Em um mundo cada vez mais digital, o brasileiro vem mostrando que está conectado não apenas para entretenimento, mas também para movimentar seu dinheiro. Segundo dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE, divulgada em julho de 2025, mais de 119,6 milhões de brasileiros utilizaram a internet para acessar bancos ou outras instituições financeiras em 2024. Esse número representa um salto impressionante de 22,5 milhões de pessoas desde 2022.
Mas afinal, o que explica esse crescimento tão acelerado? Será que estamos mesmo vivendo a era do “banco no bolso”?
Conteúdos
A ASCENSÃO DO INTERNET BANKING E DO PIX
A pesquisa, que integra o suplemento sobre tecnologia da informação e comunicação da Pnad, mostra que em 2024, 71,2% dos internautas brasileiros usaram serviços bancários online, contra 60,1% em 2022 e 66,7% em 2023. É um avanço de 11,1 pontos percentuais em apenas dois anos.
Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, destaca: “Foi um aumento muito rápido, 11,1 pontos percentuais em um período de dois anos”.
Mas o que está por trás dessa explosão de acesso? Segundo Fontes, embora a pesquisa não detalhe quais serviços são usados, o crescimento pode estar ligado a dois fatores fundamentais:
“Pode ser pelo aumento da bancarização, mas também, cada vez mais pessoas fazem uso de bancos por meio de aplicativos de celular, por exemplo. O uso do Pix se expandiu muito de forma rápida”, explica.
E complementa Leonardo Quesada, também analista do IBGE: “O Pix acaba também favorecendo muito isso porque a pessoa acaba usando ali dentro no celular, no celular usando a internet, tem aplicativo do banco, então eu acho que facilitou… só que a gente acaba tendo uma série meio curta para comparar antes do Pix. Então a gente não pode dizer somente em relação ao Pix, mas eu acho que faz sentido, sim, ele ter fortalecido esse movimento”.
BANCAÇÃO EM ALTA E PIX COMO MOTOR DA INCLUSÃO FINANCEIRA
O Banco Central confirma esse movimento de crescimento: em junho de 2025, havia 202,5 milhões de pessoas físicas com contas bancárias no país, um aumento de 6% em comparação ao final de 2022.
Além disso, o Pix, criado em novembro de 2020, já conta com quase 160 milhões de pessoas cadastradas — uma revolução na forma de realizar pagamentos instantâneos no Brasil.
CRESCIMENTO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DIGITAIS E DO COMÉRCIO ELETRÔNICO
E não é só no setor financeiro que a internet tem ganhado protagonismo. O acesso a serviços públicos online também aumentou significativamente.
Em 2022, 54 milhões de pessoas utilizaram algum serviço público pela internet, número que saltou para 65,2 milhões em 2024 — passando de 33,4% para 38,8% dos usuários da rede.
“Têm sido disponibilizados cada vez mais serviços públicos por meio da internet”, ressalta Gustavo Fontes.
O comércio eletrônico também acompanha essa tendência: em 2022, 42% dos internautas fizeram alguma compra ou encomenda pela internet; em 2024, esse percentual já é de 48,1%.
COMO OS BRASILEIROS USAM A INTERNET? MUDANÇAS DE HÁBITO EM PAUTA
Você sabia que o principal uso da internet pelos brasileiros mudou? De 2019 a 2024, as chamadas de voz e vídeo ultrapassaram as mensagens de texto.
Em 2019, enviar mensagens por aplicativos (como WhatsApp) era a atividade mais comum, com 95,8% dos usuários praticando. Em 2024, essa atividade caiu para 90,2%, enquanto a conversação por chamadas de voz ou vídeo subiu para 95%, consolidando-se como a principal forma de uso da internet no país.
AS APOSTAS ONLINE CRESCEM, MAS AINDA NÃO SÃO MEDIDAS PELO IBGE
Um fenômeno que tem ganhado força, mas ainda não está mensurado pelo IBGE, é o acesso às plataformas digitais de apostas — as chamadas bets.
Segundo o estudo “Raio X do Investidor Brasileiro”, da Anbima, 23 milhões de pessoas fizeram pelo menos uma aposta online em 2024, o que representa 15% da população acima de 16 anos.
O IBGE reconhece que esse tipo de uso “explodiu no país” e avalia a possibilidade de incluí-lo nas próximas edições da pesquisa.
“Essa parte tecnologia tem evoluído muito rápido, sejam serviços, sejam hábitos de uso de internet, então é claro que, em uma próxima revisão, a gente pode avaliar a possibilidade de incluir itens que a gente considera que são relevantes”, afirma Fontes.
Fonte: IBGE
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