O Partido dos Trabalhadores (PT) articula uma mobilização nacional para o dia 8 de janeiro de 2026, quando se completam três anos da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, ocorrida em 2023. A legenda planeja atos no dia 8 de janeiro em diferentes cidades do país, além de uma cerimônia simbólica na capital federal, em referência à defesa do Estado Democrático de Direito e à preservação da memória institucional.
As manifestações devem ocorrer sob o lema “Brasil nas ruas pela democracia”. Segundo dirigentes partidários, a divulgação oficial de horários e locais está prevista para os próximos dias, após articulações com diretórios estaduais, movimentos sociais e organizações alinhadas à pauta democrática.
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DATA SIMBÓLICA E CONTEXTO POLÍTICO
O 8 de janeiro tornou-se um marco político e institucional desde os ataques registrados em 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, a data passou a ser utilizada por partidos e instituições como referência para atos simbólicos em defesa da democracia.
Em 2026, os atos no dia 8 de janeiro ocorrem em um contexto de debate legislativo e jurídico em torno das punições aplicadas aos condenados pelos ataques, especialmente após a aprovação, pelo Congresso Nacional, do Projeto de Lei da Dosimetria.
MOBILIZAÇÃO PARTIDÁRIA E ATOS DE RUA
Além da cerimônia institucional em Brasília, o PT convocou sua militância para atos de rua em diversas regiões do país. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, reuniu dirigentes estaduais e orientou a mobilização das bases, com foco na presença territorial e na articulação política local.
Segundo informações apuradas por veículos da imprensa, a mobilização tem como um de seus eixos centrais a crítica ao PL da Dosimetria e à possibilidade de redução das penas impostas aos condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
“O Partido dos Trabalhadores tem que ser o grande instrumento de luta da classe trabalhadora e dos setores mais oprimidos da sociedade. Isso se faz com propostas, sim, mas se faz com presença no território”, afirmou Edinho Silva.
CERIMÔNIA INSTITUCIONAL EM BRASÍLIA
Paralelamente às manifestações populares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja realizar uma cerimônia simbólica no dia 8 de janeiro, em Brasília. O formato segue o modelo adotado nos dois anos anteriores, com a expectativa de presença de ministros de Estado e autoridades dos Poderes da República.
Em 2024, a solenidade contou com a participação dos chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário. Já em 2025, o evento teve menor adesão institucional, em razão da ausência dos então presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Para 2026, aliados do Palácio do Planalto defendem a retomada de um ato com maior representatividade institucional. O próprio presidente reforçou a importância da presença de autoridades durante reunião ministerial.
“Vamos ter o ato simbólico do 8 de Janeiro. Portanto, os ministros que querem tirar férias, tirem férias e dia 8 estejam aqui. Tem que entrar em contato com o Congresso Nacional, com a Suprema Corte, para a gente convidar todo mundo. Eles querem que o 8 de Janeiro caia no esquecimento”, disse Lula.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) ainda não confirmou oficialmente a realização da cerimônia nem a lista de convidados.
PL DA DOSIMETRIA E REDUÇÃO DE PENAS
O PL da Dosimetria, aprovado pelo Senado Federal em 17 de dezembro, ocupa posição central no debate político que antecede os atos no dia 8 de janeiro. O projeto altera critérios de aplicação de penas para crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Entre os pontos previstos no texto aprovado pelo Congresso estão:
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a eliminação da soma de penas em casos de condenação por mais de um crime, passando a prevalecer apenas a punição mais grave;
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a possibilidade de redução da pena em até dois terços quando os crimes forem cometidos em contexto de multidão, desde que o condenado não tenha exercido papel de liderança ou financiamento;
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a flexibilização das regras de progressão de regime, inclusive para reincidentes, com exigência mínima de cumprimento de um sexto da pena.
Críticos do projeto avaliam que as mudanças podem beneficiar diretamente condenados pelos atos golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão.
EXPECTATIVA DE VETO PRESIDENCIAL
O presidente Lula já indicou publicamente que pretende vetar integralmente o PL da Dosimetria. O prazo legal para sanção ou veto se encerra em janeiro, e aliados do governo defendem que o ato seja formalizado durante a cerimônia do dia 8.
Lideranças governistas no Congresso reforçam a necessidade de rejeição do projeto e defendem a mobilização popular como instrumento de pressão política. Entre os parlamentares que se manifestaram nesse sentido estão o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AC), o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
Temos um encontro marcado com a DEFESA DA DEMOCRACIA e pela garantia de direitos dos verdadeiros homens e mulheres patriotas, que amam o Brasil e que defendem a sua soberania. 8 de janeiro será histórico! Vamos juntos pelo BRASIL e pelo Ceará. https://t.co/qowmNSpUOS
— José Guimarães (@guimaraes13PT) December 29, 2025
“Temos um encontro marcado com a DEFESA DA DEMOCRACIA e pela garantia de direitos dos verdadeiros homens e mulheres patriotas, que amam o Brasil e que defendem a sua soberania. 8 de janeiro será histórico!”, escreveu Guimarães.
MEMÓRIA DEMOCRÁTICA E DESDOBRAMENTOS JUDICIAIS
Em 2025, o ato alusivo ao 8 de janeiro foi marcado por ações simbólicas, como a reintegração de obras de arte destruídas durante os ataques de 2023, incluindo o relógio do século XVII presenteado a Dom João VI e o quadro As Mulatas, de Di Cavalcanti. A cerimônia recebeu o nome de “Abraço à Democracia”.
No mesmo período, o STF concluiu os julgamentos relacionados aos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Entre os condenados estão militares, ex-integrantes do governo anterior e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
DEFESA DA DEMOCRACIA NA AGENDA PÚBLICA
Com a convocação dos atos no dia 8 de janeiro, o PT busca manter o episódio de 2023 no centro do debate público, associando a data à defesa das instituições democráticas, à preservação da memória histórica e à responsabilização penal dos envolvidos.
A mobilização de 2026 se insere, assim, em uma estratégia política que combina atos de rua, cerimônias institucionais e posicionamento legislativo, em um cenário de disputa narrativa sobre justiça, punição e democracia no Brasil.
Em breve traremos mais informações sobre locais e horários.

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