Em um evento carregado de emoção e simbolismo, o povo Guarani celebrou, no dia 11 de janeiro, a homologação e o registro em cartório da Terra Indígena (TI) Morro dos Cavalos, localizada no município de Palhoça, em Santa Catarina. A conquista foi oficializada em dezembro de 2024, por ato presidencial, marcando um momento histórico para as comunidades indígenas da região e para todo o Brasil.
Conteúdos
CELEBRAÇÃO DE UMA LONGA LUTA
A cerimônia, organizada pelo próprio povo Guarani na Tekoa (aldeia) Itaty, reuniu lideranças indígenas, autoridades governamentais e representantes de diversas instituições. Entre os participantes, destacaram-se a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e a presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana. Ambas entregaram oficialmente o registro do território, simbolizando a etapa final do processo de regularização fundiária.

A celebração incluiu uma programação diversificada, intitulada “Circuito Aldear – Morro dos Cavalos é Terra Indígena”, com palestras, exposições fotográficas, venda de artesanatos e apresentações culturais. Para a cacica Celita Antunes, o momento foi especialmente significativo. “É muito emocionante e importante a gente chegar e dizer para nossos filhos, netos e bisnetos: essa terra agora é nossa”, declarou, destacando a relevância da conquista para as gerações futuras.
PALAVRAS DE ESPERANÇA E COMPROMISSO
Em seu discurso, a ministra Sonia Guajajara ressaltou a importância da homologação como um passo fundamental para garantir os direitos constitucionais dos povos indígenas. “A homologação e o registro são passos importantes, mas precisamos continuar trabalhando para garantir a proteção desse território e a segurança desse povo. Mais do que isso, é essencial assegurar a gestão do território com base nas iniciativas e nos modos de vida do povo Guarani”, afirmou.
Joenia Wapichana, presidenta da Funai, também reforçou o compromisso da instituição em apoiar as comunidades indígenas na gestão coletiva e sustentável de seus territórios. “Nosso trabalho não termina com a homologação. Ela marca os limites e a legalidade de um processo técnico, mas o desafio continua na proteção e fortalecimento desses territórios”, destacou.
HOMENAGEM ÀS ANCESTRAIS E LIDERANÇAS
Eunice Kerexu, uma das principais lideranças Guarani, emocionou os presentes ao relembrar a luta histórica de seus antepassados. “Essa festa que fazemos hoje é sonhada há muitos anos. Eu sempre digo à minha comunidade: agora podemos dizer ‘eu acredito!’. Nossa luta é um ato de esperançar”, declarou. Kerexu também homenageou os ancestrais que não viveram para ver a homologação, mas cuja resistência foi fundamental para a conquista.
A antropóloga Maria Inês Ladeira, que coordenou os estudos da Terra Indígena, também prestou homenagem à ética da generosidade Guarani. “Quando se luta por uma Terra Indígena, luta-se pelo futuro de um povo. Estamos reconhecendo a riqueza da sabedoria, da ciência e da visão de mundo indígena, que beneficiam toda a sociedade”, enfatizou.
UM PROCESSO HISTÓRICO E DESAFIADOR
A luta pela demarcação da TI Morro dos Cavalos remonta à década de 1970, quando o povo Guarani começou a enfrentar pressões ambientais, políticas e econômicas intensificadas pela construção da BR-101. Em 2001, a Funai constituiu o Grupo de Trabalho de Identificação e Delimitação, que resultou na publicação do relatório em 2002 e na portaria declaratória em 2008. Em 2010, a demarcação física dos limites foi concluída, mas as comunidades continuaram enfrentando ameaças e violências sistemáticas até a homologação definitiva em 2024.
Hyral Moreira, liderança Guarani e coordenador da Coordenação Regional Litoral Sul da Funai, destacou a resistência do povo diante das adversidades. “Nós já estamos aqui há 1.500 anos, em luta. Essa conquista é a prova da nossa resiliência e do nosso direito histórico ao território”, afirmou.
AVANÇOS NA POLÍTICA INDIGENISTA

A homologação da TI Morro dos Cavalos é parte de um avanço mais amplo na política indigenista durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde 2023, foram homologadas 13 Terras Indígenas e assinadas 11 portarias declaratórias, superando a estagnação dos dez anos anteriores. Para Sonia Guajajara, isso demonstra um compromisso renovado com a agenda indígena. “Estamos reconstruindo as bases de um país que respeita e valoriza a diversidade e os direitos de seus povos originários”, declarou.
UM FUTURO DE RESISTÊNCIA E SUSTENTABILIDADE
A Terra Indígena Morro dos Cavalos, com seus 1.983 hectares no bioma da Mata Atlântica, é um exemplo de como a preservação ambiental e a valorização cultural podem andar lado a lado. A gestão do território pelos Guarani promete não apenas proteger os recursos naturais, mas também fortalecer a identidade e a autonomia do povo.
Como destacou a cacica Celita Antunes, a luta pela terra é, acima de tudo, uma luta pela vida. “Essa terra não é só nossa. Ela é de todos os que acreditam em um futuro mais justo e sustentável”, concluiu.
Com informações da Assessoria de Comunicação/Funai
CONECTE-SE COM O CONECTA SC
Acompanhe o Portal Conecta SC e fique por dentro das notícias, eventos e dicas de turismo de Santa Catarina também nas redes sociais: Facebook | LinkedIn | Instagram
Receba os destaques semanais do Portal Conecta SC por email, assine nossa newsletter ou participe do nosso grupo no WhatsApp.

Grande Florianópolis alcança um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil
Santa Catarina ultrapassa 10 mil multas por porte e uso de drogas em locais públicos desde 2024
Detran-SC orienta motoristas a buscar CNHs antes da destruição
Lula reage à tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil: “Quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós”