O governador Jorginho Mello anda com o passo mais calculado que gato em telhado quente. E não é para menos: o PL, seu partido, virou um caldeirão borbulhante desde que a disputa por uma vaga ao Senado começou a rachar o bolsonarismo catarinense.
Em evento na Casa da Agronômica, na manhã de quarta-feira, Jorginho tratou de pular longe do assunto quando os jornalistas perguntaram sobre a confusão.
“Estou tocando a vida, trabalhando. Meu compromisso com Santa Catarina é de trabalhar”, respondeu, filosófico. E completou: “Se não deu certo ainda é porque não chegou ao fim. Quando chegar o fim, vai dar tudo certo.” Tradução livre: “Não me metam nessa briga.”
Mas, nos bastidores, há quem jure que o governador não está tão distante quanto parece e pode até estar “operando” para que a resistência a figura de Carluxo aumente.
Primeiro, a Fiesc se manifestou contrária à candidatura — e governadores, em geral, evitam contrariar a Fiesc. Depois, o grupo ND de Comunicação (TV Record e Notícias do Dia) publicou editoriais na mesma linha — e governadores também não costumam brigar com grandes grupos de mídia.
Na sequência, foi a deputada Ana Campagnolo, a mais votada de Santa Catarina, quem se insurgiu contra a “importação” de um candidato da família Bolsonaro. Segundo ela, a direita catarinense tem lideranças próprias para concorrer ao Senado, sem precisar de nomes de fora.
Nesta quinta-feira, começaram a circular nas redes vídeos de prefeitos do PL e de outros partidos contrários à ideia de Santa Catarina adotar mais um senador carioca — lembrando que Jorge Seif, eleito em 2022, também veio do Rio de Janeiro e teve apoio da família Bolsonaro.
Mas bastaram as manifestações contrárias para a temperatura subir. Carlos Bolsonaro chamou a deputada de mentirosa. Eduardo Bolsonaro, direto dos Estados Unidos, reagiu dizendo que as declarações de Campagnolo eram inaceitáveis. Para piorar, o senador Jorge Seif, também carioca eleito por Santa Catarina, foi à tribuna do Senado e desancou a deputada, afirmando que até 2018 “ela não era nada, apenas uma professora”.
Campagnolo, por sua vez, reagiu no mesmo tom e sem freio: disse que era “mais macho que Seif”. A frase viralizou, e a internet não perdoou — a crítica veio da direita, da esquerda e de quem não quer saber de briga de macho nenhum.
No meio disso tudo, Julia Zanatta, outra voz do bolsonarismo catarinense, entrou em cena para defender a candidatura de Carlos Bolsonaro e reafirmar seu compromisso com a família. Disse nas redes que, enquanto em Brasília se discute “a cela em que Jair Bolsonaro vai ficar, já condenado —segundo ela, inocentemente— a 27 anos pelo STF”, em Santa Catarina se perde tempo com uma vaga ao Senado.
E o governador? Jorginho observa de camarote, cuidando para não deixar a fumaça da crise invadir o Palácio. Pode até não estar jogando lenha na fogueira — mas, se Carlos Bolsonaro se queimar e desistir de concorrer por Santa Catarina, Jorginho sai ileso, o PL se acalma, e ele ainda ganha espaço para montar a própria chapa à reeleição: MDB (quem sabe Chiodini), Carol de Toni e Esperidião Amin. Por enquanto, ele segue fiel à sua máxima: “Quando chegar o fim, vai dar tudo certo.” Mas até lá, vai precisar de muita habilidade — e talvez um extintor à mão.

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