Museu da Escola Catarinense ressalta memória escolar de Santa Catarina ao celebrar 33 anos

O Museu da Escola Catarinense completou 33 anos desde a aprovação do projeto que deu origem à instituição, marco celebrado em 17 de novembro pela equipe responsável pela preservação do espaço. A data foi assinalada com um encontro que reuniu mais de 40 pessoas vinculadas à trajetória do museu, permitindo revisitar a memória do edifício histórico e das ações que consolidaram o Mesc ao longo de três décadas.

Museu da Escola Catarinense celebra 33 anos com evento especial de memória
Foto: Rafaella Junkes/ Secom Udesc

HISTÓRIA E PROPÓSITO DO PROJETO

Idealizado no início da década de 1990, o Mesc surgiu como iniciativa de memória destinada a registrar saberes, práticas educacionais e objetos relacionados ao ensino em Santa Catarina. A proposta recebeu aprovação oficial em 16 de novembro de 1992, com foco no mapeamento e preservação do acervo museológico distribuído pelo território catarinense.

Instalado no centro de Florianópolis, o museu ocupa o antigo prédio da Escola Normal Catarinense, construído no início do século 20. O imóvel abrigou, posteriormente, a Faculdade de Educação — atual Faed da Udesc — antes de ser destinado às atividades museológicas.

IDEALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

A professora Maria da Graça Vandresen, idealizadora do projeto “Resgate da História e da Cultura Material da Escola Catarinense”, participou da celebração dos 33 anos. Ao relembrar o início da iniciativa, observou que sua pesquisa acadêmica partia da vivência como docente.

“Quando dava aula, a escola era referência no ensino público do estado, tínhamos bons materiais e aulas didáticas e a princípio minha pesquisa buscava relatar somente isso”, afirmou.

O estudo inicial ganhou dimensão ao revelar potencial para criação de um espaço interativo e culturalmente ativo, com propostas como o Café Literário, encontros de ex-alunos e apresentações artísticas. A professora ressalta, porém, que a construção do museu resultou do esforço coletivo de profissionais da Udesc.

DESAFIOS NA INSTITUCIONALIZAÇÃO

Também presente no evento, a educadora e ex-diretora da escola, Graça Soares, relembrou a resistência enfrentada nas etapas de institucionalização do museu.

“Criar um museu? Para que isso? Para além do apoio, sofremos muita oposição também, o museu era dito como algo velho, caído e pejorativo”, comentou.

Ela destacou que superar a descrença de parte da comunidade acadêmica foi mais complexo do que a implantação física do espaço.

O encontro contou ainda com a participação da professora Vera Lúcia Gaspar da Silva, que integrou e presidiu a Comissão de Implantação do Museu da Escola Catarinense.

ETAPAS DE IMPLANTAÇÃO

Vera Gaspar apresentou as fases que estruturaram o processo de criação do museu:

2004 A 2005

A primeira fase envolveu o levantamento de iniciativas universitárias relacionadas ao prédio, incluindo o projeto inicial de Maria da Graça e o “Guia de Acervos”, responsável por catalogar itens com potencial expositivo. Reuniões com pesquisadores e voluntários resultaram na recolha e no tratamento emergencial de peças em deterioração.

2005 A 2007

A segunda etapa marcou a inclusão do Mesc no Regimento Geral da Udesc como órgão suplementar vinculado à Reitoria. A partir desse reconhecimento institucional, avançou o processo de tombamento do edifício nas esferas federal, estadual e municipal. Também foi constituída a comissão encarregada do Plano Museológico.

2007

Na terceira fase, foram elaborados projetos culturais destinados à captação de recursos, entre eles o “Implantação do Museu da Escola Catarinense”, submetido ao Funcultural. Os documentos incluíam estimativas de obras e serviços necessários à estruturação do museu e à criação de espaços especializados de conservação.

2007 A 2008

A fase final envolveu a execução dos projetos, a definição dos ambientes internos e o fortalecimento da rede de “centros de memória” em escolas catarinenses, ampliando a atuação do museu como articulador de iniciativas voltadas à preservação educacional.

ATUAÇÃO ATUAL

Instalado definitivamente desde 2007, o museu consolidou-se como referência cultural da capital catarinense. O acervo ocupa salas temáticas, como a “Sala Harmonia Espaço Positivo”, dedicada aos brinquedos artesanais de Aldo Nunes, e a “Sala Salene”, que recria ambientes escolares das décadas de 1930 a 1950.

A coordenação atual, exercida pela professora Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva, reforça o papel do Mesc na promoção do acesso à cultura. “É preciso reconfigurar a escola como um modelo de educação e resgatar o pensamento educacional para o Mesc”, destacou.

Além de exposições, o local abriga o Cineclube Presença, com exibições gratuitas de filmes nacionais, e o projeto “A escola vai ao museu”, que oferece visitas guiadas e transporte para estudantes da rede pública.

Maria da Graça Vandresen expressou emoção ao observar o impacto atual do espaço. “É lindo ver as coisas que um dia a gente sonhou, e hoje tem gente aqui levando tudo isso para frente”, afirmou.

Para informações sobre horários e agendamentos, o museu disponibiliza atendimento pelo e-mail educativo.mesc@udesc.br e pelo telefone (48) 3664-8112.

Com informações da Udesc

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