Dólar cai a R$ 5,12, atinge menor valor em 21 meses e consolida tendência de valorização do real

Queda da moeda americana consolida a valorização do real em meio à entrada de capital estrangeiro

O dólar cai e encerra a quarta-feira cotado a R$ 5,125, após tocar R$ 5,12 ao longo do pregão, o menor valor registrado desde maio de 2024. A queda diária foi de 0,6% e reflete um ambiente internacional mais positivo para economias emergentes, além de ajustes no mercado financeiro brasileiro.

No mesmo dia, a bolsa brasileira teve leve recuo após alcançar patamar histórico na véspera. Investidores optaram por realizar lucros, enquanto acompanham decisões econômicas e comerciais dos Estados Unidos que influenciam diretamente o fluxo de capitais para o Brasil.

DÓLAR CAI COM FORÇA EM FEVEREIRO E ACUMULA BAIXA NO ANO

A moeda norte-americana acumula queda de aproximadamente 2,33% em fevereiro. No balanço de 2026, o recuo já chega a cerca de 6,63%.

Durante o pregão, o dólar apresentou forte volatilidade: iniciou o dia em baixa, subiu perto do meio-dia e voltou a cair de forma consistente até o fechamento, próximo da mínima diária.

O movimento reforça a tendência de valorização do real em um contexto de maior entrada de recursos estrangeiros no país.

BOLSA RECUA APÓS RECORDE HISTÓRICO

O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 191.247 pontos, com queda de 0,13%.

Apesar da valorização das ações de mineradoras, impulsionadas pela alta do minério de ferro no mercado internacional, outros setores passaram por realização de lucros, pressionando o indicador para baixo.

O comportamento do mercado indica cautela após a sequência de altas e reforça a sensibilidade dos investidores ao cenário externo.

DECISÕES DOS EUA INFLUENCIAM FLUXO DE CAPITAIS

O ambiente favorável aos países emergentes ganhou força após decisões recentes da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou medidas tarifárias mais amplas anunciadas anteriormente pelo governo de Donald Trump.

Além disso, o governo norte-americano estabeleceu uma tarifa unilateral de 10% sobre importações, abaixo dos 15% inicialmente previstos, reduzindo o impacto sobre o comércio internacional.

Esses fatores melhoraram a percepção de risco global e estimularam a migração de recursos para mercados como o brasileiro.

IMPACTO DIRETO NAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que apenas 25% das exportações do Brasil para os Estados Unidos serão atingidas pela nova tarifa.

Segundo o ministério, 46% das vendas brasileiras ao país norte-americano ficaram isentas no novo regime tarifário, reduzindo a pressão sobre setores estratégicos da economia nacional.

A combinação entre dólar mais baixo, fluxo de capital estrangeiro e menor impacto comercial tende a influenciar o comportamento do mercado financeiro nas próximas semanas, com reflexos diretos sobre importações, inflação e decisões de investimento no país.

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