Aos nove anos, Valéria Miranda já entende que brincar ao ar livre, respirar ar limpo e conviver com a natureza depende de cuidado cotidiano. Moradora de Caucaia, no Ceará, a estudante participa de um projeto socioeducativo que ensina, na prática, como a educação ambiental pode transformar hábitos e preparar crianças e jovens para desafios que já afetam o presente.
Celebrado em 26 de janeiro, o Dia da Educação Ambiental chama atenção para iniciativas que vão além da sala de aula e conectam aprendizagem, preservação ambiental e futuro sustentável. Em um contexto de crise climática, poluição e perda de biodiversidade, ações educativas ganham peso estratégico ao formar cidadãos mais conscientes e engajados.
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL DESDE A INFÂNCIA
Valéria integra o projeto Ecocidadão, iniciativa socioeducativa promovida pela Marquise Ambiental, empresa que atua no setor de serviços e soluções ambientais. Em parceria com outras empresas, o projeto mantém a escola Novo Destino, que oferece reforço escolar a estudantes de baixa renda no contraturno do ensino formal.
Além de aulas de matemática e língua portuguesa, o espaço reserva tempo para atividades voltadas à educação ambiental. “É uma atividade onde eles desenvolvem competências que vão ser importantes no dia a dia deles, na vida deles. Então a gente consegue trabalhar a educação ambiental, a partir da reciclagem”, explica o professor Arley Alves dos Santos.
As lições se refletem no cotidiano das crianças. “Eu gosto de brincar, plantar flores e cuidar da minha família. E aprendi aqui no projeto que se eu separar o resíduo posso fazer outras coisas com ele como casinha, carrinho, para brincar. Também ensinei isso para os meus dois irmãos”, conta Valéria.
PARCERIAS QUE APROXIMAM COMUNIDADE E SUSTENTABILIDADE
Segundo o diretor-presidente da Marquise Ambiental, Hugo Nery, as ações educativas não fazem parte de uma exigência contratual. “Quando as pessoas naquele bairro, naquela rua, começam a entender a importância da separação do resíduo e de todo o processo, isso facilita a minha vida como empresa. Então não é uma visão contratual, é uma visão de você olhar para frente e saber como é que o futuro tem que ser”, afirma.
A empresa atua na coleta seletiva em 11 cidades de seis estados e busca, por meio desses espaços educativos, aproximar a população das práticas ambientais relacionadas ao serviço.
FERRAMENTAS PARA CONSCIENTIZAR NOVAS GERAÇÕES
Entre as atividades do Ecocidadão, mais de 700 crianças e jovens assistiram ao filme de animação O Presente de Cecília. A produção conta a história de uma menina que muda comportamentos prejudiciais ao meio ambiente com a ajuda de um amigo do futuro.
Para Valéria, a mensagem foi direta. “Eu espero que no futuro a gente tenha uma natureza limpa, para ninguém ficar doente”, diz a estudante, ao associar preservação ambiental à saúde das pessoas.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA FORMAÇÃO DE JOVENS ADULTOS
A universitária Lorena Ribeiro, de 23 anos, também vê na educação ambiental um caminho para equilibrar desenvolvimento e preservação. Natural de Tutóia, no Maranhão, cresceu em contato com manguezais e áreas de restinga. “Meus pais sempre me influenciaram a cuidar realmente do que beneficia a gente, porque não é só a gente que vai ganhar, mas também tem os seres que vivem na natureza, os animais e as plantas”, relata.
A vivência influenciou a escolha profissional. Lorena cursa Biologia no Instituto Federal do Maranhão, em Barreirinhas, onde atua no Laboratório de Biodiversidade Aquática (BioAqua) e participa de ações voluntárias, como a iniciativa Guardiões do Futuro, promovida pela Fundação Grupo Boticário.
PRESERVAÇÃO E FUTURO EM ÁREAS SENSÍVEIS
Em dezembro de 2025, a ação contribuiu para a restauração de 30 hectares de restinga no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. O plantio de 600 mudas nativas buscou recuperar uma área degradada irregularmente para abertura de acesso turístico.
A região afetada equivale a quase 40 campos de futebol e abriga espécies sensíveis, como o tamanduaí, a menor espécie de tamanduá do mundo. A recuperação da área também teve papel educativo junto à população local.
“A educação ambiental funciona como uma ponte entre o que a gente quer fazer e o que vai acontecer. Não é só para a gente. Temos que ter resiliência para entender que o que fazemos hoje vai beneficiar gerações futuras, a fauna, a flora, animais que realmente precisam daquele bioma, daquele ambiente para sobreviver”, afirma Lorena.
DIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E OS DESAFIOS GLOBAIS
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta a educação ambiental como uma das principais estratégias para enfrentar a chamada tripla crise planetária: mudanças climáticas, poluição e perda de biodiversidade. Para o órgão, sociedades informadas e capacitadas são essenciais para que soluções e políticas ambientais sejam eficazes.
Instituído em 1975, o Dia Mundial da Educação Ambiental, celebrado em 26 de janeiro, reforça a importância de informar cidadãos e formar novas gerações capazes de participar da construção de um futuro mais sustentável, em alinhamento com os objetivos da Agenda 2030.
Com informações da Agência Brasil

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