Murais de Antonieta de Barros e Franklin Cascaes renascem no centro de Florianópolis

Quem passa pelo Centro de Florianópolis já começa a notar o retorno de dois ícones visuais que marcaram — e continuam marcando — a história da cidade: os murais gigantes que homenageiam Antonieta de Barros e Franklin Cascaes estão sendo recriados com nova roupagem, mais cores e ainda mais significado.

As obras, que antes decoravam as laterais do Edifício Atlas, na Rua Tenente Silveira, foram removidas temporariamente para que o prédio passasse por reformas estruturais. Mas agora, voltam a ocupar seus espaços com uma proposta artística renovada — e profundamente simbólica.

Foto: Beatriz Macieski

NOVAS CAMADAS PARA VELHAS HISTÓRIAS

Sob a curadoria dos artistas Thiago Valdi e Monique Cavalcanti (a Gugie), os novos murais não apenas recuperam as imagens anteriores, mas recontam as trajetórias de Antonieta e Cascaes com novos elementos visuais. A proposta vai além da restauração: trata-se de uma verdadeira recriação, com componentes que ampliam a narrativa sobre quem foram essas figuras essenciais para a cultura e a identidade de Florianópolis.

“Ela mesma me aconselhou, de certa forma, a fazer essa pintura ali. Acho isso muito especial. Mudou totalmente a minha vida também”, revela Gugie, ao comentar sobre sua conexão com a história de Antonieta — primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil. Seu rosto, agora, volta a estampar o centro da capital catarinense como símbolo de força, representatividade e inspiração para tantas outras mulheres.

QUANDO A CIDADE RESPIRA CULTURA

Com 34 metros de altura, os painéis ocupam as duas laterais do prédio e exigem um esforço coletivo: são mais de 300 litros de tinta e cerca de 200 horas de trabalho de uma equipe com mais de 20 pessoas. Tudo para devolver à cidade dois dos murais mais emblemáticos do Sul do Brasil — os únicos de grande porte a dividirem uma mesma estrutura com homenagens tão poderosas.

A obra sobre Antonieta foi criada originalmente em 2020, enquanto a de Cascaes, em 2017, já havia passado por uma atualização em 2021. Agora, com um novo capítulo sendo escrito, as pinturas ganham vida com ainda mais densidade cultural.

ARTE URBANA COMO PATRIMÔNIO AFETIVO

Não se trata apenas de embelezar a cidade. A arte urbana, especialmente em grande escala, tem um poder único: o de se tornar parte do imaginário coletivo. Quantos de nós já passamos por ali e sentimos orgulho, curiosidade ou até emoção ao ver aqueles rostos gigantescos nos encarando do alto?

“Essa iniciativa reforça o compromisso coletivo com a preservação da memória por meio da arte”, diz Valdi. Ele lembra o impacto da ausência dos murais: “Muita gente se comoveu ao ver os murais apagados, porque essas imagens passaram a fazer parte do cotidiano, da paisagem e do imaginário cultural de Florianópolis”.

Foto: Beatriz Macieski

UM RENASCIMENTO POSSÍVEL GRAÇAS À COLABORAÇÃO

A recriação dos murais foi viabilizada com recursos da iniciativa privada, reunindo empresas que entenderam o valor simbólico desse resgate. O projeto conta com apoio do Sicoob SC/RS, Resicolor Tintas, Colorgin Arte Urbana, Construtora Engenho e Instituto Maratona Cultural. A iniciativa segue o mesmo modelo dos murais anteriores, combinando esforços da comunidade, artistas e empresas para manter viva a memória da cidade.

A previsão é que as obras sejam finalizadas ainda em maio, devolvendo à paisagem urbana não apenas duas imagens, mas dois legados — agora mais vivos do que nunca.

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