Nova presidenta da UNE convoca a juventude para ir às ruas em defesa da soberania nacional

Estudante paulista assume presidência da entidade e anuncia mobilizações em defesa da democracia, permanência estudantil e contra interferências externas

A União Nacional dos Estudantes (UNE) inicia um novo capítulo sob o comando de Bianca Borges, 25 anos, estudante de Letras do Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Eleita com mais de 80% dos votos no Congresso Nacional da entidade (Conune), realizado em Goiânia, a nova presidenta assume em um momento tenso da política internacional e com desafios estruturais no ensino superior brasileiro.

Logo nos primeiros dias de mandato, a UNE chama a juventude para as ruas: no dia 1º de agosto, data marcada para o início da nova política tarifária dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, o movimento liderará manifestações em diversas cidades, em defesa da soberania nacional e contra o avanço da extrema-direita.

“Nossa geração não vai assistir calada à tentativa de subordinar o país a interesses estrangeiros. Vamos reagir nas ruas e nas universidades”, disse Bianca em sua primeira fala oficial.

ATO NACIONAL MARCA REAÇÃO ESTUDANTIL AO TARIFAÇO

A medida econômica anunciada por Donald Trump, que impõe taxas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, foi recebida como um sinal de hostilidade política. Para a UNE, não se trata apenas de economia, mas de uma tentativa de interferência direta na soberania do Brasil.

O estopim da crise foi a divulgação de uma carta do ex-presidente americano ao presidente Lula, solicitando anistia a Jair Bolsonaro, hoje réu no Supremo Tribunal Federal. A UNE classificou o gesto como uma “ofensa diplomática grave”.

“Isso precisa ser respondido com mobilização popular. A UNE vai liderar essa resposta, com apoio de outros movimentos sociais e frentes populares”, afirmou a presidenta.

Em Santa Catarina, a mobilização também será impulsionada por lideranças políticas e estudantis. A secretária de Juventude do Partido dos Trabalhadores no estado, Brenda Neves, destacou a importância do momento:

“Acredito que o dia 1º de agosto vai marcar um novo tempo, em que vamos iniciar os debates sobre a soberania do país, reafirmar o que o presidente Lula tem trabalhado nesse mandato, não abaixar a cabeça para o imperialismo e entender que os mais ricos devem pagar mais impostos, equalizando a taxação no país. É importante a gente estar alinhado à UNE e ao governo Lula, que sempre defendeu a educação, a soberania e a classe trabalhadora” declara Brenda Neves.

NOVA DIREÇÃO REPRESENTA FRENTE AMPLA CONTRA O EXTREMISMO

A eleição de Bianca também simboliza uma unificação inédita de forças progressistas dentro da UNE. A chapa vitoriosa, batizada de Unidade e coragem em defesa do Brasil, reuniu militantes e juventudes de PT, PCdoB, PSB, PDT e PSOL — uma frente ampla construída para enfrentar os retrocessos democráticos e fortalecer a defesa da educação pública.

Outras chapas participaram da disputa: a chapa 2, com proposta de oposição independente, obteve pouco mais de 17% dos votos, enquanto a chapa 1 foi retirada do processo.

A nova gestão terá a missão de representar milhões de estudantes em um cenário de pressão fiscal, cortes orçamentários e altos índices de evasão no ensino superior.

EDUCAÇÃO SOB PRESSÃO: EVASÃO ALCANÇA NÍVEIS CRÍTICOS

Dados recentes do Censo da Educação Superior revelam um cenário preocupante: mais da metade dos estudantes matriculados em instituições públicas abandonam seus cursos antes da conclusão. Nas universidades privadas, o índice ultrapassa os 60%. Entre os cursos de licenciatura, a evasão chegou a 58% em 2022, o pior patamar da década.

“Não podemos aceitar um país onde jovens da periferia e da classe trabalhadora tenham que desistir da faculdade por falta de condições de se manter estudando”, alertou Bianca.

Para enfrentar esse problema, a UNE cobra mais investimentos e a retirada da educação das amarras do arcabouço fiscal, que limita os gastos públicos mesmo em áreas sociais estratégicas.

PROTAGONISMO FEMININO SE CONSOLIDA NA UNE

A chegada de Bianca reforça uma tendência dos últimos 15 anos: a liderança feminina no movimento estudantil. Das sete últimas gestões da UNE, seis foram presididas por mulheres, evidenciando uma mudança profunda no perfil das representações estudantis.

“A presença das mulheres no ensino superior é conquista recente, mas chegou para transformar. Liderar com sensibilidade e firmeza é um ato político poderoso”, declarou.

GOVERNO FEDERAL AVANÇA, MAS UNE PEDE MAIS

Durante o Conune, o presidente Lula sancionou a lei que destina recursos do Fundo Social à assistência estudantil, beneficiando especialmente alunos cotistas nas instituições federais. A iniciativa soma-se ao programa Pé-de-Meia Licenciaturas, que garante bolsa de R$ 1.050 mensais para estudantes de cursos de formação de professores via Sisu.

Apesar dos avanços, a UNE considera que os recursos ainda são insuficientes diante do tamanho da crise:

“A educação precisa ser prioridade orçamentária. Não dá para manter um país desigual tentando economizar onde mais se precisa investir”, criticou a presidenta.

Fonte: Agência Brasil

CONECTE-SE COM O CONECTA SC

Quer acompanhar as principais notícias, eventos e curiosidades sobre Santa Catarina? Siga o Conecta SC nas redes sociais:
👉 Facebook | LinkedIn | Instagram
💌 Receba nossos destaques semanais: Assine a newsletter
📱 Entre no nosso grupo do WhatsApp: Clique aqui

 

Exit mobile version