O tarifaço dos EUA sobre o Brasil começou a valer nesta quarta-feira (22), com a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida afeta cerca de 19% das exportações do país destinadas aos Estados Unidos e deve atingir bilhões de dólares em negócios.
A entrada em vigor da taxação aumenta a pressão sobre setores industriais que têm forte dependência das vendas para os EUA, especialmente em estados como São Paulo e Santa Catarina. Enquanto o governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas por Washington, autoridades já anunciam medidas para reduzir os impactos econômicos e buscar novos mercados internacionais.
Sumário
POR QUE O TARIFAÇO DOS EUA SOBRE O BRASIL AFETA A INDÚSTRIA
A nova tarifa incide sobre aproximadamente 2,3 mil produtos brasileiros. Entre os segmentos mais atingidos estão os de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados.
Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o valor das exportações afetadas varia entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões.
Durante as negociações, cerca de 700 produtos ficaram de fora da medida, número superior aos 615 itens inicialmente previstos para isenção.
POR QUE SANTA CATARINA ESTÁ ENTRE OS ESTADOS MAIS IMPACTADOS
Os efeitos da medida se concentram principalmente em São Paulo e Santa Catarina, responsáveis juntos por 52% do valor das exportações brasileiras atingidas.
São Paulo reúne 41,6% do total das exportações afetadas. Já Santa Catarina apresenta um cenário considerado mais sensível, pois cerca de 68% das vendas do estado para os Estados Unidos estão sujeitas à nova tarifa, conforme dados da Apex-Brasil.
Além disso, o mercado norte-americano representa um dos principais destinos para produtos brasileiros dos setores de eletroeletrônicos e máquinas industriais, aumentando a exposição dessas cadeias produtivas às mudanças nas regras comerciais.
POR QUE OS ESTADOS UNIDOS APLICARAM A NOVA TARIFA
A decisão foi tomada pelo governo do presidente Donald Trump com base em um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Entre os argumentos apresentados pelos norte-americanos para justificar a taxação estão questões relacionadas ao sistema de pagamentos eletrônicos brasileiro, regulação das redes sociais, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual e acordos comerciais preferenciais firmados pelo Brasil com México e Índia.
O governo brasileiro rejeita essas justificativas e afirma que elas não refletem a realidade das relações comerciais entre os dois países.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que as exigências norte-americanas envolviam a abertura ampla do mercado brasileiro sem concessões equivalentes por parte dos Estados Unidos. Segundo ele, a taxação possui motivação política.
COMO O BRASIL PRETENDE REDUZIR OS IMPACTOS
Como resposta, o governo federal anunciou a retomada de um programa de apoio às empresas afetadas.
Entre as medidas previstas estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de incentivos para facilitar o direcionamento das exportações a novos compradores em outros países. Também está em análise a flexibilização temporária de regras relacionadas ao regime tributário aplicado à produção de mercadorias destinadas à exportação.
Paralelamente, a Apex-Brasil prepara um plano estimado em R$ 130 milhões para ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais.
A estratégia inclui fortalecer negócios com países da União Europeia, integrantes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, além de economias da Ásia Central, entre elas Cazaquistão e Uzbequistão.
O QUE PODE ACONTECER A PARTIR DE AGORA
Com a tarifa já em vigor, o governo brasileiro concentra esforços para reduzir a dependência do mercado norte-americano e ampliar destinos para as exportações nacionais. Ao mesmo tempo, empresas dos setores mais afetados acompanham a implementação das medidas de apoio e a evolução das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que poderão influenciar o cenário das exportações nos próximos meses.
