A Internet móvel consolidou-se como um dos principais vetores de inclusão digital no Brasil ao longo dos últimos anos, especialmente entre públicos que historicamente enfrentavam maiores barreiras de acesso. Levantamento realizado pela Blend/HSR, a pedido do Mobile Time, com base nos dados históricos da pesquisa TIC Domicílios, revela que o avanço do acesso via celular foi expressivo entre as classes de menor renda e entre a população idosa entre 2017 e 2025.
Em 2017, a Internet móvel já apresentava caráter quase universal entre brasileiros das classes A e B, com taxa de penetração de 95,7%, além de forte presença entre jovens de 16 a 24 anos, alcançando 92,6%. Em contraste, o acesso era significativamente menor entre pessoas das classes D e E e entre aquelas com mais de 60 anos. O cenário, no entanto, passou por mudanças relevantes ao longo dos últimos oito anos.
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AVANÇO DA INTERNET MÓVEL ENTRE CLASSES D E E E IDOSOS
Entre 2017 e 2025, a proporção de brasileiros das classes D e E que acessaram a Internet pelo celular ao menos uma vez nos três meses anteriores à pesquisa saltou de 48% para 78%, evidenciando um crescimento consistente do uso da Internet móvel nesses estratos sociais.
No mesmo período, o avanço foi ainda mais acelerado entre pessoas com 60 anos ou mais. Nesse grupo, o percentual de usuários mais que dobrou, passando de 26,8% para 58,5%, configurando o maior crescimento proporcional entre todos os recortes sociodemográficos analisados pela pesquisa.
CRESCIMENTO REGIONAL IMPULSIONA A INTERNET MÓVEL
A expansão da Internet móvel também se destacou quando observada sob a ótica regional. As regiões Norte e Nordeste registraram os maiores avanços no período analisado. No Norte do país, a penetração do acesso móvel à Internet passou de 62,5% para 85,7%. Já no Nordeste, o índice evoluiu de 62,1% para 86,4%, indicando um movimento de redução das desigualdades regionais no acesso digital.
FATORES QUE IMPULSIONARAM A DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO
A consolidação das redes de telefonia celular teve papel central na democratização do acesso à Internet no Brasil e em outros países emergentes. Para uma parcela significativa da população, o primeiro contato com o ambiente digital ocorreu por meio do celular, e não de um computador. Esse processo foi influenciado por diversos fatores estruturais e de mercado.
Entre eles está a renovação acelerada do parque de aparelhos no país, com a substituição dos antigos celulares básicos por smartphones. Segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre o brasileiro e seu smartphone, cerca de 83% da base nacional de aparelhos é renovada a cada quatro anos. Apesar do aumento do preço médio dos smartphones, os modelos de entrada apresentam melhorias contínuas de desempenho, mantendo-se, ainda assim, mais acessíveis do que computadores.
Outro fator relevante foi a mudança nos modelos de oferta das operadoras, que substituíram planos baseados em minutos de voz por pacotes de dados. A alteração acompanhou o comportamento dos consumidores, que passaram a utilizar predominantemente a rede de dados, inclusive para chamadas realizadas por aplicativos de mensagens instantâneas.
A interiorização da cobertura 4G e a implantação do 5G no Brasil também contribuíram para estimular o uso da Internet móvel, ampliando a capacidade de conexão em diferentes regiões do país. Além disso, a transformação digital da economia brasileira, intensificada durante a pandemia, impulsionou a popularização de aplicativos de serviços online, como entrega de alimentos, transporte por aplicativos e marketplaces, reforçando a dependência do acesso móvel à Internet.
DESAFIOS DA INTERNET MÓVEL NO BRASIL
Apesar dos avanços, o acesso à Internet móvel no Brasil ainda enfrenta desafios estruturais relevantes. Um dos principais entraves está relacionado à limitação das franquias de dados, especialmente entre usuários de menor renda. Para muitos brasileiros, o acesso não é contínuo ao longo do mês, sendo interrompido quando o pacote de dados se esgota e só retomado mediante nova recarga, no caso dos planos pré-pagos. Nessas situações, o uso costuma ficar restrito a poucos aplicativos com política de zero rating, como serviços de mensagens.
Especialistas apontam que esse modelo não atende ao conceito de “conectividade significativa”, termo utilizado para definir um serviço de acesso à Internet com preço justo, disponibilidade constante e velocidade adequada para as atividades cotidianas.
Outro obstáculo relevante é a cobertura da rede móvel. Embora o 5G esteja em expansão, sua presença ainda se concentra nos grandes centros urbanos, enquanto extensos trechos de rodovias e áreas afastadas continuam sem sinal adequado de telefonia celular.
Por fim, o letramento digital segue como um desafio adicional. O uso seguro e eficiente do smartphone e dos serviços online exige capacitação, especialmente em um contexto de crescimento de fraudes e golpes digitais. O enfrentamento desse problema torna-se cada vez mais urgente diante da ampliação do acesso à Internet móvel em todas as faixas etárias.
Com informações da NIC.br

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