Florianópolis tem a maior inflação do país em 2025, segundo a Udesc Esag

Você já sentiu seu dinheiro “sumir” antes do fim do mês? Se você vive em Florianópolis, não é só impressão: a capital catarinense acaba de conquistar — pela razão menos desejada — o topo do ranking de inflação entre 17 capitais brasileiras. E não é a primeira vez.

CUSTO DE VIDA NA ILHA SOBE MAIS DO QUE NO RESTO DO PAÍS

Com 6,85% de inflação acumulada nos últimos 12 meses, a cidade ultrapassou com folga a média nacional, que ficou em 5,48%, de acordo com levantamento da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Índice de Custo de Vida (ICV), calculado pelo Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) com apoio da Fundação Esag (Fesag).

O índice também revelou um aumento de 2,67% somente nos três primeiros meses de 2025, colocando Florianópolis novamente no primeiro lugar entre as capitais analisadas.

COMO O ÍNDICE É MEDIDO?

Embora o ICV seja uma metodologia própria da Udesc Esag, ele segue os mesmos princípios utilizados pelo IBGE na composição do IPCA, o índice oficial da inflação nacional. A principal diferença? O ICV foca na realidade local, avaliando a variação de preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos.

E por que é importante olhar para o acumulado de 12 meses? Porque ele evita distorções causadas por reajustes pontuais, como tarifas sazonais ou aumentos localizados.

ALIMENTOS LIDERAM DISPARADA DE PREÇOS

Se você tem a sensação de que fazer mercado está cada vez mais pesado, saiba que a pesquisa confirma isso. Dos dez itens que mais subiram de preço no último ano, sete são alimentos.

O café em pó, por exemplo, disparou 78,4%, enquanto o café solúvel subiu 66,9%. Também encareceram o tomate (40,2%), o filé mignon (33,2%), o morango (30,7%), a costela bovina (30,6%) e o azeite de oliva (30%).

Mas não parou por aí: materiais de construção e limpeza também apertaram o bolso, como as pedras para reparos (55,4%) e o amoníaco (45,6%), além do uniforme escolar, que teve alta de 31,5%.

TRANSPORTE, HABITAÇÃO E SAÚDE TAMBÉM PRESSIONAM O ORÇAMENTO

Entre os nove grandes grupos de consumo avaliados, alimentos e bebidas lideram com uma alta média de 9,08%. Logo depois vêm transportes (8,53%), habitação (7,80%), despesas pessoais (7,78%) e saúde e cuidados pessoais (7,22%).

Em contraste, vestuário apresentou queda de -1,98%, seguido por artigos de residência, com -0,69%. Comunicação, por sua vez, teve alta tímida de 1,60%.

UMA REALIDADE QUE PEDE PLANEJAMENTO

Os números não mentem: viver em Florianópolis está mais caro. E não é só por causa das belas praias ou do turismo aquecido. Há um conjunto de fatores econômicos e estruturais que impactam diretamente o custo de vida na região.

Diante disso, a pergunta que fica é: como se preparar para o restante do ano?

Com base em quase seis décadas de monitoramento mensal, o ICV da Udesc Esag oferece não apenas um retrato da inflação, mas também uma ferramenta essencial para decisões financeiras — tanto para famílias quanto para gestores públicos e privados.

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