Você já parou para pensar como uma briga comercial do outro lado do mundo pode abrir portas para o Brasil? Pois é. A recente escalada tarifária entre Estados Unidos e China pode representar mais do que uma tensão entre gigantes: ela pode ser uma janela de oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Quem afirma isso é Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, que vê no atual cenário internacional um terreno fértil para o avanço das exportações brasileiras.
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GUERRA TARIFÁRIA PODE REDIRECIONAR A DEMANDA CHINESA
Segundo Rua, a imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos sobre produtos chineses — e vice-versa — tende a redesenhar rotas de comércio global. E nesse jogo, quem tiver escala, qualidade e competitividade sai na frente.
“Não só soja, como qualquer outro produto agregado”, afirmou o secretário, ao comentar as possíveis brechas deixadas pelos norte-americanos no mercado chinês.
Atualmente, os EUA são responsáveis por cerca de 30% da carne de frango, entre 16% e 18% da carne suína e 8% da carne bovina que a China importa. Se essas porcentagens caírem, adivinhe quem pode ocupar esse espaço? Exatamente: o Brasil.
BRASIL TEM ESCALA E CONFIABILIDADE, DIZ SECRETÁRIO
Luis Rua destacou que o Brasil tem diferenciais competitivos que poucos países conseguem oferecer. “Óbvio que, com os EUA saindo deste mercado [chinês], o Brasil se coloca à disposição. Lógico, existem outros players [concorrentes] mas, talvez, nem todos tenham a escala que o Brasil possui para poder apoiar [a China]”, observou.
Além da capacidade produtiva, o Brasil se destaca por oferecer produtos com qualidade, segurança sanitária e atributos sustentáveis. “Nos dias atuais, com tudo o que estamos vendo, poucas geografias do mundo têm a condição de entregar o que o Brasil entrega com os mesmos atributos. Porque o Brasil consegue ter um produto com qualidade, competitividade, sustentabilidade e sanidade”, afirmou o secretário, ressaltando que o país é livre de todas as doenças de notificação obrigatória para produtos de origem animal.
RELAÇÕES COMERCIAIS CONTINUARÃO ABERTAS, GARANTE GOVERNO
E como o Brasil vai se posicionar no meio desse embate? A resposta é clara: com diplomacia. Rua garantiu que o país manterá diálogo aberto com todas as nações, sem se alinhar a um lado da disputa.
“Temos dito que, nesta disputa entre duas grandes superpotências, cabe-nos o papel de sermos um promotor da geopolítica da paz. E é isso que faremos. Seja [negociando] com os EUA, com a China ou com qualquer outro país. O Brasil fala com todos os países e continuará falando. Não alteramos nossa estratégia”, reforçou o secretário.
RESULTADOS DEPENDERÃO DO APETITE CHINÊS
Apesar da expectativa otimista, Rua fez questão de ponderar que o sucesso dessa possível reconfiguração comercial dependerá, em última instância, da resposta da China.
“O resultado final dependerá do apetite chinês pelos produtos brasileiros”, concluiu, deixando claro que o Brasil está pronto, mas que o movimento precisa vir também da demanda.
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