Pesquisa do Sebrae mostra que o acesso ao crédito para pequenos negócios atingiu o melhor índice desde 2020

O crédito para pequenos negócios voltou a ganhar espaço em 2025. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, 48% dos microempreendedores individuais (MEI), micro e pequenas empresas que buscaram um novo empréstimo neste ano tiveram o pedido aprovado. O resultado representa o melhor desempenho desde 2020, ficando muito acima dos índices anteriores: 26% em 2022 e 33% em 2023. No ano de 2024, a pesquisa não foi aplicada, o que reforça a relevância do comparativo atual.

CENÁRIO DE ACESSO AO CRÉDITO EM 2025

A recuperação na aprovação de crédito é reflexo de mudanças estruturais no mercado financeiro e de políticas de incentivo que visam reduzir as barreiras enfrentadas pelos empreendedores. Historicamente, os pequenos negócios costumam ser os mais prejudicados em momentos de instabilidade econômica, encontrando dificuldades no acesso a recursos para manter ou expandir suas atividades.

De acordo com o levantamento “Financiamento dos Pequenos Negócios”, realizado pelo Sebrae, quase quatro em cada dez empresários entrevistados relataram não ter encontrado obstáculos na solicitação de crédito neste ano. Esse é o melhor resultado desde 2015. O contraste é evidente com o cenário de 2022, quando 84% dos empreendedores afirmaram enfrentar dificuldades.

Entre as justificativas para os entraves ainda existentes, os entrevistados destacaram principalmente a taxa de juros elevada (21%) e a falta de garantias reais (16%). Outros fatores mencionados foram a ausência de documentação fiscal exigida (7%), a falta de avalista ou fiador (6%) e a ausência de documentação contábil adequada (5%).

PAPEL DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NA EXPANSÃO DO CRÉDITO

A melhoria nos índices de aprovação está diretamente relacionada ao desempenho de algumas instituições financeiras. As cooperativas de crédito, como Sicredi e Sicoob, além do Bradesco, foram responsáveis por 43% de todas as operações de crédito aprovadas. Esse protagonismo mostra que a diversificação das fontes de financiamento tem sido crucial para ampliar o acesso a recursos.

As cooperativas, em especial, têm desempenhado um papel estratégico, pois conseguem oferecer condições mais flexíveis e personalizadas para seus associados, reduzindo a distância entre empreendedores e crédito. O Bradesco, por sua vez, reforçou suas linhas voltadas para micro e pequenas empresas, ampliando sua atuação nesse segmento.

IMPORTÂNCIA DO APOIO INSTITUCIONAL AO CRÉDITO

O presidente do Sebrae, Décio Lima, ressaltou a relevância das políticas de crédito implementadas nos últimos anos. Para ele, o Programa Acredita, do governo federal, e o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), gerido pelo Sebrae, foram determinantes para melhorar os índices de aprovação.

“O Sebrae lançou uma política de crédito estruturada. A nossa atuação vai ao encontro das principais dificuldades do acesso ao crédito, uma das maiores dificuldades dos pequenos negócios”, afirmou Lima.

O dirigente também destacou a forma como o Sebrae auxilia os empreendedores ao longo do processo:

“Pegamos nas mãos destes empreendedores e empreendedoras para que o recurso seja utilizado de forma eficiente na gestão da empresa. Por meio do nosso Fundo de Aval, os empreendedores conseguem apresentar garantias aos agentes de crédito e, paralelamente a isso, são assistidos por especialistas do Sebrae desde o momento da solicitação do empréstimo até a liquidação da dívida, o que traz mais segurança à operação. Isso é pulverizar as oportunidades e garantir mais emprego e renda”, declarou.

FINALIDADE DO CRÉDITO SEGUNDO OS EMPREENDEDORES

O levantamento apontou que a principal motivação para solicitar crédito continua sendo o acesso a capital de giro, citado por 41% dos empresários. Esse tipo de recurso é essencial para manter o funcionamento diário da empresa, cobrir custos operacionais e atravessar períodos de baixa receita.

Outro destaque foi o crescimento da procura por empréstimos para a compra de máquinas e equipamentos, que subiu de 26% em 2023 para 29% em 2025. Esse indicador demonstra maior disposição dos empreendedores em investir na modernização da estrutura produtiva.

Na sequência, aparecem os pedidos para reformas e ampliações dos negócios (21%) e para o refinanciamento de dívidas (6%). A variação mostra uma tendência de reequilíbrio: ao mesmo tempo em que buscam estabilidade financeira, os pequenos negócios sinalizam um movimento de expansão.

DIFERENÇAS ENTRE OS PORTES DE EMPRESAS

O estudo revelou diferenças significativas entre os portes empresariais. As Empresas de Pequeno Porte (EPP) registraram o maior índice de aprovação, com 76% dos pedidos aceitos. Em seguida, vieram as Microempresas (ME), com 53%. Já os Microempreendedores Individuais (MEI) tiveram aprovação de 37%, refletindo maior dificuldade no acesso ao crédito quando comparados a empresas mais estruturadas.

Essa diferença pode ser explicada pelo histórico de relacionamento bancário, pela documentação exigida e pela capacidade de oferecer garantias. Empresas maiores tendem a apresentar menos riscos às instituições financeiras, enquanto os microempreendedores, embora representem grande parte da economia, enfrentam mais barreiras burocráticas e financeiras.

ANÁLISE POR SETORES ECONÔMICOS

Na análise setorial, a indústria e a construção lideraram os índices de aprovação, alcançando 61%. Em seguida, apareceram os serviços, com 46%, e o comércio, com 44%.

A discrepância entre os setores está relacionada à percepção de risco das instituições financeiras. Atividades industriais e de construção, em geral, apresentam maior demanda de investimentos e costumam estar associadas a garantias materiais, o que pode favorecer a análise de crédito. Já o comércio e os serviços, embora representem uma fatia expressiva do empreendedorismo nacional, encontram maior dificuldade em comprovar capacidade de pagamento a longo prazo.

DIFERENÇAS REGIONAIS NO ACESSO AO CRÉDITO

Os resultados variam consideravelmente entre as regiões do país. O Sul registrou o maior índice de aprovação, com 84%, seguido pelo Norte (46%), Sudeste (45%), Centro-Oeste (43%) e Nordeste (38%).

A disparidade pode estar ligada a fatores como a presença mais forte de cooperativas de crédito no Sul, além do nível de organização e formalização dos negócios. Em contrapartida, regiões como o Nordeste e o Centro-Oeste enfrentam maiores barreiras estruturais, o que limita o acesso às linhas de financiamento.

GÊNERO E ACESSO AO CRÉDITO

O levantamento revelou um dado importante relacionado ao gênero dos empreendedores: 51% das mulheres que solicitaram crédito tiveram aprovação, contra 47% dos homens. O resultado sugere um avanço na inclusão financeira das empreendedoras, embora ainda persistam desafios na equiparação de oportunidades.

Esse dado também reforça a crescente participação feminina no empreendedorismo nacional, indicando maior presença de mulheres em setores produtivos e em posições de liderança nos pequenos negócios.

PRINCIPAIS DESAFIOS AINDA PRESENTES

Apesar da melhora significativa no acesso ao crédito, os obstáculos não foram totalmente eliminados. As altas taxas de juros continuam sendo o principal entrave, seguidas pela dificuldade em oferecer garantias reais. Esses fatores limitam especialmente os microempreendedores e empresas em fase inicial.

A burocracia também segue sendo apontada como barreira. A exigência de documentos fiscais e contábeis, além da necessidade de avalistas, dificulta o acesso de muitos empreendedores que ainda estão em processo de formalização ou que enfrentam problemas de regularização.

PERSPECTIVAS PARA OS PRÓXIMOS ANOS

A tendência é de que o crédito para pequenos negócios continue em expansão, desde que políticas públicas de incentivo se mantenham ativas e as instituições financeiras mantenham estratégias voltadas para esse segmento.

Programas como o Fampe e o Acredita devem seguir como pilares no apoio à concessão de crédito, reduzindo riscos para bancos e cooperativas e aumentando a confiança dos empreendedores na busca por financiamento.

Especialistas apontam ainda que a digitalização dos processos de análise e concessão de crédito deve acelerar essa evolução, permitindo maior rapidez, segurança e transparência. A expansão das fintechs também pode contribuir para ampliar a concorrência no setor, oferecendo novas soluções de financiamento adaptadas às necessidades dos pequenos negócios.

Com informações da Agência Sebrae


CONECTE-SE COM O CONECTA SC

Quer acompanhar as principais notícias, eventos e curiosidades sobre Santa Catarina? Siga o Conecta SC nas redes sociais:
👉 Facebook | LinkedIn | Instagram
💌 Receba nossos destaques semanais: Assine a newsletter
📱 Entre no nosso grupo do WhatsApp: Clique aqui

 

Exit mobile version