Em um anúncio polêmico, a Secretaria de Educação de Santa Catarina revelou, no Diário Oficial do dia 30 de outubro, uma mudança significativa no modelo de avaliação das escolas públicas estaduais. A partir de agora, a aprovação dos estudantes se dará pela “média global”, um cálculo que soma as notas de todas as disciplinas e divide pelo total de matérias cursadas. Implementada apenas um mês antes do término do ano letivo, a medida tem causado inquietação.
Afinal, essa alteração irá, de fato, melhorar a qualidade da educação ou apenas mascarar os índices de desempenho?
Conteúdos
O QUE É A “MÉDIA GLOBAL”?
No novo sistema de avaliação, o aluno precisará alcançar uma média geral, resultante da soma das notas das disciplinas, dividida pelo total de matérias. Diferente da metodologia anterior, onde cada disciplina precisava ser superada individualmente, agora é a média que define o sucesso do aluno. A implementação, realizada sem um período de transição, levanta questões sobre a eficiência e as consequências pedagógicas dessa alteração.
IMPACTOS PARA ALUNOS E PROFESSORES
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/SC) não tardou em criticar a decisão, destacando que a medida pode afetar negativamente tanto alunos quanto professores. Com a “média global”, alunos podem passar de ano sem realmente dominar todas as disciplinas, o que poderia prejudicá-los em futuras avaliações, como vestibulares e ENEM. Além disso, os professores perdem a autonomia de avaliação em suas disciplinas específicas, o que, segundo o sindicato, compromete a qualidade do ensino.
“A medida é uma manobra do governo para tentar melhorar os índices do IDEB que estão baixos, porém essa mudança agrava ainda mais os números de avaliação do ensino catarinense. Se o Governo do Estado quer uma melhor avaliação, é importante que invista na infraestrutura das escolas públicas e na valorização dos trabalhadores da educação”, ressalta Evandro Accadrolli, coordenador do Sinte/SC.
A BUSCA POR MELHORES ÍNDICES OU “MAQUIAGEM” PEDAGÓGICA?
O Sinte/SC vê na mudança uma tentativa do governo de melhorar a imagem da educação estadual para atender a requisitos de repasse de recursos federais. Com uma avaliação mais abrangente, a medida busca elevar o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), mesmo que, segundo o sindicato, isso seja apenas uma solução temporária e “superficial”.
“Não será com uma medida dessas que apresenta uma série de questionamentos pedagógicos e técnicos, que o Governo do Estado garantirá uma melhor avaliação da educação pública. É com investimento na formação, na infraestrutura das escolas e na valorização dos professores, que se conquista qualidade na educação”, explica Evandro.
ESCOLAS PARTICULARES SE RECUSAM A ADERIR
As escolas particulares de Santa Catarina, percebendo os possíveis impactos no processo de aprendizagem, decidiram não adotar a “média global” em seus sistemas de avaliação. Essa posição fortalece a visão de que o novo modelo pode comprometer a qualidade da educação pública. Para o Sinte/SC, essa decisão das instituições privadas reforça a preocupação de que o ensino estadual, voltado para aqueles que mais dependem dele, pode sofrer prejuízos com a medida.
PRÓXIMOS PASSOS DO SINTE/SC
O Sinte/SC pretende continuar questionando essa decisão e pressionando o governo para que investimentos efetivos e duradouros sejam feitos na educação catarinense. A entidade afirma que intensificará seu posicionamento em diferentes esferas, buscando medidas que realmente qualifiquem a educação pública e valorizem a formação docente.
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