Hortas comunitárias de São José transformam áreas abandonadas em espaços de alimento, renda e convivência

Terrenos antes marcados pelo descarte irregular de lixo estão ganhando nova função em São José. Por meio do Programa Hortas Solidárias Urbanas, áreas abandonadas passaram a abrigar produção de alimentos, ações de educação ambiental e espaços de convivência comunitária.

Criado em março de 2022, o programa já conta com seis hortas comunitárias espalhadas pelos bairros Serraria, Ipiranga, Potecas, Areias, Forquilhas e Jardim Zanellato. A meta da prefeitura é ampliar a iniciativa para dez unidades nos próximos anos.

A primeira horta foi implantada no loteamento Morar Bem, na Serraria, em um espaço que anteriormente era utilizado para descarte de resíduos. Hoje, o local reúne produção agroecológica, atividades educativas e geração de renda para moradores da comunidade.

“Isso aqui virou parte da nossa rotina. A gente vem, conversa, colhe comida saudável e ainda ajuda a cuidar do lugar. Antes era um terreno abandonado, hoje é vida”, relata a moradora Dona Zenilda, frequentadora da horta do Morar Bem.

Produção de alimentos e geração de renda

Além de garantir acesso a alimentos frescos, o programa também estimula a comercialização dos produtos cultivados pelos moradores. Um dos destaques é o sistema “Colhe e Pague”, realizado aos sábados na horta do Morar Bem.

Segundo o coordenador do programa e líder comunitário Luiz dos Santos, a iniciativa tem impacto direto na renda e na qualidade de vida das famílias.

“Atualmente temos famílias que encontram aqui uma fonte de renda, de alimento e até de saúde mental. A horta aproxima as pessoas e faz a comunidade se sentir pertencente daquele espaço”, afirmou.

Na unidade da Serraria são cultivados mais de 40 tipos de frutas, legumes e hortaliças. A produção anual inclui cerca de seis toneladas de bananas, além de milhares de pés de alface, cebolinha, salsinha e couve.

Parte dos alimentos também abastece duas creches da região, enquanto estudantes participam de atividades de educação ambiental e sustentabilidade.

Espaços fortalecem convivência comunitária

Nas comunidades atendidas, as hortas também se transformaram em espaços de encontro e integração social. Na horta do Lisboa, em Forquilhas, a aposentada Marli Jabonski afirma que o local se tornou parte da rotina da família.

“Eu venho para cá duas vezes por dia e trago meus netos para ajudar a plantar. Meus filhos também participam. Isso aqui virou uma terapia pra mim”, contou.

O superintendente da Fundação Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rubens Pereira Júnior, destacou que o programa alia desenvolvimento sustentável e transformação social.

“As hortas comunitárias mostram que é possível transformar espaços abandonados em áreas produtivas, sustentáveis e que fortalecem o vínculo entre os moradores. É um projeto que une meio ambiente, segurança alimentar e participação comunitária”, afirmou.

Expansão do programa

O Programa Hortas Solidárias Urbanas foi criado pela Lei Municipal nº 5.739/2019 com foco em agricultura social, economia solidária, produção para autoconsumo e ocupação de áreas públicas abandonadas.

De acordo com o prefeito Orvino Coelho de Ávila, a proposta vai além da agricultura urbana.

“Esse espaço agrega valor, gera renda e, acima de tudo, promove união entre as pessoas, mostrando o que existe de melhor em cada comunidade”, destacou.

A prefeitura pretende ampliar o número de hortas nos próximos anos, levando o modelo para outras regiões da cidade e fortalecendo ações ligadas à segurança alimentar, sustentabilidade e convivência comunitária.

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