Você já parou para pensar em quantas pessoas saem de casa para trabalhar e acabam não voltando? Ou quantas, mesmo voltando, carregam sequelas físicas e emocionais causadas pela rotina profissional? Em Santa Catarina, esse cenário está longe de ser apenas um dado estatístico – é uma realidade que mobilizou autoridades, sindicatos e especialistas em uma audiência pública que lotou o Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa, na última segunda-feira (28).
A iniciativa, promovida pelo presidente da Comissão de Saúde, deputado Neodi Saretta (PT), reuniu vozes em defesa de um ambiente de trabalho mais seguro, digno e saudável, em sintonia com o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, ambos lembrados em 28 de abril. “O dia de hoje é de reflexão, de compromisso e de respeito à vida. É muito importante promover uma cultura de segurança e saúde no ambiente laboral”, afirmou o parlamentar.

Conteúdos
- NÚMEROS QUE CHOCAM: UMA TRAGÉDIA COTIDIANA NOS LOCAIS DE TRABALHO
- O SILÊNCIO DAS DOENÇAS INVISÍVEIS: SAÚDE MENTAL EM ALERTA
- NOVAS NORMAS, NOVAS ESPERANÇAS: O QUE ESPERAR DA ATUALIZAÇÃO DA NR-1?
- O FUTURO EM FOCO: MAIS FISCAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS NO HORIZONTE
- UNIÃO DE FORÇAS: ENTIDADES SINDICAIS COBRAM COMPROMISSO COLETIVO
NÚMEROS QUE CHOCAM: UMA TRAGÉDIA COTIDIANA NOS LOCAIS DE TRABALHO
Mesmo com uma redução de 13% nos registros de acidentes em comparação com o ano anterior, os números ainda assustam. Em 2024, o estado catarinense contabilizou 37 mil acidentes de trabalho – uma média de quatro por hora. No total, 186 trabalhadores perderam a vida em suas funções, conforme dados do Ministério da Previdência Social.
E esses são apenas os casos notificados. “A realidade é mais dura. Muitos acidentes não entram nessas estatísticas”, alertou Saretta. “Precisamos de mecanismos mais eficazes de notificações.”
O SILÊNCIO DAS DOENÇAS INVISÍVEIS: SAÚDE MENTAL EM ALERTA
Mas não é só com acidentes que devemos nos preocupar. Há uma epidemia silenciosa crescendo no ambiente corporativo: os transtornos mentais. Lesões por esforço repetitivo, estresse crônico, ansiedade, depressão e burnout compõem um cenário preocupante.
Santa Catarina, apesar de ser apenas o 10º estado mais populoso do Brasil, já aparece em 4º lugar no ranking de afastamentos por saúde mental. Em 2024, 16 mil catarinenses foram afastados por transtornos como ansiedade e depressão. No ano anterior, esse número ultrapassou os 33 mil afastamentos por sofrimento psíquico.
NOVAS NORMAS, NOVAS ESPERANÇAS: O QUE ESPERAR DA ATUALIZAÇÃO DA NR-1?
No centro dos debates esteve a Norma Regulamentadora NR-1, cuja atualização promete transformar a forma como as empresas lidam com riscos psicossociais. De acordo com a proposta, metas abusivas, jornadas extensas, assédio moral e falta de apoio psicológico poderão, se comprovados, resultar em multas de R$ 500 a R$ 6 mil por infração.
“O assédio moral é preocupante e cada vez mais recorrente no mercado de trabalho”, destacou o professor Carlos Magno, da União Geral dos Trabalhadores (UGT-SC).
No entanto, a entrada em vigor da nova NR-1, inicialmente prevista para maio de 2024, foi adiada para 2025 – e isso tem gerado críticas. “O adoecimento mental dos trabalhadores é uma realidade”, afirmou o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina (Fetiesc), Idemar Antônio Martini. “Com as atualizações, o Ministério do Trabalho passa a fiscalizar os riscos psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho.”
O FUTURO EM FOCO: MAIS FISCAIS E POLÍTICAS PÚBLICAS NO HORIZONTE
Para Paulo Eccel, superintendente do Ministério do Trabalho em Santa Catarina, o evento marca um passo importante para uma nova abordagem. Ele anunciou a contratação de 25 novos auditores fiscais que devem reforçar a fiscalização no estado a partir de agosto. “A partir de 2026, a saúde emocional dos trabalhadores será tratada de forma profissional”, garantiu.
Durante o evento, o médico perito Roberto Ruiz reforçou que “faltam políticas e prevenção efetivas, tanto para os acidentes graves quanto para os problemas emocionais que afetam os trabalhadores diariamente”. Para ele, a atualização da NR-1 representa o começo de uma mudança estrutural: “Esse instrumento vai criar obrigações para as empresas se preocuparem com a saúde mental de seus trabalhadores”.
UNIÃO DE FORÇAS: ENTIDADES SINDICAIS COBRAM COMPROMISSO COLETIVO
O encontro contou com ampla participação de entidades sindicais, como a CGT, UGT, Força Sindical, Movida, Fetiesc e a Nova Central Sindical, além de profissionais da saúde, representantes políticos e trabalhadores. O recado foi unânime: é hora de agir.
“Esta audiência é fundamental para tornar visível o que por muito tempo foi invisível: o impacto real que o ambiente de trabalho pode ter na vida das pessoas”, concluiu o deputado Saretta. “Nenhum trabalhador deve ter sua saúde ou sua vida comprometida por exercer sua profissão. Que essa data seja um marco para mudanças reais.”

Foto: Giovanni Kalabaide / Agência AL
CONECTE-SE COM O CONECTA SC
Acompanhe o Portal Conecta SC e fique por dentro das notícias, eventos e dicas de turismo de Santa Catarina também nas redes sociais: Facebook | LinkedIn | Instagram
Receba os destaques semanais do Portal Conecta SC por email, assine nossa newsletter ou participe do nosso grupo no WhatsApp.

Grande Florianópolis alcança um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil
Santa Catarina ultrapassa 10 mil multas por porte e uso de drogas em locais públicos desde 2024
Detran-SC orienta motoristas a buscar CNHs antes da destruição
Lula reage à tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil: “Quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós”