A arquitetura verde, antes símbolo de sofisticação, tornou-se pilar essencial de sustentabilidade. Em edifícios residenciais e comerciais, o paisagismo deixou de ser adorno para se tornar estratégia de engenharia, contribuindo com eficiência energética, conforto térmico, valorização imobiliária e até redução de enchentes urbanas. “Diante da luta da humanidade em restaurar o equilíbrio natural, para a decoração o verde é o novo luxo, mas para nossa sobrevivência, o verde é a salvação”, afirma Cláudio Saladini, engenheiro agrônomo há mais de 30 anos e fundador do Grupo Le Nôtre, escritório técnico de paisagismo com sede em Florianópolis.
Com obras por todo o Brasil e projetos em empreendimentos como Brava Home, One Tower, Axia Vectra e Shopping H, a Le Nôtre é referência em integrar implantes à engenharia civil. Jardins sobre laje, fachadas verdes, paredes vivas e telhados verdes estão entre as soluções biofílicas que mais crescem nas incorporadas.
“Hoje já não se trata apenas de estética, e sim de desempenho: reduz a temperatura, melhora a qualidade do ar, reduz ruídos e contribui para certificações como o Selo Verde e o LEED”, explica Saladini.
Segundo o estudo Patterns of Biophilic Design de Browning, edifícios biofílicos — que integram vegetação, ventilação natural e iluminação estratégica — promovem maior bem-estar, produtividade e sustentabilidade. Nos escritórios, a presença de plantas pode aumentar em até 15% o rendimento dos funcionários, de acordo com a Universidade de Exeter. Em hospitais, o contato com florestas pode aumentar em 30% as taxas de recuperação, segundo pesquisas internacionais.
Nos centros urbanos, os benefícios são ainda mais evidentes. “Floreiras e telhados verdes ajudam a reter a água da chuva e a combater o efeito das ilhas de calor”, diz Saladini. A presença de vegetação também contribui para a recuperação da biodiversidade em ambientes densamente urbanizados, colaborando com o equilíbrio ecológico.
Além dos ganhos ambientais, o paisagismo técnico gera valor financeiro. “Uma fachada verde bem projetada exige segurança inteligente, substrato específico, orientação e manutenção. Mas esse investimento se paga rapidamente — o imóvel se valoriza, atrai compradores mais exigentes e reduz custos operacionais”, afirma o engenheiro.
É o caso do Pátio Milano, um dos empreendimentos mais tecnológicos da região de Florianópolis. Com floreiras metálicas em balanço, paredes verdes e privacidade inteligente, o projeto paisagístico de Le Nôtre ajuda a manter um vegetação exuberante com uso racional de água e controle climático. “Utilizamos sensores de solo, válvulas inteligentes e sistema de fertirrigação. O sistema lê a umidade e previsão do tempo e rega apenas quando necessário”, explica Saladini.
A adoção dessas práticas também contribui para a conquista do Selo Verde — certificação que atesta práticas ambientais e agregação de valor ao imóvel. “As construtoras que integram soluções sustentáveis desde o projeto têm mais chances de obter a certificação, reduzir o impacto ambiental e, principalmente, destacar-se no mercado”, diz Saladini.
Entre os casos recentes da empresa, destacam-se ainda o Passeio Primavera, o telhado verde do edifício Fuso Concept Hall. “Cada projeto tem uma especificidade. Mas todos têm um princípio em comum: colocar a vida no centro das cidades.”
Enquanto o mercado imobiliário se transforma, o paisagismo técnico se consolida como diferencial competitivo e exigência ambiental. “Quem entender que engenharia e biologia precisam caminhar juntas vai construir o futuro”, finaliza Cláudio.

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