Países do Brics defendem nova ordem internacional centrada na justiça e no multilateralismo

A declaração do Rio reafirma o protagonismo do Sul Global e reforça compromissos com a paz, o clima e o desenvolvimento inclusivo.

Na 17ª Cúpula de Líderes, realizada no Rio de Janeiro neste domingo (6), os países do Brics deram um passo firme rumo à redefinição da governança internacional. Com uma visão que coloca o Sul Global no centro das transformações, o grupo — que agora reúne 11 membros permanentes — divulgou a “Declaração do Rio de Janeiro: Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”.

A partir de 126 pontos organizados em cinco grandes eixos, o documento consolida o compromisso do Brics com uma ordem internacional mais justa, pacífica, inclusiva e sustentável. Mas será que o mundo está pronto para ouvir as vozes que vêm do Sul?

SUL GLOBAL COMO PROTAGONISTA DA MUDANÇA

A declaração enfatiza o papel estratégico das nações em desenvolvimento nas decisões que moldam o futuro do planeta. Para o grupo, o atual cenário de tensões geopolíticas, desafios migratórios e avanços tecnológicos exige um novo equilíbrio de forças.

“Acreditamos que os países do BRICS continuam a desempenhar um papel central na expressão das preocupações e prioridades do Sul Global, assim como na promoção de uma ordem internacional mais justa, sustentável, inclusiva, representativa e estável, com base no direito internacional”, afirma o documento.

O bloco é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia — países que somam 39% da economia global, quase metade da população mundial e 23% do comércio internacional.

CONFLITOS INTERNACIONAIS E CHAMADO À PAZ

O Brics demonstrou preocupação com os conflitos armados em curso, condenando, inclusive, ações militares recentes contra países do bloco. Em relação ao Irã, os países classificaram os ataques sofridos desde 13 de junho como violações do direito internacional.

“Condenamos os ataques militares contra a República Islâmica do Irã […] e expressamos profunda preocupação com a subsequente escalada da situação de segurança no Oriente Médio”, diz o texto.

Sobre Gaza, o documento é claro ao pedir um cessar-fogo imediato e incondicional, a retirada total de tropas israelenses e a libertação de reféns.

Em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia, os líderes valorizam soluções diplomáticas:

“Registramos com apreço as propostas relevantes de mediação […] voltadas para a resolução pacífica do conflito por meio do diálogo e da diplomacia”.

UM NOVO MODELO DE COOPERAÇÃO ECONÔMICA

E como fomentar uma economia mais inclusiva entre os países em desenvolvimento? O Brics respondeu com propostas que visam reformar a governança financeira internacional. O grupo quer criar um sistema tributário mais justo, combater fluxos ilícitos e garantir que empresas, especialmente as micro e pequenas, possam prosperar.

“Temos como meta aprofundar a coordenação global entre as autoridades tributárias, assegurar uma alocação justa dos direitos de tributação e combater a evasão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos”.

FOCO NA SUSTENTABILIDADE E NA COP30

As mudanças climáticas ganharam destaque no documento. Os países reafirmaram apoio ao Acordo de Paris e à próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), que será presidida pelo Brasil em 2025, em Belém (PA).

“Reafirmarmos ainda nosso firme compromisso de enfrentar a mudança do clima ao fortalecer a implementação plena e efetiva do Acordo de Paris”, afirma o texto.

O bloco também endossou a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma proposta brasileira que será lançada oficialmente na COP30.

“Saudamos os planos para lançar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre […] e o reconhecemos como um mecanismo inovador concebido para mobilizar financiamento de longo prazo […] para a conservação de florestas tropicais”.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: POTENCIAL E RISCOS

Entre os assuntos que movimentaram a cúpula, a governança da inteligência artificial (IA) foi uma das pautas mais estratégicas. Os países defendem um modelo internacional que garanta segurança, transparência e acesso igualitário à tecnologia.

“A governança global da IA deve mitigar potenciais riscos e atender às necessidades de todos os países, incluindo os do Sul Global”.

Com as Nações Unidas no centro dessa arquitetura, o grupo pede colaboração internacional para ampliar capacidades técnicas nos países em desenvolvimento — respeitando as legislações nacionais.

DOCUMENTOS FINAIS APROVADOS PELO BRICS

Além da declaração principal, a Cúpula aprovou mais três documentos relevantes:

O que tudo isso representa? Um avanço importante para consolidar o Brics como uma força de transformação global — não apenas em termos econômicos, mas sociais, ambientais e políticos.

A Declaração do Rio marca um novo momento: um em que o Sul Global deixa de ser apenas observado e passa a ser protagonista na construção de um futuro mais equilibrado.

Fonte: Agência Brasil

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