Enquanto o país ainda busca caminhos para conciliar desenvolvimento e sustentabilidade, uma nova proposta em debate no Congresso Nacional acende um alerta vermelho entre ambientalistas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil. Você já ouviu falar do PL 2159/2021? Talvez o conheça por um nome mais direto e alarmante: o “PL da Devastação”.
Neste domingo (1), centenas de vozes ecoaram nas ruas de várias cidades brasileiras para dizer “não” ao projeto que, segundo críticos, representa o maior retrocesso ambiental em décadas. Só em São Paulo, a manifestação na Avenida Paulista contou com o apoio de 80 organizações socioambientais.
Conteúdos
- O QUE É O PL DA DEVASTAÇÃO?
- “MÃE DE TODAS AS BOIADAS”: A REAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
- LICENCIAMENTO: OBSTÁCULO OU PROTEÇÃO?
- POVOS ORIGINÁRIOS ALERTAM SOBRE RISCOS A TERRITÓRIOS
- QUEM PAGA A CONTA? OS MAIS VULNERÁVEIS
- QUANDO A ARTE VAI À LUTA
- DEMOCRACIA EM JOGO: SOLIDARIEDADE À MARINA SILVA
- RESISTÊNCIA CONTINUA: PARTICIPE!
O QUE É O PL DA DEVASTAÇÃO?
O Projeto de Lei 2159/2021 propõe uma nova legislação para o licenciamento ambiental no Brasil. O texto, aprovado no Senado com 54 votos a favor e 13 contrários, volta agora para a Câmara dos Deputados, já que sofreu alterações.
Entre os pontos mais controversos, o projeto dispensa licenciamento para atividades consideradas de baixo risco ambiental, além de liberar automaticamente empreendimentos agropecuários de pequeno porte e projetos ligados à soberania nacional ou a situações de calamidade pública.
Ambientalistas afirmam que essas mudanças podem abrir brechas perigosas para que obras e iniciativas impactantes escapem da análise técnica e do controle social.
“MÃE DE TODAS AS BOIADAS”: A REAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
As manifestações deste fim de semana não surgiram do nada. Elas são fruto de anos de resistência contra a tentativa de flexibilizar o licenciamento ambiental, estratégia que ganhou visibilidade ainda durante a pandemia, quando o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, declarou a necessidade de “passar a boiada”.
O apelido “mãe de todas as boiadas” não é à toa. Para Marco Martins, arquiteto urbanista e porta-voz da Rede Sustentabilidade, o projeto “desestrutura completamente o licenciamento ambiental”:
“Com esse PL, o empreendedor passa a dizer por conta própria se sua obra causa impacto ambiental. Isso é um risco gigantesco, porque desobriga qualquer contrapartida, desconsidera comunidades indígenas, unidades de conservação, e impede a fiscalização.”
Martins também destacou que a proposta coloca em xeque os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil em conferências internacionais, como as COPs. “É um retrocesso que afeta a economia, o clima, o preço dos alimentos e até a segurança da população”, disse.
LICENCIAMENTO: OBSTÁCULO OU PROTEÇÃO?
Na outra ponta do debate, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do projeto, defende que a proposta visa dar mais clareza, agilidade e segurança jurídica ao processo de licenciamento, combatendo a burocracia e favorecendo investimentos:
“A proposta não enfraquece o licenciamento ambiental, muito pelo contrário. Ela reafirma o compromisso com o rigor técnico, exige estudos de impacto ambiental, audiências públicas e avaliações trifásicas para grandes obras. E até dobra a pena para quem desrespeitar a legislação.”
No entanto, o argumento de eficiência não convence parte do governo federal. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, já se posicionou publicamente contra o texto:
“Não é a primeira vez que sofremos derrotas em agendas estratégicas, mas vamos continuar dialogando com o Congresso. Precisamos de uma base de sustentação sólida para proteger o meio ambiente.”
POVOS ORIGINÁRIOS ALERTAM SOBRE RISCOS A TERRITÓRIOS
Um dos segmentos mais afetados pelo PL seriam os povos indígenas, cujos territórios frequentemente estão sob pressão de empreendimentos e mineração.
O líder indígena Werá Mirim, do povo Guarani Mbyá, reforça que a luta vai além da demarcação de terras:
“Esse PL facilita a entrada de invasores e ameaça o planeta. Ele destrói florestas, polui rios e afeta todos nós — principalmente as futuras gerações. Queremos paz, não conflitos. Queremos proteger nosso território, nossos povos e o ar que respiramos.”
QUEM PAGA A CONTA? OS MAIS VULNERÁVEIS
A organização Oxfam Brasil publicou um alerta contundente sobre os impactos sociais do projeto. Em nota oficial, a entidade declarou:
“A flexibilização ignora as desigualdades estruturais do Brasil e favorece a expulsão de comunidades de seus territórios. Isso significa mais deslocamentos climáticos, mais insegurança alimentar e menos condições de vida digna. Enquanto grandes empreendimentos lucram, são as comunidades negras, indígenas e periféricas que ficam com a lama, a fumaça e a falta d’água.”
E conclui:
“Licenciamento ambiental não é obstáculo. É proteção. É direito.”
QUANDO A ARTE VAI À LUTA
Em meio aos protestos, personagens como o artivista Ivan Munz deram um tom criativo à resistência. Com um triciclo customizado, ele alertava para a conexão entre o aumento do gado e o desmatamento.
“Quanto mais boi, maior será o desmatamento e também os efeitos das mudanças climáticas”, afirmou.
DEMOCRACIA EM JOGO: SOLIDARIEDADE À MARINA SILVA
Durante os protestos, muitos também manifestaram solidariedade à ministra Marina Silva, que foi verbalmente atacada por senadores durante uma audiência no Senado. Para os manifestantes, o episódio representou não apenas uma ofensa pessoal, mas um ataque à democracia e às políticas ambientais brasileiras.
“Estamos aqui em defesa da ministra e também do Ibama, do ICMBio e de todos os órgãos que são alvo constante de deslegitimação por parte de certos congressistas”, declarou Marco Martins.
RESISTÊNCIA CONTINUA: PARTICIPE!
Além das manifestações de rua, as organizações lançaram o portal PL da Devastação, que reúne informações, materiais de campanha e ferramentas para pressionar deputados e deputadas a rejeitarem o projeto.
O Brasil vive um momento decisivo. E a pergunta que não quer calar é: qual o custo de abrir mão da proteção ambiental em nome da agilidade? Para muitos, esse custo é alto demais. Afinal, sem floresta, sem água limpa e sem ar puro, não há investimento que compense.
Fonte: Agência Brasil
CONECTE-SE COM O CONECTA SC
Acompanhe o Portal Conecta SC e fique por dentro das notícias, eventos e dicas de turismo de Santa Catarina também nas redes sociais: Facebook | LinkedIn | Instagram
Receba os destaques semanais do Portal Conecta SC por email, assine nossa newsletter ou participe do nosso grupo no WhatsApp.

Grande Florianópolis alcança um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil
Santa Catarina ultrapassa 10 mil multas por porte e uso de drogas em locais públicos desde 2024
Detran-SC orienta motoristas a buscar CNHs antes da destruição
Lula reage à tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil: “Quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós”