“É banditismo”, diz Boulos sobre aumento de diesel nos postos

O aumento de diesel nos postos voltou ao centro do debate nacional após críticas do governo federal a reajustes considerados injustificados. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que há indícios de prática abusiva por parte de postos e distribuidoras, mesmo após medidas adotadas para conter a alta.

A declaração foi feita nesta sexta-feira (20), no Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. Segundo o ministro, o cenário preocupa por impactar diretamente o custo de vida e a inflação, especialmente em um momento de instabilidade no mercado internacional de petróleo.

AUMENTO DE DIESEL NOS POSTOS É QUESTIONADO PELO GOVERNO

Durante a fala, Boulos criticou duramente os reajustes recentes. “Isso é banditismo de postos de gasolina e distribuição, que estão cometendo crime contra a economia popular”, afirmou.

Ele argumenta que o aumento de diesel nos postos não se justifica pelas condições atuais, já que o governo federal zerou tributos como PIS e Cofins para reduzir o impacto ao consumidor. “O presidente Lula zerou o PIS/COFINS. As distribuidoras não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo para o consumidor um aumento especulativo”, criticou.

A estratégia do governo é evitar que a escalada do preço internacional do petróleo seja repassada integralmente ao mercado interno, o que poderia pressionar ainda mais a inflação.

OPERAÇÕES DE FISCALIZAÇÃO E INVESTIGAÇÃO

Diante das denúncias, o governo afirma ter intensificado ações de fiscalização em todo o país. De acordo com o ministro, órgãos como a Polícia Federal e entidades de defesa do consumidor estão realizando operações frequentes.

Segundo ele, cerca de 400 postos e distribuidoras foram alvo de ações nos últimos dois dias, com aplicação de multas, interdições e possibilidade de responsabilização criminal.

“Já foram operações em 400 postos nas últimas 48 horas, em várias distribuidoras, com lacração, aumento de multas e o próximo passo é a prisão de representantes deles”, descreveu.

CAMINHONEIROS ADIAM GREVE APÓS NEGOCIAÇÃO

O aumento no preço do combustível também mobilizou caminhoneiros, que chegaram a cogitar paralisação. No entanto, após negociações com o governo, a categoria decidiu não iniciar greve.

Um novo encontro entre representantes do setor e o governo está previsto para a próxima quarta-feira (25), no Palácio do Planalto. Segundo Boulos, o diálogo ajudou a evitar prejuízos maiores.

“Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias, desde o fim da semana passada, para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro”, contou.

MEDIDA PROVISÓRIA REFORÇA PISO DO FRETE

Outra demanda dos caminhoneiros envolve o cumprimento do piso mínimo do frete. O governo publicou a Medida Provisória 1.343/2026, que endurece punições contra transportadoras que descumprirem a regra.

O texto prevê, além de multas, a possibilidade de cassação do registro de empresas reincidentes. Segundo o ministro, apenas penalidades financeiras não estavam sendo suficientes para garantir o cumprimento da norma.

“Já havíamos nos reunido com os caminhoneiros no fim do ano, o governo intensificou a fiscalização, mas mesmo com as multas que superam R$ 400 milhões nos últimos três meses, eles continuam [a descumprir], parece que compensa para eles ter a multa e não pagar o piso”, disse a jornalistas.

GUERRA NO ORIENTE MÉDIO PRESSIONA PREÇOS DO PETRÓLEO

No cenário internacional, a alta do petróleo segue influenciada por tensões no Oriente Médio. A ofensiva militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou o preço do barril do tipo Brent, referência global.

A cotação chegou a cerca de US$ 110, após ter sido negociada na faixa de US$ 70 antes do início do conflito. A região concentra rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás.

No Brasil, a Petrobras reajustou o diesel em R$ 0,38 recentemente. Ainda assim, o governo sustenta que a redução de tributos ajudou a suavizar o impacto nas bombas e defende novas medidas, como a revisão do ICMS sobre o diesel importado.

Com informações da Agência Brasil

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