Projeto cultural transforma experiências em ações de consciência ambiental

O artista Gabriel Bicho inicia nesta semana o projeto “Eu quero viver”, uma iniciativa que integra o Ciclo de Exposições promovido pelo Centro Cultural Veras, realizada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura da Fundação Franklin Cascaes. O projeto surge como uma reflexão sobre consciência ambiental, biodiversidade e a importância da preservação das árvores brasileiras frente à expansão predatória humana.

Dividido em três atos, o projeto propõe uma experiência artística que transcende a mera contemplação visual, convidando o público a refletir sobre a relação entre o ser humano e o ambiente natural. Para esta edição, o artista, nascido na Amazônia, irá trabalhar especificamente com espécies nativas da Mata Atlântica, destacando a relevância da preservação das florestas brasileiras e da resiliência de suas árvores diante das ameaças ambientais.


COLETA DE HISTÓRIAS SOBRE ÁRVORES NA FEIRINHA DA UFSC

O primeiro ato do projeto acontece nesta quarta-feira (20), a partir das 14h, na Feirinha da UFSC, localizada no campus da Trindade em Florianópolis. Gabriel Bicho, acompanhado da artista Erika Artmann, irá coletar histórias sobre a relação das pessoas com as árvores.

O objetivo desta etapa é registrar memórias, impressões e experiências por meio de diferentes linguagens, como áudio, textos e desenhos. Esses registros serão transformados em faixas coletivas, que comporão a próxima etapa do projeto: o Ateliê Aberto. Segundo Gabriel Bicho, “essa fase é fundamental para integrar a experiência individual ao processo artístico coletivo, tornando visível a conexão entre o público e a natureza”.

A iniciativa evidencia a importância da consciência ambiental ao permitir que os participantes reflitam sobre sua interação com o meio ambiente e sobre a necessidade de proteção das espécies nativas. A coleta de histórias, além de registrar memórias afetivas, contribui para construir um panorama do vínculo humano com as árvores, especialmente em contextos urbanos, onde a presença da natureza muitas vezes é limitada.


ATELIÊ ABERTO: PRODUÇÃO COLETIVA DAS FAIXAS ARTÍSTICAS

O segundo ato do projeto será o Ateliê Aberto com Gabriel Bicho, programado para os dias 30 de agosto e 6 de setembro, na sede do Centro Cultural Veras, no bairro Córrego Grande. Durante esses encontros, os participantes terão a oportunidade de produzir coletivamente faixas que expressam a luta das árvores brasileiras.

Cada faixa refletirá a narrativa construída a partir das histórias coletadas na Feirinha da UFSC, unindo perspectivas individuais e experiências coletivas em uma obra de arte colaborativa. Os participantes assinarão as obras junto ao artista, fortalecendo o caráter participativo e engajado do projeto.

Essa etapa do projeto reforça a importância de envolver a comunidade na discussão sobre preservação ambiental e biodiversidade, estimulando uma consciência ambiental que extrapola o âmbito artístico e se conecta diretamente com práticas de cuidado e valorização do meio ambiente.

Além disso, o Ateliê Aberto propicia um espaço de aprendizado e troca de conhecimento, permitindo que artistas e público em geral compartilhem técnicas, percepções e experiências sobre a relação entre arte e natureza. Essa aproximação reforça o papel da arte como instrumento de sensibilização e mobilização social para questões ambientais.


INTERVENÇÃO ARQUITETÔNICA NO CENTRO CULTURAL VERAS

O terceiro ato do projeto será a intervenção arquitetônica no Centro Cultural Veras, prevista para inauguração em 13 de setembro. Nesta fase, as faixas produzidas nos encontros do Ateliê Aberto serão instaladas em diferentes áreas do centro cultural, criando novos percursos visuais e convidando o público a experimentar o espaço de maneira inédita.

A intervenção propõe deslocar olhares e explorar novas possibilidades de interação com a arquitetura, incorporando a arte como meio de provocar reflexão sobre a relação entre seres humanos e o ambiente natural. A instalação evidencia a urgência da preservação das árvores brasileiras e a necessidade de cultivar uma consciência ambiental no cotidiano urbano.

A escolha de diferentes áreas para a instalação das faixas visa criar uma experiência imersiva, onde cada visitante poderá perceber a obra de maneira singular, ao mesmo tempo que compreende a interconexão entre o espaço construído e os elementos naturais. Essa estratégia reforça a proposta do projeto de provocar reflexão e engajamento em torno da proteção da biodiversidade e da valorização das árvores nativas.


O ARTISTA GABRIEL BICHO E SUA TRAJETÓRIA

Natural de Rondônia, Gabriel Bicho é artista e curador com uma trajetória marcada pela valorização da Amazônia e pelo diálogo com questões ambientais e culturais. Graduando em Museologia e bolsista da Sala Verde na UFSC, ele tem seu trabalho inserido em coleções nacionais e internacionais, incluindo o Museu Reina Sofía, Museu de Arte do Rio, Museu Nacional de Belas Artes, Museu de Artes Plásticas de Anápolis e o Acervo Beverley Mitchell.

Bicho também foi premiado no 40° Arte Pará, na categoria Fomento, e no Farofa – Festival de Fotografia. Participou da 1ª Bienal das Amazônias e da 57ª Bienal de Veneza, com o projeto Research Pavilion: The Digital Aesthetic In Utopia Of Access. Atualmente, coordena o Projeto Muluca, com foco na reflexão sobre futuros possíveis na Amazônia Legal.

Seu trabalho evidencia a intersecção entre arte e meio ambiente, propondo que práticas artísticas possam ser instrumentos de reflexão e sensibilização sobre a consciência ambiental e a preservação da biodiversidade brasileira. A trajetória de Gabriel Bicho demonstra como a arte pode atuar como mediadora entre conhecimento científico, memória cultural e engajamento social.


PATROCÍNIO E APOIO CULTURAL

O projeto Ateliê Aberto e Ciclo de Exposições é totalmente patrocinado pelo Município de Florianópolis, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura nº 3659/91, com execução da Fundação Franklin Cascaes e apoio da Prefeitura de Florianópolis. Contou ainda com o patrocínio master da SmartFit, Junckes e Verbena Participações, e apoio cultural do Hospital Baía Sul, NDTV e Record Oficial.

Esse modelo de financiamento evidencia o papel das políticas públicas e do setor privado na promoção da cultura e da arte como ferramenta de educação ambiental e reflexão sobre a consciência ambiental. O engajamento de múltiplos parceiros fortalece a relevância social e cultural do projeto, garantindo acesso a diferentes públicos e consolidando o papel da arte como instrumento de transformação social.


UMA REFLEXÃO SOBRE CONSERVAÇÃO E BIODIVERSIDADE

O projeto “Eu quero viver” surge em um momento crítico para a preservação da Mata Atlântica e da biodiversidade brasileira. As árvores, além de desempenharem funções essenciais para o equilíbrio ambiental, representam memória cultural, identidade e resistência. Ao destacar a resiliência das espécies nativas, o trabalho de Gabriel Bicho promove uma reflexão profunda sobre o impacto humano na natureza e sobre a urgência de adotar práticas de conservação e sustentabilidade.

A proposta de coletar histórias, produzir faixas coletivas e instalá-las em uma intervenção arquitetônica cria uma narrativa artística que envolve emoção, memória e ação. Cada ato do projeto contribui para despertar a consciência ambiental, conectando público e artistas em torno da preservação das árvores e da valorização da biodiversidade.

Além do caráter artístico, o projeto promove educação ambiental e cidadania, incentivando que cada indivíduo repense sua relação com o meio ambiente e compreenda a importância da proteção das florestas e de suas espécies nativas.


ARTE, PARTICIPAÇÃO E CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

A metodologia do projeto evidencia a interdependência entre arte e sociedade. A coleta de histórias, o Ateliê Aberto e a intervenção arquitetônica funcionam como etapas complementares de um processo que transforma informação, experiência e participação em ação e reflexão sobre o ambiente natural.

O envolvimento da comunidade é um elemento central, permitindo que cada participante contribua com sua percepção e vivência. Essa dinâmica colaborativa é fundamental para consolidar uma consciência ambiental coletiva, tornando o projeto relevante não apenas do ponto de vista artístico, mas também social e educativo.

Ao propiciar experiências que unem memória, arte e natureza, Gabriel Bicho estimula uma reflexão sobre a urgência de repensar o impacto humano no meio ambiente e valorizar a biodiversidade brasileira como patrimônio cultural e natural.


IMPACTO E LEGADO DO PROJETO

Espera-se que “Eu quero viver” deixe um legado duradouro no Centro Cultural Veras e na comunidade de Florianópolis. A intervenção arquitetônica, ao interagir com o público, cria novas formas de vivenciar o espaço e reforça a mensagem sobre a importância da preservação ambiental.

O projeto serve como exemplo de como a arte pode influenciar a percepção pública e estimular práticas sustentáveis, fortalecendo a consciência ambiental e a valorização das árvores nativas. Ao integrar cultura, educação e meio ambiente, a iniciativa contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e engajados na proteção da biodiversidade.

Além disso, o projeto estabelece um modelo de como políticas culturais e patrocínios privados podem promover ações que unam estética, reflexão e responsabilidade socioambiental, garantindo que a arte cumpra seu papel de mediadora entre a sociedade e a natureza.


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