Qual é o lugar do Brasil no mundo quando o assunto é qualidade de vida, educação e renda? O novo Relatório de Desenvolvimento Humano, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), ajuda a responder essa pergunta. Em 2023, o país subiu cinco posições no ranking global e agora ocupa o 84º lugar entre 193 nações. Um salto que, mesmo discreto, sinaliza avanços importantes na trajetória de desenvolvimento humano.
Conteúdos
- O QUE É O IDH E POR QUE ELE IMPORTA?
- COMO O BRASIL EVOLUIU NO RANKING MUNDIAL
- LATINO-AMERICANOS EM DESTAQUE
- A DESIGUALDADE SOCIAL AINDA PESAM NO RESULTADO
- DIFERENÇAS ENTRE HOMENS E MULHERES NO IDH
- A PEGADA DE CARBONO E O IDH AJUSTADO
- QUEM SÃO OS LÍDERES E LANTERNAS DO MUNDO?
- CRESCIMENTO ESTÁVEL, MAS LENTO
- INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: TEMA CENTRAL DO RELATÓRIO 2024
O QUE É O IDH E POR QUE ELE IMPORTA?
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma das mais respeitadas ferramentas para medir o progresso de um país. Ele considera três pilares essenciais: expectativa de vida ao nascer, anos de escolaridade e PIB per capita. Em uma escala que vai de 0 a 1, quanto mais alto o índice, maior o nível de desenvolvimento humano.
No caso do Brasil, o IDH passou de 0,780 em 2022 para 0,786 em 2023, um crescimento de 0,77%. Isso manteve o país na categoria de desenvolvimento humano alto e é o melhor resultado desde a criação do índice.
COMO O BRASIL EVOLUIU NO RANKING MUNDIAL
Embora a média global tenha alcançado 0,756, o Brasil superou essa marca e subiu na classificação. Em 2022, o país estava na 89ª posição. Com a atualização dos dados, foi ajustado para o 86º lugar, e em 2023, chegou à 84ª colocação, ultrapassando países como Moldávia e empatando com Palau.
LATINO-AMERICANOS EM DESTAQUE
Na América Latina, o Chile lidera com um IDH de 0,878, ocupando o 45º lugar no mundo. Outros nove países da região também estão no grupo de alto desenvolvimento: Argentina, Uruguai, Antígua e Barbuda, São Cristóvão e Névis, Panamá, Costa Rica, Bahamas, Barbados e Trinidad e Tobago.
A média regional também apresentou crescimento, indo de 0,778 em 2022 para 0,783 em 2023.
A DESIGUALDADE SOCIAL AINDA PESAM NO RESULTADO
Apesar da melhora, o Brasil enfrenta desafios quando o IDH é ajustado à desigualdade. Nesse caso, o país tem um IDH de 0,594, caindo para a 105ª posição e entrando na categoria de desenvolvimento humano médio.
Essa diferença mostra que, embora os números gerais sejam positivos, a realidade de milhões de brasileiros ainda é marcada por disparidades em acesso à educação, renda e serviços de saúde.
DIFERENÇAS ENTRE HOMENS E MULHERES NO IDH
Um dado curioso: no Brasil, as mulheres têm um IDH ligeiramente superior ao dos homens (0,785 contra 0,783). Elas vivem mais e estudam mais anos, mas ainda ganham menos, o que afeta o resultado final do PIB per capita.
A PEGADA DE CARBONO E O IDH AJUSTADO
Quando o IDH é ajustado pela pegada de carbono, o Brasil aparece com um índice de 0,702, subindo para a 77ª posição. Esse dado reflete uma vantagem ambiental importante: mesmo com desafios sociais, o país tem uma matriz energética mais limpa e menor emissão de carbono per capita em comparação com outras nações desenvolvidas.
QUEM SÃO OS LÍDERES E LANTERNAS DO MUNDO?
A Islândia assumiu a liderança do ranking global, com um IDH de 0,972, ultrapassando Noruega e Suíça. As seis primeiras posições pertencem a países europeus, incluindo Dinamarca, Alemanha e Suécia.
No outro extremo, o Sudão do Sul tem o pior desempenho global (0,388). Nove dos dez últimos colocados estão na África, e o Iêmem, em guerra civil, ocupa o décimo pior IDH do planeta.
CRESCIMENTO ESTÁVEL, MAS LENTO
Apesar do avanço, o coordenador do relatório, Pedro Conceição, lança um alerta:
“Estamos progredindo de forma mais lenta. Se continuássemos no ritmo anterior a 2020, estaríamos muito próximos do grupo de IDH muito alto em 2030. Mas esse progresso está achatado e pode ter sido adiado por décadas”.
Conceição ainda destaca outro ponto preocupante:
“Países com IDH baixo estão ficando para trás, pelo quarto ano consecutivo. Isso rompe uma tendência de convergência global que durou décadas”.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: TEMA CENTRAL DO RELATÓRIO 2024
Neste ano, o tema que guia o Relatório de Desenvolvimento Humano é a inteligência artificial. Segundo o administrador do Pnud, Achim Steiner, o mundo precisa aprender a usar essa tecnologia para impulsionar, e não frear, o progresso humano.
“Nossa capacidade de explorar essa nova fronteira exige cooperação internacional. Os países ricos devem ajudar os mais pobres a integrar essa nova economia emergente”, defende Steiner.
E conclui:
“A inteligência artificial pode ampliar nossa engenhosidade, imaginação e empreendedorismo. Mas isso só acontecerá se enfrentarmos juntos os riscos que ameaçam o nosso futuro”.
Fonte: Agência Brasil
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