O tema da redação do Enem 2025 é “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, conforme divulgado neste domingo (9) pelo ministro da Educação, Camilo Santana, por meio da rede social X. A proposta mobiliza reflexões sobre o envelhecimento da população, o enfrentamento ao etarismo e os desafios relacionados à inclusão social, saúde e políticas públicas para pessoas idosas.
Conteúdos
- PROVA DE REDAÇÃO EXIGE REFLEXÃO SOCIAL E ARGUMENTAÇÃO ESTRUTURADA
- AVALIAÇÃO E CRITÉRIOS DE CORREÇÃO
- PROFESSORES DESTACAM A RELEVÂNCIA DO TEMA
- CONTEXTO DEMOGRÁFICO E DESAFIOS FUTUROS
- REPERTÓRIOS E ABORDAGENS POSSÍVEIS
- DEBATE SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS E INCLUSÃO
- ENVELHECIMENTO, DIVERSIDADE E CONVÍVIO ENTRE GERAÇÕES
PROVA DE REDAÇÃO EXIGE REFLEXÃO SOCIAL E ARGUMENTAÇÃO ESTRUTURADA
Além da redação, os participantes do Enem realizam hoje as provas de linguagens, códigos e ciências humanas, das 13h30 às 19h (horário de Brasília). A redação do exame segue o formato dissertativo-argumentativo, em que o candidato deve elaborar um texto de até 30 linhas com base em uma situação-problema e textos motivadores apresentados na prova.
O texto deve defender um ponto de vista fundamentado em argumentos consistentes e propor uma intervenção social que respeite os direitos humanos. Segundo o edital, redações que desrespeitem esses princípios — como incitação à violência ou conteúdos discriminatórios — recebem nota zero.
AVALIAÇÃO E CRITÉRIOS DE CORREÇÃO
As redações são corrigidas por dois avaliadores, graduados em Letras ou Linguística, de forma independente. Cada corretor atribui uma nota de 0 a 200 pontos para cinco competências específicas, totalizando até 1.000 pontos. A média aritmética entre as duas notas compõe o resultado final do participante.
Entre os critérios que resultam em nota zero estão: fuga ao tema proposto, ausência de texto, redação com até sete linhas, uso predominante de língua estrangeira, identificação do autor no texto, estrutura inadequada ou desrespeito à seriedade do exame.
PROFESSORES DESTACAM A RELEVÂNCIA DO TEMA
Educadores de diferentes regiões do país consideram o tema da redação do Enem 2025 atual e de grande relevância social. Para a professora de redação Bárbara Soares, de Brasília, o exame mais uma vez estimula a reflexão sobre questões urgentes no Brasil.
“Há uma grande preocupação de como proteger essas pessoas. O Enem coloca uma lupa sobre um problema que está relacionado a grupos mais vulneráveis e de que premissas constitucionais estão sendo violadas”, afirmou.
Ela ainda destacou que a abordagem permite aos estudantes discutir o etarismo e possíveis violações de direitos, como os desvios de recursos previdenciários e a necessidade de novas políticas públicas para o envelhecimento digno.
CONTEXTO DEMOGRÁFICO E DESAFIOS FUTUROS
O professor Thiago Braga, do Rio de Janeiro, lembrou que o Brasil passa por uma mudança significativa em sua pirâmide etária e que, até 2070, quase 40% da população será composta por idosos.
“É uma discussão feita interdisciplinarmente na escola. Todos sabem que a pirâmide etária brasileira está passando por uma transformação importante nesse momento”, observou.
Para ele, referências como o Estatuto da Pessoa Idosa, de 2003, podem auxiliar os candidatos na construção de repertório sociocultural durante a redação.
REPERTÓRIOS E ABORDAGENS POSSÍVEIS
A professora Rayana Roale, também do Rio de Janeiro, avaliou que o tema tem complexidade mediana, pois é amplamente discutido na sociedade. Segundo ela, há material suficiente para que os candidatos construam textos ricos e fundamentados.
“Acredito que não vai ser um tema muito difícil de abordar porque existe muito repertório e informações disseminadas sobre isso”, afirmou.
Já a docente Michele Marcelino, de São Paulo, destacou que a escolha do tema “acertou em cheio” ao incentivar reflexões sobre abandono, preconceito e direitos das pessoas idosas.
“Trazer esse tema à luz não apenas é pertinente, mas também acessível aos estudantes, que não devem ter dificuldade em desenvolver uma reflexão consistente”, afirmou.
DEBATE SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS E INCLUSÃO
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que a proposta da redação estimula discussões sobre o acesso ao trabalho digno, previdência social e saúde pública.
“Todos esses desafios demandam o desenvolvimento de políticas públicas. Esse aspecto é muito importante e também traz debate social e cultural que diz respeito à nossa compreensão sobre as pessoas mais velhas”, ressaltou.
Ela ainda destacou o papel da democratização do ensino superior, que ampliou a presença de estudantes idosos nas universidades.
“A gente tem a felicidade de ver pessoas com mais de 60, 70, às vezes 80 anos realizando o sonho de estar dentro da sala de aula ao lado dos mais jovens. Isso é muito importante”, completou.
ENVELHECIMENTO, DIVERSIDADE E CONVÍVIO ENTRE GERAÇÕES
A Agência Brasil já havia abordado temas relacionados ao envelhecimento em reportagens recentes. Em uma série publicada no início do mês, apresentou histórias de médicos com mais de 80 anos que continuam exercendo suas funções, desafiando estereótipos. Especialistas consultados destacaram o convívio entre gerações como ferramenta essencial para combater o etarismo.
Em junho do ano passado, a mesma agência discutiu a importância de políticas públicas voltadas ao envelhecimento da população LGBTQIA+, enfatizando a necessidade de respeito à diversidade e de uma rede de cuidados adaptada a essa parcela da sociedade.
Com informações da Agência Brasil

Grande Florianópolis alcança um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil
Santa Catarina ultrapassa 10 mil multas por porte e uso de drogas em locais públicos desde 2024
Detran-SC orienta motoristas a buscar CNHs antes da destruição
Lula reage à tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil: “Quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós”