ 1,5 mil para R$ 2,1 mil, e as de doutorado foram ajustadas de R$ 2,2 mil para R$ 3,1 mil. As bolsas de pós-doutorado também receberam aumento, passando de R$ 4,1 mil para R$ 5,2 mil. No entanto, segundo a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), esses valores já estão defasados em relação ao custo de vida atual e às demandas do setor.
A ANPG chama a atenção para o risco de futuros contingenciamentos, alertando para a necessidade de uma ação coletiva de pressão no Congresso Nacional. Para a entidade, além do reajuste, é fundamental a criação de um mecanismo de correção anual, de forma a garantir que a formação de mestres e doutores seja valorizada e sustentada.
“Reajustar as bolsas de estudos e aumentar o número de concessões é o primeiro passo para garantir que o Brasil forme mestres e doutores capacitados a contribuir para o avanço da CT&I [Ciência, Tecnologia e Inovação]”, ressalta o documento da ANPG. Mas será que o cenário orçamentário atual permitirá esse avanço tão necessário?
CAPES: MAIS BOLSAS E INTERNACIONALIZAÇÃO DA CIÊNCIA BRASILEIRA
Em entrevista recente, a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, destacou a intenção da entidade, junto ao Ministério da Educação, de aumentar o número de bolsas de estudo e garantir reajustes em 2025. Segundo ela, é crucial que o orçamento do próximo ano contemple essas necessidades. Para Denise, a suplementação de R$ 500 milhões seria o suficiente para possibilitar um reajuste mais significativo e ainda aumentar o número de bolsas.
A Capes tem trabalhado para consolidar a internacionalização da pesquisa brasileira, promovendo uma “mão dupla” entre cientistas brasileiros e estrangeiros. Em 2023, por exemplo, a Capes concedia cerca de 6,7 mil bolsas para pesquisas no exterior, número que subiu para 9 mil este ano. Para 2025, o plano é destinar 1.670 bolsas a pesquisadores da América Latina e Caribe para estudos e pesquisas no Brasil.
“A chegada desses estudantes faz com que a cooperação entre os grupos de pesquisa se estabeleça e perpetue”, defende Denise. Esse intercâmbio contribui para ampliar a presença da ciência brasileira no cenário internacional, mas, para continuar crescendo, a Capes precisa do suporte financeiro necessário.
G20 E AS OPORTUNIDADES PARA A EDUCAÇÃO E CIÊNCIA NO BRASIL
Recentemente, Fortaleza sediou a última etapa do Grupo de Trabalho de Educação do G20, seguido pela Reunião Ministerial de Educação, eventos nos quais Denise Carvalho participou ativamente. Nas reuniões bilaterais, discutiram-se acordos de cooperação com diversos países do G20, como África do Sul, Índia e Turquia, na busca por parcerias que ampliem a mobilidade de pesquisadores e fortaleçam a base científica brasileira.
“Precisamos ampliar a cooperação com países do G20. Cooperamos muito mais com Europa e América do Norte por uma questão histórica, mas queremos intensificar parcerias com outras nações”, enfatizou a presidente da Capes. Este tipo de intercâmbio representa uma oportunidade única para o desenvolvimento do Brasil, especialmente em um contexto globalizado onde a ciência, tecnologia e inovação são motores para o progresso.
NOVO ARCO FISCAL E OS DESAFIOS ORÇAMENTÁRIOS
Embora a Capes e o Ministério da Educação estejam comprometidos em garantir o reajuste das bolsas, o cenário orçamentário do Novo Arcabouço Fiscal (NAF) traz desafios. A inclusão de novos reajustes e a ampliação do número de bolsas dependem de uma realocação de recursos dentro das limitações impostas pelo NAF, o que exige negociações estratégicas no Congresso. Denise Carvalho destacou a importância de o orçamento prever esse suporte, reforçando as palavras do presidente Lula de que “educação, ciência e tecnologia não são gastos, são investimentos”.
Para superar o impasse, a presidente da Capes e líderes do setor educacional planejam uma mobilização no Congresso para defender o orçamento da Capes. A estratégia é mostrar que, apesar do cenário de contenção fiscal, investir em educação é um alicerce para o desenvolvimento do país e, por isso, não deve ser tratado como despesa.
OS DESAFIOS E IMPACTOS DAS BOLSAS DE PÓS-GRADUAÇÃO
As bolsas de pós-graduação são essenciais para a formação de profissionais especializados e para o fortalecimento da produção científica nacional. De acordo com especialistas, quando o orçamento para bolsas é limitado, os estudantes e pesquisadores enfrentam dificuldades que vão além das questões financeiras. Muitos estudantes dependem integralmente das bolsas para seu sustento e formação, e qualquer redução ou estagnação nos valores coloca em risco sua capacidade de se dedicarem exclusivamente à pesquisa.
A formação de mestres e doutores em áreas estratégicas para o país — como saúde, educação, tecnologia e inovação — depende diretamente desse incentivo, o que levanta a pergunta: estamos dispostos a comprometer o futuro da pesquisa e desenvolvimento em nome de cortes orçamentários?
CAPES COMO AGENTE DE INTERNACIONALIZAÇÃO: O PAPEL DAS BOLSAS NO EXTERIOR
Além de apoiar estudantes e pesquisadores brasileiros, a Capes também trabalha para trazer estudantes estrangeiros ao Brasil, uma iniciativa importante para o fortalecimento de laços internacionais e a troca de conhecimento. Segundo Denise Carvalho, essa cooperação bilateral reforça as bases da ciência e da educação no Brasil, criando uma rede de contatos e parcerias globais que enriquecem o cenário acadêmico brasileiro.
Para pesquisadores do Brasil que buscam experiência no exterior, as bolsas da Capes representam a chance de adquirir conhecimentos em instituições renomadas, retornando ao país com novas ideias e perspectivas que podem ser aplicadas em diversas áreas. E, para os pesquisadores estrangeiros que vêm ao Brasil, as bolsas são uma oportunidade de colaborar com grupos de pesquisa locais, ajudando a construir uma ciência globalizada e acessível.
AÇÕES DA CAPES PARA 2025: MOBILIZAÇÃO E DESAFIOS
A Capes vem se articulando junto ao governo e ao Congresso Nacional para garantir o orçamento necessário ao reajuste das bolsas e à ampliação das concessões em 2025. Denise Carvalho acredita que o setor de educação deve ser protegido dos cortes orçamentários e que, com o apoio do ministro da Educação, Camilo Santana, e do presidente Lula, as negociações podem trazer resultados positivos.
Para garantir o sucesso dessa mobilização, o papel da sociedade e das associações de pós-graduandos é crucial. A ANPG já tem atuado com petições e campanhas para pressionar os parlamentares a priorizar os recursos destinados à Capes, defendendo que uma educação de qualidade e a formação de cientistas são fundamentais para o desenvolvimento de um país forte e independente.
INVESTIR EM CIÊNCIA É INVESTIR NO FUTURO
Com o avanço de tecnologias e a complexidade dos desafios globais, investir em ciência e tecnologia é mais essencial do que nunca. Para o Brasil, que busca posicionar-se como líder no cenário internacional, fortalecer a pesquisa científica através de bolsas de estudo é um investimento estratégico. O desafio, agora, é fazer com que o orçamento público compreenda essa visão e que a sociedade apoie a luta pela valorização da educação.
Como resultado, o futuro das bolsas de pós-graduação no Brasil depende não só das decisões políticas, mas também do compromisso coletivo em valorizar a ciência e a educação. E você, o que pensa sobre o futuro da pós-graduação e da pesquisa no Brasil? Será que estamos prontos para dar esse passo?
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