O Acordo Mercosul-UE voltou a ganhar destaque no cenário internacional após a publicação de um artigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 27 jornais da Europa e dos países do Mercosul, na sexta-feira (16/1). No texto, o chefe de Estado brasileiro apresenta o pacto como uma alternativa às guerras comerciais e ao avanço do protecionismo, ressaltando a integração econômica como caminho para o crescimento sustentável. A assinatura do acordo está prevista para este sábado (17), em Assunção, capital do Paraguai.
Fruto de mais de 25 anos de negociações, o acordo integra a estratégia de ampliação da rede de parcerias comerciais do Brasil e do Mercosul. Entre os principais pontos está a eliminação de tarifas sobre cerca de 95% dos produtos importados pela União Europeia, em prazos diferenciados, ampliando o acesso de mercadorias sul-americanas ao mercado europeu.
Conteúdos
ACORDO MERCOSUL-UE E A DEFESA DA INTEGRAÇÃO ECONÔMICA
No artigo divulgado internacionalmente, o presidente Lula sustenta que o Acordo Mercosul-UE representa uma resposta concreta ao unilateralismo e ao isolamento de mercados, defendendo a cooperação entre blocos que compartilham valores democráticos, o multilateralismo e a promoção dos direitos humanos.
Segundo o presidente, a parceria cria a maior área de livre comércio do mundo, reunindo 31 países, cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto conjunto superior a US$ 22 trilhões, com potencial para impulsionar investimentos, exportações e cadeias produtivas nos dois lados do Atlântico.
CONFIRA, NA ÍNTEGRA, O ARTIGO DO PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Em uma época em que o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e a defesa do multilateralismo escolhem um caminho diferente. Contra a lógica das guerras comerciais que segregam economias, empobrecem nações e aumentam a desigualdade, Mercosul e União Europeia assinam amanhã um dos acordos mais amplos do século XXI.
Firmado após mais de 25 anos de negociações e baseado na certeza de que só a integração e a abertura comercial promovem a prosperidade compartilhada, o acordo cria a maior área de livre comércio do mundo. Não existe economia isolada. O comércio internacional não é um jogo de soma zero. Todos querem crescer, e a nova parceria irá criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico.
Somados, os 31 países que integram o Acordo Mercosul-União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de cidadãos. Nosso PIB conjunto supera 22 trilhões de dólares. O acordo irá ampliar o acesso mútuo a mercados estratégicos, com regras claras, previsíveis e equilibradas.
Ao remover barreiras comerciais e estabelecer padrões regulatórios comuns, os investimentos, as exportações e as cadeias produtivas se multiplicarão nos dois lados do Atlântico.
Uma complementaridade comercial robusta une as economias da América do Sul e da Europa. A versão do acordo que aprovamos resguarda os interesses de setores vulneráveis, garante a proteção ambiental, promove valores compartilhados como a democracia e os direitos humanos, fortalece os direitos dos trabalhadores e preserva o papel do Estado como indutor estratégico do desenvolvimento econômico e social.
A celebração desse acordo só é possível porque Mercosul e União Europeia entenderam ter muito mais a ganhar juntos do que individualmente e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade. Os blocos encontraram convergências mesmo diante de visões distintas, mostrando que a cooperação é muito mais vantajosa e eficaz do que a intimidação e o conflito.
Agradecemos os países do Mercosul e da União Europeia por terem se empenhado na conclusão de acordo tão significativo. A assinatura, no entanto, constitui só um primeiro passo. Amanhã começa uma nova fase de cobrança para a implementação ágil e transparente do que foi pactuado.
O sucesso real do acordo será medido pela velocidade com que os seus benefícios alcançarem as prateleiras dos mercados, o campo, as fábricas e os bolsos dos cidadãos. Inúmeros setores de ambos os lados sairão beneficiados, da bioeconomia à indústria de alta tecnologia, dos pequenos e médios agricultores às pequenas, médias e grandes empresas.
Consumidores europeus e sul-americanos terão acesso a produtos mais diversificados e com preços menores, enquanto produtores alcançarão novos mercados. Para além dos ganhos comerciais e econômicos, o acordo aproxima ainda mais parceiros unidos por laços históricos, de vocação democrática e multilateral. A interdependência é uma necessidade e uma realidade. Só o trabalho conjunto entre Estados e blocos é capaz de promover a paz, prevenir atrocidades e enfrentar os piores efeitos da mudança do clima.
Em um contexto de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo prova como outra governança mundial é possível, mais ativa, representativa, inclusiva e justa. Estes mesmos princípios orientam nossa busca por instituições multilaterais renovadas, como a reforma da Organização Mundial do Comércio e do Conselho de Segurança da ONU.
Ante o crescimento do extremismo político, Mercosul e União Europeia demonstram na prática como o multilateralismo, que tantos benefícios trouxe ao mundo depois da Segunda Guerra, segue atual e imprescindível.
PRÓXIMOS PASSOS APÓS A ASSINATURA DO ACORDO MERCOSUL-UE
Apesar da assinatura representar um marco histórico, o governo brasileiro avalia que o desafio central será a implementação efetiva e transparente do que foi pactuado. A expectativa é de que os benefícios do Acordo Mercosul-UE cheguem de forma gradual aos consumidores, produtores, empresas e trabalhadores, consolidando a parceria como um dos principais acordos comerciais do século XXI
Com informações da Agência Gov

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